MEMÓRIA FABRIL

Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre preparam museu em parceria com a UFRGS

Parceria vai catalogar fotos, jornais e atas de quase um século de organização da categoria metalúrgica no estado

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Sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, entidade fundada em 1931, que hoje reúne parte de seu acervo histórico para dar origem a um museu
Sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, entidade fundada em 1931, que hoje reúne parte de seu acervo histórico para dar origem a um museu | Crédito: Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (Stimepa) deu início a uma nova etapa da organização de seu acervo histórico, em um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa tem como objetivo catalogar, restaurar e preservar documentos que registram décadas da história da entidade, contribuindo para a criação de um museu dedicado à memória dos trabalhadores metalúrgicos e do movimento sindical no Rio Grande do Sul.

Com 95 anos de existência, o sindicato reúne um patrimônio composto por fotografias, jornais, boletins, atas, cartazes e correspondências que registram diferentes momentos da organização da categoria e das mobilizações da classe trabalhadora gaúcha. Durante o processo de organização, já foram encontradas peças consideradas raridades históricas, entre elas a ata que registra a intervenção militar sofrida pela entidade em 1964.

Origem que remonta ao início do século 20

A entidade foi fundada em 19 de março de 1931, sob o nome de Sindicato dos Operários Metalúrgicos de Porto Alegre, tornando-se o primeiro sindicato de classe criado no Rio Grande do Sul. Seus fundadores vinham em parte da União dos Metalúrgicos, organização surgida em 1905 na sede da Allgemeiner Arbeiter Verein (Associação Geral dos Trabalhadores), grupo formado por trabalhadores de origem alemã com orientação socialista. A União dos Metalúrgicos participou de mobilizações anteriores à fundação do sindicato, como a greve geral de 1906, pela jornada de oito horas, e a greve geral de 1917, quando trabalhadores chegaram a assumir o controle de setores da cidade.

Segundo registros históricos da própria entidade, o período que antecedeu a fundação do sindicato foi marcado por forte repressão a organizações operárias: o direito de associação não era reconhecido, entidades de trabalhadores eram fechadas à força e lideranças eram presas ou deportadas, com reivindicações trabalhistas tratadas como caso de polícia. Já a intervenção sofrida em 1964, ano do golpe civil-militar, documentada na ata que passa agora por catalogação, integra um capítulo mais recente dessa trajetória, quando sindicatos em todo o país foram alvo de intervenções por parte do regime instaurado naquele ano.

Hoje o Stimepa representa uma categoria de cerca de 35 mil trabalhadores, com base territorial que abrange Porto Alegre, Guaíba, Viamão, Alvorada, Glorinha e Eldorado do Sul. A entidade é filiada à Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, à Confederação Nacional dos Metalúrgicos e à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Como funciona o trabalho de catalogação

A organização do acervo é conduzida por bolsistas do curso de Museologia da UFRGS, responsáveis pela catalogação, conservação e restauração dos documentos, sob orientação da professora doutora Olívia Nery, docente do curso. O trabalho envolve identificar, higienizar e registrar tecnicamente cada item, de modo a garantir sua preservação e possibilitar consultas futuras por parte de pesquisadores e do público interessado na história do movimento sindical gaúcho.

O projeto conta também com uma equipe multidisciplinar formada pelos historiadores doutores Frederico Bartz e João Marcelo Pereira dos Santos. Pelo lado do sindicato, participam os dirigentes Helder Dias, da comunicação, Marcelo Nascimento, da formação, Diego Cardoso, da secretaria-geral, e Adriano Filippetto, da presidência, além da jornalista da entidade, Luiza Alves, que também integra a equipe responsável pelo desenvolvimento da iniciativa.

Destino do material e próximos passos

Além da preservação física dos documentos, a proposta busca garantir que o acervo seja organizado de forma técnica e disponibilizado para pesquisas acadêmicas, atividades educativas e ações de valorização da memória do movimento sindical no estado. A expectativa da entidade é de que o material catalogado sirva de base para a estruturação do futuro museu, ainda sem data definida para inauguração.

O acervo reúne registros que acompanham a trajetória de diferentes gerações de trabalhadores metalúrgicos que passaram pela entidade ao longo de quase um século, incluindo documentos ligados a campanhas salariais, mobilizações por jornada de trabalho e disputas trabalhistas conduzidas pelo Sindicato desde sua fundação até os dias atuais.

Editado por: Marcelo Ferreira

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