CONSCIÊNCIA NEGRA

UnB recebe Congresso de Pesquisadores Negros para discutir democracia, ciência e enfrentamento ao racismo

Evento reúne pesquisadores, movimentos sociais e ativistas entre os dias 28 e 31 de julho

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Coordenação 14º Copene - 1º Encontro da Diretoria ABPN e Coordenação local da Unb.
Coordenação 14º Copene – 1º Encontro da Diretoria ABPN e Coordenação local da Unb. | Crédito: Renísia C. Garcia Filice

A Universidade de Brasília (UnB) recebe, entre os dias 28 e 31 de julho, o 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (Copene), um dos principais encontros dedicados à produção de conhecimento negro na América Latina. Com o tema Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira, o evento reunirá pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, lideranças comunitárias e intelectuais do Brasil e do exterior para debater o papel da produção intelectual negra na construção de uma sociedade mais democrática e antirracista.

Realizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN), em parceria com a UnB e o Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (Conneabs), o congresso também celebra os 55 anos da primeira evocação do 20 de Novembro, realizada em Porto Alegre, em 1971, pelo Grupo Palmares. A edição de 2026 ainda marca o reconhecimento do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional, instituído pela Lei nº 14.759/2023.

Além do congresso, a programação incorpora o 3º Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas e o 2º Seminário Nacional Redes Antirracistas MIR/UnB, ampliando o diálogo entre universidades brasileiras e instituições de países como Cabo Verde e Portugal. A proposta é fortalecer redes internacionais de pesquisa e compartilhar experiências sobre o combate ao racismo em diferentes contextos da diáspora africana.

A abertura acontece na noite na próxima terça-feira (28), com conferência da escritora e pesquisadora Carla Akotirene, referência nos estudos sobre interseccionalidade e feminismo negro. Ao longo dos quatro dias, a programação contará com mesas-redondas, simpósios, painéis, conferências e grupos de trabalho sobre temas como saúde da população negra, filosofia afrodiaspórica, feminismos negros, arquitetura africana, educação antirracista, políticas públicas, religiosidades de matriz africana e territórios tradicionais.

Entre os destaques estão os debates sobre o programa Afrocientista, apresentado como uma política de ação voltada ao incentivo da produção científica entre estudantes negros desde a educação básica, e o painel “Teorias Interpretativistas e políticas públicas: raça e sociedade desigual”, que reúne pesquisadores da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Fundação Getulio Vargas  (FGV) e UnB para discutir os impactos do racismo estrutural na formulação de políticas públicas.

Redes antirracistas e saberes tradicionais

Outro eixo aborda os conhecimentos produzidos por povos tradicionais e comunidades quilombolas. Mesas como “Terreiros, territórios, biointeração e reencantamento do mundo” propõem reflexões sobre ancestralidade, espiritualidade e modos de produção de conhecimento historicamente invisibilizados pela academia. O seminário internacional também celebra os 10 anos do projeto Tecendo Redes Antirracistas, iniciativa que conecta pesquisadores e ativistas de diferentes países para construir estratégias comuns de enfrentamento ao racismo. 

A programação reúne nomes como Redy Wilson Lima, de Cabo Verde, Cristina Roldão, de Portugal, além de pesquisadores brasileiros ligados à Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), universidades públicas e movimentos sociais.

O encerramento contará com conferência do sociólogo e pesquisador Miguel de Barros, do Centro de Estudos Amílcar Cabral, da Guiné-Bissau, reforçando o caráter internacional do congresso e a centralidade do pensamento afrodiaspórico nas discussões sobre democracia e participação social.

Além das atividades acadêmicas, o evento contará com uma Feira Afro, reunindo iniciativas de empreendedorismo negro, economia solidária, artesanato e literatura. A programação cultural inclui lançamentos de livros, apresentações artísticas e musicais durante todos os dias do evento, aproximando a produção científica das expressões culturais da população negra.

Ao final do congresso, a Assembleia Geral da ABPN e os encontros das redes antirracistas devem definir estratégias para 2026-2027, consolidando o evento como um espaço de formulação política e fortalecimento da pesquisa negra no Brasil.

Serviço

14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (Copene)

Datas: de terça-feira (28) a sexta-feira (31)

Local: Campus Darcy Ribeiro, Universidade de Brasília (UnB)

Programação completa e inscrições no site.


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Editado por: Clivia Mesquita

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