Minas Gerais se despediu, nesta semana, de Bernardo Novais da Mata Machado, um dos principais intelectuais e formuladores de políticas culturais do país. Historiador, cientista político, escritor, ator e diretor de teatro, Machado morreu no sábado (25), aos 72 anos, em Belo Horizonte, enquanto realizava tratamento contra um linfoma de Hodgkin.
O velório foi realizado nesta segunda-feira (27), no Cemitério Parque da Colina, na capital mineira, seguido do sepultamento. Ao longo dos dias, autoridades, instituições e representantes do setor cultural prestaram homenagens a quem ajudou a construir um dos mais importantes marcos das políticas públicas de cultura no Brasil: o Sistema Nacional de Cultura (SNC).
Pesquisador da Fundação João Pinheiro e graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bernardo também era especialista em gestão cultural pela Universidade de Barcelona. Sua trajetória foi marcada pela atuação na formulação de políticas públicas, pela produção acadêmica e pela dedicação às artes cênicas.
No Ministério da Cultura (MinC), atuou como diretor do Sistema Nacional de Cultura e Programas Integrados da Secretaria de Articulação Institucional, sendo um dos responsáveis pela elaboração do SNC, estrutura que organiza a cooperação entre União, estados e municípios na gestão das políticas culturais.
Além da atuação na gestão pública, Bernardo tornou-se referência no debate sobre cultura como direito. Entre suas obras, o livro “Política Cultural: Fundamentos” é considerado uma das principais referências para pesquisadores, gestores e trabalhadores da área.
Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte do historiador e destacou sua contribuição para o fortalecimento das políticas culturais brasileiras. A pasta manifestou solidariedade aos familiares, amigos e admiradores do pesquisador.
Autoridades lamentam a morte de Mata-Machado
O deputado federal Patrus Ananias (PT) afirmou ter perdido “um querido amigo de longa data” e destacou que Bernardo foi conselheiro de seu mandato e uma figura decisiva para a cultura mineira e nacional.
Segundo Ananias, durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), quando Bernardo ocupou o cargo de secretário-adjunto de Cultura, foram implementadas políticas que ampliaram o acesso à cultura na capital, como a criação do Festival Internacional de Teatro (FIT-BH), do Festival de Arte Negra (FAN), do primeiro Centro Cultural Regional, no Alto Vera Cruz, além da implantação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, do Conselho Municipal de Cultura e das Arenas da Cultura.
“Minas e o país perdem uma figura fundamental que ainda tinha muito a contribuir. Eu perco um amigo, cuja presença permanecerá viva na memória, nas ideias que compartilhamos e nas realizações que construímos”, escreveu o parlamentar.
A deputada estadual Macaé Evaristo (PT) também ressaltou o papel de Bernardo na consolidação das políticas culturais brasileiras. Para ela, o historiador dedicou a vida à construção de instrumentos para garantir o direito à cultura.
Macaé lembrou, ainda, a trajetória familiar de Bernardo, filho do jurista Edgar de Godói da Mata Machado, que teve o mandato de deputado federal cassado pela ditadura militar, e irmão de José Carlos Novais da Mata Machado, assassinado sob tortura em 1973. Sobre ambos, Bernardo escreveu o livro “Edgar e José Carlos: pai e filho na resistência à ditadura”.
“Bernardo ajudou a pensar o Sistema Nacional de Cultura e a legislação que o sustenta. Em Política Cultural: Fundamentos, deixou registrado aquilo que defendeu por toda a vida: cultura é direito, e política cultural é fundamento”, afirmou a deputada.
Também pelas redes sociais, o diretório do Partido dos Trabalhadores de Belo Horizonte (PT-BH) destacou que Bernardo foi uma referência nacional na formulação e no fortalecimento das políticas públicas para a cultura. Para a legenda, seu legado permanecerá orientando à gestão cultural brasileira por meio do Sistema Nacional de Cultura, um dos principais instrumentos de democratização das políticas culturais no país.
