convenções do PL

Flávio Bolsonaro desrespeitou Justiça e expôs necessidade de vincular imagem ao pai, avalia cientista político

Mateus de Albuquerque avalia estratégia do PL, que testa os limites das regras eleitorais de 2026

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No jingle de campanha, nos discuros, faixa e gritos, o ex-presidente, que está preso em casa, foi o principal assunto da convenção do PL
O principal nome do evento do PL não foi o candidato Flávio Bolsonaro, mas o pai, Jair | Crédito: Reprodução/YouTube

O final de semana foi marcado por convenções partidárias que oficializaram candidaturas para as eleições de outubro. O Partido Liberal (PL) formalizou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em encontro com participação do presidente da Argentina, Javier Milei, e de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro gerado por Inteligência Artificial. O Bolsonaro pai cumpre pena pela tentativa de golpe em prisão domiciliar.

O cientista político Mateus de Albuquerque, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que a campanha do senador cometeu, ao menos, duas irregularidades: descumpre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe Bolsonaro de se manifestar politicamente, ainda que de forma indireta, e o uso de IA, que tem regras rígidas determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para ele, o vídeo evidencia o enorme desafio que Flávio terá ao longo da campanha. “Ele precisa relembrar ao seu eleitor que ele é o candidato do bolsonarismo. A situação da Michelle já foi algo ameaçador, justamente porque impacta o elo com o Bolsonaro. Nesse momento, é uma coisa primordial da candidatura do Flávio. Isso terá de reforçar a campanha inteira. E fazer isso sem que o próprio Bolsonaro possa se manifestar é bastante dificultoso”, afirma.

Albuquerque compara o episódio ao período em que Lula estava preso e Fernando Haddad, então candidato à Presidência, precisou também buscar se colar à figura dele. A diferença, segundo o cientista político, que acaba sendo uma vantagem para Flávio, é o peso do sobrenome. “Mesmo com a campanha esmigalhada, em crises, banco Master, briga com a Michelle, tarifaço, essa é a vantagem real do Flávio sobre os demais, ter este terço do eleitorado que se identifica diretamente com o Bolsonaro”, pontua.

Sobre a vinda de Milei ao Brasil, Mateus de Albuquerque observa que é mais uma evidência de que Lula e o campo progressista estão sitiados. “Uma eventual vitória do Lula, que acredito ser mais provável que aconteça, será uma vitória sobre sítio. Lula está cercado. O plano de Trump para a América Latina está sendo muito eficiente. Trazer o Milei aqui — que, aliás, não é a primeira vez, ele já veio em convenção da extrema direita brasileira em Balneário Camboriú — é para evidenciar isso, o quanto o Lula está fragilizado de apoios internacionais”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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