Na primeira parte deste especial, o Brasil de Fato RS apresentou as trajetórias da professora Karen Nunes da Silva, da dirigente sindical Ísis Garcia, da liderança comunitária Graziela da Silva Conceição e da jovem militante Jordana Lois de Lima, mulheres que transformam a resistência cotidiana em ação coletiva.
Nesta segunda e última parte, o especial segue por outros caminhos igualmente marcados pela força das mulheres negras: a espiritualidade de matriz africana, a cultura e a atuação política. Em comum, permanecem a ancestralidade, a organização coletiva e a certeza de que, quando mulheres negras se movem, também transformam a sociedade.
Ialorixá, psicóloga e coordenadora do Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul (MNU-RS), Ìyá Sandrali de Campos Bueno reflete sobre matripotência, racismo religioso e a construção coletiva da luta por direitos. Já a cantora e assessora parlamentar Roberta Moura resgata a história do samba como expressão de resistência, denuncia o apagamento da memória negra e defende a ocupação dos espaços políticos e culturais pelas mulheres negras. Em comum, as duas reafirmam que o Julho das Pretas é mais do que uma data no calendário: é a afirmação de uma luta construída todos os dias entre memória, ancestralidade e transformação social.

Iyá Sandrali: “Enquanto houver racismo e violência contra as mulheres, a gente vai estar na luta”
“Eu sou Ìyá Sandrali de Campos Bueno. Sou Ialorixá, psicóloga, militante ferrenha no combate ao racismo, pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres.”
É assim que Ìyá Sandrali se apresenta. Além da atuação religiosa e profissional, ela carrega uma trajetória construída na militância coletiva. Atualmente, coordena o Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul e ocupa a vice-presidência do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Autoridade Civilizatória da Tradição de Matriz Africana e Afrodiaspórica do Batuque do Rio Grande do Sul nação Cabinda. Ìyá Sandrali é psicóloga, escritora, autora do livro “Pelo Direito de ser quem sou: um ser coletivo”, editora Zouk, 2022.
Mãe de Winnie Bueno e Ayana Bueno e avó de Virgilina de Campos Bueno Gregol, ela afirma que sua caminhada de luta começou antes mesmo de escolher a militância como caminho. “Desde sempre, como toda mulher, já nasci militante, porque toda mulher negra, quando rompe o cordão umbilical, já está militando, porque a vida, o próprio racismo e todas essas questões da desigualdade nos colocam nesse lugar.”
Para Ìyá Sandrali, sua trajetória nunca foi individual. “Não é a Sandrali, mas é o coletivo que eu represento. São vários rostos, várias caminhadas, mas sempre na questão principal, que é a linha matriarcal.”
Ela afirma que vem de uma história marcada pela luta de mulheres negras da família. “Eu sou uma pessoa que vem de luta de mulheres negras, tanto do lado do meu pai quanto do lado da minha mãe. Então isso faz com que a gente sempre esteja em luta e que essa luta venha lá de trás, mas tenha continuidade.”
É a mãe que cuida, que zela pelos orixás, que zela por uma comunidade
Ancestralidade e o caminho para ser ialorixá
A relação de Ìyá Sandrali com a tradição de matriz africana foi construída ao longo da vida. Ela conta que sua família tinha origem kardecista, tanto pelo lado paterno quanto materno, e que sua aproximação com a religião ocorreu já na juventude. “Quando eu entro para a religião, eu não tinha qualquer perspectiva de ser ialorixá.”
Segundo ela, a trajetória foi acontecendo a partir da vivência e da própria tradição. “Na matriz africana, é o único espaço religioso, diria assim, que nós chegamos ao cargo máximo, que é de ialorixá. Para os homens é Babalorixá.”
Ela explica que o termo representa uma função de cuidado e liderança espiritual. “É a mãe que cuida, que zela pelos orixás, que zela por uma comunidade.”
Quando deixou Porto Alegre e foi para Pelotas, Ìyá Sandrali constituiu seu terreiro e plantou seu axé. “Ele fez todas as coisas como apregoa a tradição. Hoje ele já não está mais na terra, já não está mais aqui presente, mas segue me guiando, porque a gente se guia pelos ancestrais.”
Para ela, tornar-se ialorixá também está relacionado ao chamado da ancestralidade. “Os filhos de santo chegam, a gente não escolhe, eles chegam. E quando chegam, a gente tem que acolher, porque a nossa tradição é isso, é acolher todos e todas.”

Julho das Pretas é resistência e matripotência
Ao falar sobre o Julho das Pretas, Ìyá Sandrali destaca o caráter político e simbólico da data, que marca o Dia Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. “Ele significa resistência, ele significa força, ele significa todas essas estratégias que a mulher negra tem desde sempre.”
Para ela, a homenagem a Tereza de Benguela representa a continuidade de uma história de luta. “É a resistência dos quilombos, a resistência dos terreiros, a resistência em todos os espaços onde nós estamos.”
Ìyá Sandrali ressalta ainda a importância de reconhecer a centralidade das mulheres negras na sociedade. “A gente traz muito essa matripotência das mulheres negras.”
Segundo ela, o Julho das Pretas reúne em um mês uma reflexão que acontece durante todo o ano. “Faz com que a gente coloque num mês tudo isso que a gente vive o ano inteiro, mas coloca essa simbologia para afirmar e reafirmar a posição, a postura e a necessidade de cada vez mais buscar os nossos direitos.”
“A gente não nasce negra, a gente se torna negra”
Questionada sobre o significado de ser uma mulher negra, Ìyá Sandrali faz uma reflexão sobre identidade e construção coletiva. “Na realidade, tu não é mulher negra, tu te torna uma mulher negra.”
A fala dialoga com a reflexão da intelectual brasileira Lélia Gonzalez, que afirmou: “A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora.” Para Ìyá Sandrali, esse processo acontece na luta cotidiana. “Não é fácil, no Brasil, a gente se tornar uma mulher negra.”
Ela explica que essa construção não acontece de forma individual. “Nós não somos individualizados, indivíduos, sujeitos. Nós somos sujeitos de uma coletividade. Nós falamos sempre no coletivo.” Segundo ela, existe um reconhecimento mútuo entre mulheres negras. “Uma mulher se enxerga na outra mulher, e uma mulher negra com certeza se enxerga na outra.”
Terreiros e o combate ao racismo religioso
Ìyá Sandrali também destaca o papel das mulheres negras na preservação das tradições de matriz africana. “Se nós somos o que somos hoje, essa tradição, é porque foram as mulheres negras que se sustentaram.”
Ela afirma que a presença feminina está no centro dessas comunidades. “São as mães de santo que sustentaram.”
Ao falar sobre os ataques às religiões de matriz africana, ela defende que o problema deve ser compreendido como racismo religioso. “Hoje inclusive a gente fala racismo religioso. Ele nasce pela questão da intolerância, que é colocada dentro do aspecto jurídico. Mas nós sabemos que é racismo religioso.”
Para ela, a forma como essas religiões são atacadas revela uma estrutura racista. “Por que essa religião e por que essa tradição? Porque é tradição de negros, é tradição de pretos, é tradição de mulheres e de mulheres negras.”
Ìyá Sandrali lembra ainda que a maioria dos terreiros atacados tem mulheres à frente. “Pode ver que a maioria dos terreiros que são atacados, na sua grande maioria, é dirigido por mulheres.”

Roberta Moura: o samba como memória, resistência e ação política
Cantora, assessora parlamentar e mãe de quatro filhos, Karen Roberta da Silva de Moura, conhecida artisticamente como Roberta Moura, nasceu em São Gabriel e cresceu em uma família onde a música fazia parte da rotina. Mãe de quatro filhos – três meninas e um menino – ela conta que a música sempre esteve presente em sua vida. Todos os domingos, os tios reuniam parentes e amigos para rodas de samba, ambiente onde ela aprendeu as primeiras letras e desenvolveu o gosto pela música.
Antes de seguir carreira como cantora, Moura se destacou na dança. Foi rainha do Carnaval de São Gabriel, dançou lambada e dança afro. A mudança para Porto Alegre, onde veio estudar, marcou uma nova etapa. Ela conta que a música nunca foi pensada como única fonte de renda, mas como uma forma de complementar o orçamento da família. Paralelamente, construiu uma trajetória na política institucional. Desde 2002 atua como assessora parlamentar.
Conciliar as diferentes funções faz parte da rotina. “Além de cantora e assessora parlamentar, eu sou mãe. A mulher negra faz várias coisas ao mesmo tempo. Durante a semana trabalho com a minha deputada. Nos finais de semana me dedico à música e à família.” Para ela, a arte não está separada da política. O samba, especialmente, carrega uma história de resistência. “A música, a cultura é extremamente política, o samba é político. Não só por ele ter surgido num terreiro de uma mulher negra, mas por ele ser o berço da nossa cultura no país.”
O samba de terreiro e o resgate da ancestralidade
Para Moura, ocupar o palco como cantora negra no Rio Grande do Sul também significa enfrentar barreiras históricas. Ela destaca que as mulheres negras ainda encontram dificuldades para serem reconhecidas, especialmente em espaços ligados ao samba. “As mulheres são invisibilizadas, isso é uma realidade. Eu demorei bastante para construir o espaço que eu estou hoje. Já são mais de 20 anos de carreira profissional, que eu digo, porque eu canto desde os meus 5 anos de idade. Mas profissionalmente eu comecei em 1998, 99, por ali.”
Segundo ela, a presença feminina negra nas rodas de samba ainda enfrenta obstáculos. “Foi sempre bem difícil. A mulher negra, existe uma dificuldade para se introduzir num núcleo bastante machista que são as rodas de samba.”
Moura conta que, além do samba tradicional, passou a incorporar em sua trajetória o samba de terreiro, uma expressão ligada à ancestralidade e à cultura afro-brasileira. Ela explica que essa vertente surgiu de uma ligação afetiva com sua própria história familiar e com os ensinamentos que recebeu de mulheres negras de sua família. “Foi uma coisa que eu trouxe um pouco antes da minha filha nascer, da Elisa, lá em 2016, 2015. Eu já tinha um projeto que era com o Trio Mande, que a gente fazia música de macumba.”
A cantora lembra que essas músicas faziam parte da sua memória, embora muitas vezes fossem tratadas com preconceito. “Aquela música que era do domínio público, que minhas tias que eram de terreiro traziam. Porque minha bisavó era benzedeira, então ela não gostava muito. A gente tinha que se esconder para poder fazer a música de terreiro longe dela, porque ela era muito católica e ela não gostava.”
Moura explica que o objetivo é preservar uma tradição ancestral. “O tambor é a raiz de tudo. É lá que estão os nossos antepassados.” Ela percebeu rapidamente que o público se identificava com esse repertório. “Quem não conhece acaba aprendendo. Eu canto e o público responde. As pessoas saem do show cantando. O samba de terreiro é repetitivo justamente porque transmite ensinamentos.”
A música, a cultura é extremamente política, o samba é político. Não só por ele ter surgido num terreiro de uma mulher negra, mas por ele ser o berço da nossa cultura no país. O país é conhecido como a terra do samba, do Carnaval.
Tia Ciata e o protagonismo das mulheres negras no samba
Ao falar da história do samba, Moura lembra que o gênero nasceu a partir da resistência de mulheres negras, especialmente de Tia Ciata, ialorixá e liderança comunitária do Rio de Janeiro. Ela recorda que, durante muitos anos, tanto o samba quanto a capoeira eram considerados práticas de “vadiagem” e reprimidos pelas autoridades. “Se a pessoa não estivesse trabalhando, não podia estar fazendo samba, nem capoeira. Dependendo da cor da pessoa, isso acontece até hoje. Se tu vê alguém batucando na esquina, a polícia vai parar para saber o que está acontecendo. Eu sei porque eu vivo isso. Já aconteceu com amigos de terem os instrumentos recolhidos.”
Segundo Moura, Tia Ciata teve papel decisivo para que o samba pudesse ser praticado publicamente. “Ela era uma mulher de terreiro, uma ialabá. Em troca de uma cura que fez em um presidente da República, pediu que o samba pudesse acontecer no fundo do seu pátio. E é assim que o samba começa a ganhar espaço.”
Mesmo com esse protagonismo feminino na origem do samba, ela afirma que o machismo ainda marca o cenário musical. “As rodas de samba são frequentadas por mulheres, mas quem normalmente ocupa o palco são os homens. Tem muitas mulheres cantando, o que acontece é que elas não aparecem na mídia.” Por isso, faz questão de incentivar outras artistas. “Eu digo para as gurias: vamos ocupar esses espaços.”
Julho das Pretas, representação política e violência contra mulheres negras
Para Roberta Moura, o Julho das Pretas é mais do que uma data comemorativa. É um período para reafirmar a presença política das mulheres negras e evidenciar uma trajetória marcada por resistência. “É um dia em que as mulheres negras são lembradas não como aquelas que amamentaram os filhos dos outros ou que limpam a casa dos outros, mas como mulheres politicamente ativas, que fazem política, estudam, criam, ocupam espaços e lutam pelos seus direitos.”
Ela lembra que a data também evidencia conquistas recentes, mas ainda insuficientes. “Em 193 anos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, é a primeira vez que temos duas deputadas estaduais negras. São 11 deputadas, mas apenas duas são mulheres negras. Isso é histórico e mostra o quanto ainda precisamos avançar.”
Segundo Moura, a maioria das mulheres negras que alcança espaços de poder enfrenta violência política. “É uma forma de tentar calar quem incomoda. A Marielle Franco é o maior exemplo disso. Foi assassinada por fazer política dentro da sua comunidade. Também tivemos mães de santo e lideranças comunitárias executadas. Quando não conseguem nos silenciar de outra forma, tentam nos eliminar. Esse é o pacto da branquitude funcionando.”

Ela relaciona essa realidade ao racismo estrutural presente no Rio Grande do Sul. “Muita gente fala que aqui não tem negros. Mas a história mostra exatamente o contrário. Charqueadas foi construída com mãos negras. Porto Alegre foi construída com mãos negras. Só que essa memória foi apagada.”
Moura cita lugares históricos da Capital que tiveram seus significados alterados ao longo do tempo. “A atual Praça da Alfândega era o Largo da Quitanda, onde mulheres negras vendiam seus quitutes. A Praça do Tambor era o Largo da Forca, onde nosso povo era executado. Na região da Usina do Gasômetro chegavam os navios com pessoas escravizadas. A gente passa por esses lugares todos os dias sem conhecer essa história.”
Para a artista conhecer essa história é fundamental para fortalecer o sentimento de pertencimento. Ela conta que, ao pesquisar a história do samba e dos territórios negros, encontrou novas conexões com a cidade. “Eu fui estudar agora o terreiro, fui estudar algumas partes do Rio Grande do Sul, porque nós fazemos a Rota do Samba, que a gente está desenvolvendo, que é uma política pública que está sendo agora implementada.”
Nesse processo, ela destaca também a importância de reconhecer o trabalho negro na construção da cidade, que passou a pesquisar mais profundamente a memória negra da cidade por meio do projeto Rota do Samba. “Descobri, por exemplo, que o Viaduto da Borges separava o Alto da Bronze da Cidade Baixa. As mulheres negras subiam aquele morrinho todos os dias para trabalhar. Foi um espaço erguido por trabalhadores negros.”
Segundo ela, conhecer essa história também é uma forma de resistência. “Quando ocupamos esses espaços culturalmente, estamos retomando uma memória que tentaram apagar. A cultura também faz esse papel.”
Ser mulher negra é viver em constante luta, mas também com orgulho da nossa história”
Ao refletir sobre o significado de ser uma mulher negra, Roberta Moura afirma que o racismo atravessa o cotidiano em situações muitas vezes naturalizadas. “Eu digo que não tem um dia em que eu não sofra racismo. É o microrracismo diário. É entrar na Assembleia Legislativa, onde eu trabalho, e perguntarem para mim onde fica determinado lugar, como se eu não pertencesse àquele espaço. É entrar no supermercado e perceber o segurança desconfiando quando eu me aproximo de determinados corredores. São situações que acontecem o tempo todo.”
Ela afirma que, com o passar dos anos, aprendeu a reconhecer seu lugar de fala e a não aceitar mais determinadas violências. “Hoje eu consigo me exaltar enquanto mulher negra porque reconheço o meu lugar. Não permito que muitas coisas aconteçam.”
Segundo Moura, o racismo se soma ao machismo e impõe desafios permanentes às mulheres negras. “Quando tu és mulher, já enfrenta o machismo. Quando és uma mulher negra, enfrenta o machismo e o racismo ao mesmo tempo. A gente está sempre precisando provar que é capaz, que estudou, que merece estar ali.”
Ela lembra um ensinamento da mãe que a acompanha até hoje. “Minha mãe sempre dizia: ‘Minha filha, estuda. Isso ninguém tira de ti’. E eu respondo que a cor da minha pele também ninguém tira. Só que ela chega antes do meu diploma.”
Como assessora parlamentar, afirma que percebe diariamente como o racismo atravessa a trajetória de mulheres negras que ocupam espaços institucionais. “O racismo continua atravessando as nossas vidas, mesmo quando chegamos a cargos importantes. Atravessa a política, atravessa o samba, atravessa todos os espaços.”
Apesar disso, ela enxerga avanços construídos pela mobilização do movimento negro. “Hoje nós conseguimos discutir políticas públicas, ocupar as cozinhas solidárias, produzir cultura, cantar, fazer política, alimentar o nosso povo. Estamos ocupando espaços que antes nos eram negados.”
Para Moura, o Julho das Pretas também fortalece o sentimento de pertencimento. “É um momento para levantar a nossa autoestima, se abraçar, se acolher, falar dos nossos problemas, nossas lutas, nossas vitórias. A gente marcha junto.”
Na trajetória pessoal, ela conta que essa busca também apareceu na formação acadêmica. “Quando entrei na faculdade de Psicologia procurei uma psicóloga negra. Minha professora dizia que todo mundo precisava fazer terapia, mas eu queria alguém que entendesse as minhas vivências enquanto mulher negra. “Hoje o meu psicólogo é um homem negro e eu fiz questão que fosse uma pessoa negra para me atender, porque senão ele não ia conseguir entender quais são as minhas queixas dentro da terapia.”
Ela encerra reafirmando que a luta diária não elimina o orgulho de ser quem é. “Ser mulher negra é viver em constante vigilância, em constante luta, mas também com um sorriso no rosto, exaltando a nossa cultura.”
Ao final da entrevista, emocionada, canta um trecho da música “Pra Matar Preconceito”, do grupo Canção de Arruda: “Sou Zezé, sou Leci, Mercedes Baptista, Edinanci. Aída, Ciata, Quelé, Mãe Beata e Aracy. Pele preta nessa terra. É bandeira de guerra porque vi. Conceição, Dandara. Pra matar preconceito, eu renasci.”
