CLIMA EXTREMO

Rios têm tendência de queda mas seguem em inundação no RS sob alerta de chuva intensa

Cheias mantêm 488 pessoas em abrigos; MetSul projeta acumulados acima de 200 mm no estado

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Cheia do rio Uruguai alaga áreas de Itaqui, onde o nível chegou a 8,95 metros nesta segunda-feira (27)
Cheia do rio Uruguai alaga áreas de Itaqui, onde o nível chegou a 8,95 metros nesta segunda-feira (27) | Crédito: Juliano Romero Cabral/Prefeitura de Itaqui

Cinco cidades do Rio Grande do Sul permaneciam com rios em situação de inundação no fim da manhã desta segunda-feira (27), enquanto 488 pessoas continuavam desabrigadas em consequência das cheias. O estado ainda enfrenta os efeitos da chuva da última semana e deve receber dois novos episódios de instabilidade nos próximos dias.

O balanço da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), atualizado às 12h, apontava oito abrigos ativos em sete municípios. A maior concentração estava no Vale do Taquari: 321 pessoas acolhidas em Lajeado, 100 em Encantado e 26 em Estrela.

Além das 488 pessoas desabrigadas, o levantamento mais recente da Defesa Civil, divulgado no domingo (26), contabilizava 754 desalojadas, hospedadas em casas de parentes, amigos ou outros locais. Com isso, mais de 1,2 mil pessoas permaneciam fora de casa. O órgão ainda não havia atualizado nesta segunda o número de desalojados.

Fora do Vale do Taquari, havia 24 pessoas em abrigos em São Borja, dez em Porto Xavier, cinco em Porto Mauá e duas em São Jerônimo.

Dados consultados às 10h30 na plataforma ClimaRS, do governo etadual, apontavam três rios acima da cota de inundação em cinco cidades: rio Uruguai, em São Borja, Itaqui e Uruguaiana; rio dos Sinos, em São Leopoldo; e rio Jacuí, em Cachoeira do Sul. A Defesa Civil mantém alertas vermelhos, de risco muito alto, para trechos desses cursos d’água.

Desde o início do período de chuva, em 16 de julho, 214 dos 497 municípios gaúchos informaram danos à Defesa Civil.

Uruguai supera cota em três cidades

O quadro mais crítico era registrado no rio Uruguai. Em São Borja, o nível chegava a 11,08 metros, mais de dois metros acima da cota de inundação, fixada em 9 metros. A Defesa Civil emitiu alerta vermelho para o município, válido até as 10h de terça-feira (28).

Em Itaqui, o rio marcava 8,95 metros às 9h15, diante de uma cota de inundação de 8,30 metros. A Defesa Civil municipal contabilizava 33 pessoas desalojadas, 12 casas volantes levadas para áreas mais altas e cinco mudanças de residências fixas. Não havia moradores em abrigo público no município.

Uruguaiana também entrou em inundação, com 8,57 metros, sete centímetros acima da cota. A Defesa Civil estadual mantém alerta vermelho para Itaqui e Uruguaiana até as 9h de terça-feira.

No rio dos Sinos, São Leopoldo registrava 4,53 metros, três centímetros acima da cota de inundação. Já o Jacuí chegava a 9,01 metros em Cachoeira do Sul, um centímetro acima do limite.

Em Porto Alegre, o Guaíba permanecia abaixo das cotas de atenção e inundação. Na manhã desta segunda-feira, o nível era de 1,71 metro no Cais Mauá, 1,21 metro no Gasômetro e 1,48 metro na Ilha da Pintada.

O prognóstico hidrológico da Defesa Civil indica tendência geral de estabilidade ou declínio dos rios, mas alerta que os níveis devem permanecer elevados no baixo Uruguai, entre São Borja e Uruguaiana; no Jacuí, de Dona Francisca ao Delta; e no Sinos, em São Leopoldo.

Com a nova chuva, também há risco de cheias em arroios e pequenos rios, inundações rápidas e alagamentos urbanos. A Defesa Civil aponta possibilidade de inundação nos rios Ibirapuitã, em Alegrete; Santa Maria, em Dom Pedrito e Rosário do Sul; Ibicuí, em Manoel Viana; e Quaraí, no município de mesmo nome.

Chuva ganha força até quarta-feira

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) elevou o nível do alerta para parte do Rio Grande do Sul e publicou um aviso vermelho, de grande perigo, para acumulados de chuva. Válido até as 23h59 de terça-feira (28), o comunicado prevê volumes superiores a 60 mm por hora ou 100 mm por dia, com grande risco de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos.

O aviso abrange áreas do Sudoeste, Centro Ocidental, Noroeste, Sudeste, Centro Oriental, Nordeste e da Região Metropolitana. Outras partes do estado estão sob alertas de perigo ou perigo potencial para tempestades, com rajadas de vento entre 40 e 100 km/h e possibilidade de granizo.

A MetSul Meteorologia projeta dois episódios de instabilidade em poucos dias. O primeiro começou no domingo e deve seguir até quarta-feira. O segundo terá início no fim da semana e ganhará força durante o próximo fim de semana.

Nesta segunda, a chuva avança do Oeste e alcança grande parte do estado, com possibilidade de precipitação moderada a forte, descargas elétricas e temporais isolados. Na terça-feira (28), deve chover em todas as regiões, com risco de volumes elevados em curto período, alagamentos, inundações rápidas e elevação de córregos e arroios.

Na quarta-feira, uma área de baixa pressão associada a uma frente fria reforça a instabilidade. A MetSul alerta para chuva moderada a forte em muitas cidades e pancadas isoladamente torrenciais.

Acumulados podem superar 200 mm

A previsão indica uma trégua parcial na quinta-feira (30), com o retorno do sol entre nuvens. Na sexta-feira (31), o vento norte se intensifica e a chuva volta a pontos do estado, marcando o começo do segundo episódio de instabilidade. O evento deve se tornar mais abrangente e intenso durante o fim de semana.

Os modelos analisados pela MetSul mantêm consenso sobre chuva volumosa entre o fim de julho e o começo de agosto, embora ainda apresentem diferenças sobre a localização dos maiores acumulados. A projeção indica entre 100 e 200 mm em sete dias no Oeste, Centro e Sul, com marcas localmente superiores a 200 mm.

Parte dos modelos estende o risco de chuva volumosa para Porto Alegre, Região Metropolitana, Vales e o trecho mais ao sul do Litoral Norte. A empresa também alerta para temporais nos dois episódios, favorecidos pela presença de ar mais quente.

Editado por: Marcelo Ferreira

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