Guerras

Ataque ucraniano a navio iraniano é ‘ato desesperado’ e pode aproximar Rússia e Irã, avalia especialista

Para Ricardo Leães, ação busca ligar conflito no Leste Europeu ao Oriente Médio, mas pode gerar mais problemas

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky | Crédito: Joe Raedle / Getty Images North America / Getty Images via AFP

O ataque da Ucrânia a um navio iraniano nesta terça-feira (28), próximo da Rússia, indica uma tentativa de juntar seu conflito com a situação do Oriente Médio, avalia o pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“Os Estados Unidos diminuíram o apoio financeiro à Ucrânia após a eleição de Donald Trump. Então, a Europa aumentou a sua contribuição, mas é claro, comprando armamentos dos Estados Unidos. Só que o problema é que a guerra contra o Irã está demonstrando de forma cabal que os Estados Unidos não têm mísseis, munições, armamentos necessários. Então, se já faltam mísseis de ataque, de precisão, e mísseis interceptadores para os EUA na guerra contra o Irã, é óbvio que vão faltar também para vender à Ucrânia”, analisa.

O internacionalista define a ação como “um ato desesperado”. Para Leães, o governo de Volodymyr Zelensky pode até se complicar, com um estreitamento dos laços entre Irã e Rússia.

“Eles [Rússia e Irã] têm, na prática, uma fronteira marítima, porque eles têm uma ligação pelo Mar Cáspio, ou seja, embarcações comerciais e militares podem circular por essa região. O maior risco para Zelensky é que haja um compromisso maior do Irã em defesa dos russos e vice-versa. Não é um bom cenário. É o cenário de um homem que está desesperado por soluções e que imagina que vai encontrar alguma, por meio de alguma ideia mágica, uma saída para um conflito que, no campo de batalha, ele está perdendo”, resume.

Por outro lado, Ricardo Leães lembra que há um esgotamento evidente por parte dos EUA de manter o conflito com o Irã, não apenas pela pressão do mercado de petróleo, mas por questões internas do país.

“O comando do Estado-Maior nos Estados Unidos não quer o retorno dessa guerra. E, mais do que isso, nunca nos esqueçamos: nunca quiseram essa guerra. Um pouco antes de ela começar, o general de mais alta patente do Pentágono vazou para a imprensa a visão do Exército estadunidense de que eles não queriam essa guerra. Para que a situação chegue a esse ponto, é realmente porque eles estavam muito preocupados com essa situação”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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