Às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, organizações ecumênicas e da sociedade civil lançam, nesta quinta-feira (30), em Brasília, a campanha “Boto Fé no Voto”. Com o lema “Eu escolho a verdade”, a iniciativa pretende mobilizar comunidades de fé para enfrentar a disseminação de desinformação durante as eleições de 2026, incentivando o voto consciente e o compartilhamento responsável de informações.
O lançamento acontece em um momento em que a Justiça Eleitoral reforça as medidas para conter conteúdos falsos nas plataformas digitais. Pela primeira vez em uma eleição geral, candidatos, partidos e provedores de internet deverão seguir regras específicas para o uso de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral.
“Sabemos, pela experiência das últimas eleições, que a desinformação não surge apenas às vésperas da votação: ela é construída ao longo de todo o processo eleitoral“, afirma a coordenação da campanha em nota.
Entre as normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para este ano estão a obrigatoriedade de identificar conteúdos produzidos por IA, a proibição do uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas e restrições à circulação desse tipo de material nos dias que antecedem e sucedem a votação.
Para a equipe da campanha, o momento é estratégico porque a circulação de boatos costuma crescer desde a pré-campanha e não apenas às vésperas da votação.
A preocupação também é compartilhada pelos brasileiros. Pesquisa do Instituto DataSenado, divulgada em 2024, mostrou que 81% da população acredita que as fakes news influenciam o resultado das eleições, enquanto 72% afirmam ter visto notícias falsas circulando nas redes sociais. O levantamento também aponta apoio majoritário à adoção de regras mais rígidas para combater a desinformação e proteger a integridade do processo eleitoral.
Os últimos pleitos evidenciaram a circulação intensa de conteúdos falsos sobre urnas eletrônicas, candidaturas, instituições democráticas e decisões da Justiça Eleitoral, principalmente por WhatsApp, Telegram e redes sociais.
Comunidades religiosas
Um dos diferenciais da campanha é direcionar as ações às comunidades de fé. De acordo com a coordenação, igrejas e grupos religiosos ocupam posição estratégica na circulação de informações porque são espaços marcados por relações de confiança entre lideranças e fiéis.
Nos últimos anos, esses ambientes também passaram a ser importantes canais de compartilhamento de conteúdos sobre política e eleições. Por isso, a proposta é estimular uma cultura de checagem de informações sem interferir na autonomia das comunidades religiosas ou orientar votos.
“A campanha não pretende dizer em quem as pessoas devem votar nem interferir na autonomia das comunidades de fé. Nosso objetivo é incentivar uma atitude crítica diante das informações, estimular a checagem dos fatos e fortalecer valores como honestidade, responsabilidade, justiça e cuidado com o próximo”, destaca a organização.
A iniciativa afirma ainda que combater a desinformação não deve ser entendido como uma pauta partidária, mas como condição para que o processo democrático ocorra de forma livre e transparente.
Mobilização nacional
Embora o lançamento aconteça em Brasília, a campanha terá alcance nacional. Ao longo das próximas semanas, serão promovidas rodas de conversa, formações, lives e a produção de materiais educativos, como vídeos, podcasts e cards voltados ao combate à desinformação e à educação midiática.
Igrejas, movimentos sociais, coletivos, educadores, comunicadores e cidadãos poderão aderir à iniciativa compartilhando os conteúdos, promovendo atividades em seus territórios e incentivando a verificação de informações antes do compartilhamento.
“Queremos perceber mudanças na forma como as pessoas se relacionam com a informação, fortalecendo uma cultura de responsabilidade, respeito e compromisso com a verdade”, afirma a equipe organizadora.
O evento será realizado às 19h, na Catedral Anglicana de Brasília, em formato de roda de conversa aberta ao público, com transmissão ao vivo pelas redes sociais das organizações parceiras.
Participam do debate a jornalista e pesquisadora Magali Cunha, editora-geral do Coletivo Bereia; a comunicadora e pastora Luciana Petersen, codiretora do Novas Narrativas Evangélicas; e a jornalista Nilza Valéria, coordenadora executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
Serviço
Data: quinta-feira (30)
Local: Catedral Anglicana de Brasília (EQS 309/310, Asa Sul)
Horário: 19h
Transmissão ao vivo pelos perfis @cesedireitos e @coletivobereia nas redes sociais
Mais informações no site da campanha: www.botofenovoto.org.br
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