O descarrilamento de um trem de manutenção do Metrô-DF na manhã desta terça-feira (28) interrompeu a circulação no trecho entre as estações da Asa Sul, região administrativa do DF, e provocou transtornos para milhares de passageiros. A operação foi parcialmente suspensa, as estações da Área Central até a 114 Sul foram fechadas e os usuários precisaram desembarcar na Estação Asa Sul, seguindo viagem por ônibus.
O episódio reacendeu críticas sobre as condições de manutenção e investimento no sistema metroviário do Distrito Federal. O presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do DF (CLDF), deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), afirmou que o acidente reforça os alertas feitos pela comissão desde 2023.
Há cerca de dois meses, em 29 de maio, a CTMU realizou uma vistoria técnica no pátio de manutenção do Metrô-DF, em Águas Claras. O relatório da inspeção, divulgado em 25 de junho, apontou um cenário de deterioração da operação, com redução da frota disponível, dificuldades de manutenção, falta de peças de reposição e necessidade de modernização do sistema.
“Seis trens estão completamente fora de operação porque hoje são utilizados exclusivamente como fonte de peças para as composições que estão rodando. O descarrilamento registrado hoje é extremamente grave e reforça os alertas que a Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana tem feito, inclusive sobre a possibilidade de incidentes como esse”, afirmou Max Maciel.
Segundo o parlamentar, o sistema vem sofrendo um processo contínuo de sucateamento. “É um processo de sucateamento que não começou agora, mas vem se agravando ano após ano. O sistema está definhando aos poucos, mesmo com todos os alertas que temos feito e com os inúmeros problemas registrados nos últimos anos”, destacou.
Frota reduzida e falta de investimentos
O relatório da CTMU aponta que a frota do Metrô-DF é composta por 32 trens, mas apenas 19 circulam nos horários de pico. Durante a inspeção, a comissão verificou que dez composições estavam fora de operação, sendo seis utilizadas no processo de “canibalização”, prática em que peças são retiradas de trens parados para manter outros em funcionamento, diante da dificuldade de reposição de componentes.
Para Max Maciel, a prioridade do Governo do Distrito Federal deveria ser recuperar a estrutura existente antes de ampliar a rede. “Em vez de discutir apenas a expansão da malha, o GDF deveria estar concentrado em recuperar o sistema que já existe. É preciso comprar novos trens, modernizar a matriz energética, recompor o quadro de servidores e garantir investimentos permanentes na manutenção. Sem isso, os problemas tendem a se tornar cada vez mais graves e frequentes”, afirmou.
O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) também criticou a situação do sistema e relacionou o descarrilamento à política de investimentos do governo distrital. “Esse é o resultado do sucateamento e da falta de investimento promovidos pelo governo Celina/Ibaneis, que virou as costas para a população e abandonou serviços essenciais para a mobilidade urbana”, afirmou o parlamentar em uma publicação nas redes sociais.
O outro lado
Em nota ao Brasil de Fato DF, o Metrô-DF informou que o trem que sofreu o descarrilamento foi recolhido e encaminhado para avaliação das equipes de manutenção, que irão identificar as causas do problema. Segundo a companhia, o incidente ocorreu durante os preparativos para o início da operação comercial, quando “houve o descarrilamento do primeiro rodeiro do carro líder do trem 32 sobre o Aparelho de Mudança de Vias (AMV), entre as estações 110 Sul e 112 Sul”.
O Metrô informou que as equipes realizaram a inspeção dos trilhos, restabeleceram a energização da via e retomaram a circulação no trecho entre as estações Asa Sul e Central, nos dois sentidos, às 13h50. A companhia acrescentou que, por protocolo de segurança, os trens circularão com velocidade reduzida, de 20 km/h, entre as estações 110 Sul e 112 Sul até o fim da operação desta terça. No restante da linha, a circulação ocorre em velocidade normal.
O Brasil de Fato DF também procurou a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) para saber quais medidas foram adotadas para minimizar os impactos da interrupção do serviço e se há previsão de outras ações, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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