O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, não comparecerá ao depoimento para o qual havia sido convocado. Ele apresentou sua defesa por escrito no procedimento que apura declarações feitas por ele sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A intimação foi motivada por uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais. A investigação busca apurar se o conteúdo divulgado pelo parlamentar extrapola os limites da liberdade de expressão ao disseminar desinformação e atribuir, sem provas, fatos ao chefe do Executivo.
Na postagem, compartilhada no dia do sequestro de Nicolás Maduro pelas forças armadas estadunidenses, Flávio afirmou que Lula seria “delatado” e listou crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral. O post inclui ainda duas notícias, sobre a prisão do presidente venezuelano e sobre uma reunião de urgência no Itamaraty para tratar do tema.
A mudança de estratégia foi confirmada pela defesa do parlamentar, que afirma que as declarações foram interpretadas de forma equivocada e não justificam a necessidade de um depoimento presencial. Em nota, os advogados sustentam que a postagem consistia em “duas notícias verdadeiras, seguidas de dois comentários separados e independentes entre si”. Segundo a defesa, “o primeiro era apenas uma previsão sobre algo que poderia ocorrer no futuro, sem atribuir ao presidente da República nenhum fato concreto”.
Ainda de acordo com a nota, a segunda declaração fazia referência a Nicolás Maduro e “apenas repetia as acusações que a Justiça dos Estados Unidos lhe imputa formalmente”. Para os advogados, as manifestações não atribuem qualquer crime ou fato específico a Lula e, por isso, os esclarecimentos por escrito seriam suficientes para responder aos questionamentos das autoridades.
