Familiares das vítimas dos governos de Alberto Fujimori e Dina Boluarte, juntamente com diversas organizações sociais, políticas e culturais, realizaram uma manifestação simbólica de lavagem de bandeiras em frente ao Palácio da Justiça, em Lima.
Essa prática consiste em submergir e esfregar o símbolo nacional com água e sabão em espaços públicos, uma ação criada para representar pedagogicamente a demanda por transparência e o combate à corrupção, à impunidade e ao abuso do poder institucional.
Os protestos condenam a instalação do novo Executivo, liderado por Keiko Fujimori, afirmando que o retorno do Fujimorismo evoca crimes contra a humanidade, desaparecimentos forçados e violações dos direitos humanos cometidos durante a ditadura dos anos 1990.
A posse ocorreu em meio a alegações de fraude feitas pelo ex-candidato Roberto Sánchez, após um processo eleitoral contestado, decidido por uma margem apertada de apenas 40 mil votos.
Apesar da rejeição popular nas ruas e da profunda desconfiança em relação ao bloco fujimorista por aprovar leis contrárias aos interesses da maioria, Fujimori assumiu o cargo no Congresso antes de receber delegações internacionais no Palácio do Governo.

O movimento antifujimorista e os grupos de direitos humanos reafirmaram sua rejeição ativa à posse presidencial de Keiko Fujimori nesta terça-feira (28), que busca legitimar o governo do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a humanidade e corrupção.
Organizações sociais consideram a posse ilegítima e alertam para o risco de um período marcado pelo autoritarismo, impunidade e retrocessos na busca por justiça para crimes de Estado.
Representantes dos afetados apontaram a inconsistência dos apelos do fujimorismo à reconciliação, ao mesmo tempo que denunciaram as iniciativas legislativas promovidas para conceder anistia a militares e policiais envolvidos em graves violações dos direitos humanos.
A Coordenação Nacional de Direitos Humanos do Peru (CNDDHH) emitiu um comunicado também nesta terça-feira rejeitando a ascensão de Keiko Fujimori à Presidência, afirmando que seu governo não representa uma nova etapa política, mas sim a consolidação de um projeto autoritário que mina as instituições, restringe o espaço cívico e promove a impunidade no país.
A organização social enfatizou que a memória histórica constitui uma barreira intransponível contra o autoritarismo e que o esquecimento não será aceito como substituto da verdade. O grupo denunciou a persistente criminalização dos protestos, o uso desproporcional da força pelas autoridades policiais e a negligência do Estado em relação às populações vulneráveis, exemplificada pelos abusos sexuais sofridos por centenas de meninas Awajún.
Diante dessa situação, a CNDDHH fez um apelo urgente aos cidadãos, organizações sociais e povos indígenas para que mantenham a unidade, a organização e a mobilização nas ruas a fim de exigir a verdade, a justiça, a reparação e garantias de que a tragédia não se repetirá.
