No Peru

Movimentos populares rechaçam posse de Keiko Fujimori

Protestos recordam e denunciam as violações dos direitos humanos conduzidas por Alberto Fujimori, pai da nova presidenta

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Parentes de vítimas de crimes supostamente cometidos pelo Estado peruano lavam bandeiras nacionais durante protesto do lado de fora do Palácio da Justiça, em Lima, em 28 de julho de 2025.
Parentes de vítimas de crimes supostamente cometidos pelo Estado peruano lavam bandeiras nacionais durante protesto do lado de fora do Palácio da Justiça, em Lima, em 28 de julho de 2025. | Crédito: Anthony Nino de Guzman / AFP

Familiares das vítimas dos governos de Alberto Fujimori e Dina Boluarte, juntamente com diversas organizações sociais, políticas e culturais, realizaram uma manifestação simbólica de lavagem de bandeiras em frente ao Palácio da Justiça, em Lima.

Essa prática consiste em submergir e esfregar o símbolo nacional com água e sabão em espaços públicos, uma ação criada para representar pedagogicamente a demanda por transparência e o combate à corrupção, à impunidade e ao abuso do poder institucional.

Os protestos condenam a instalação do novo Executivo, liderado por Keiko Fujimori, afirmando que o retorno do Fujimorismo evoca crimes contra a humanidade, desaparecimentos forçados e violações dos direitos humanos cometidos durante a ditadura dos anos 1990.

A posse ocorreu em meio a alegações de fraude feitas pelo ex-candidato Roberto Sánchez, após um processo eleitoral contestado, decidido por uma margem apertada de apenas 40 mil votos.

Apesar da rejeição popular nas ruas e da profunda desconfiança em relação ao bloco fujimorista por aprovar leis contrárias aos interesses da maioria, Fujimori assumiu o cargo no Congresso antes de receber delegações internacionais no Palácio do Governo.

Parentes de vítimas de crimes supostamente cometidos pelo Estado peruano lavam bandeiras nacionais durante protesto do lado de fora do Palácio da Justiça, em Lima. 28/07/2026 | Crédito: Anthony Nino de Guzman / AFP

O movimento antifujimorista e os grupos de direitos humanos reafirmaram sua rejeição ativa à posse presidencial de Keiko Fujimori nesta terça-feira (28), que busca legitimar o governo do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a humanidade e corrupção.

Organizações sociais consideram a posse ilegítima e alertam para o risco de um período marcado pelo autoritarismo, impunidade e retrocessos na busca por justiça para crimes de Estado.

Representantes dos afetados apontaram a inconsistência dos apelos do fujimorismo à reconciliação, ao mesmo tempo que denunciaram as iniciativas legislativas promovidas para conceder anistia a militares e policiais envolvidos em graves violações dos direitos humanos.

A Coordenação Nacional de Direitos Humanos do Peru (CNDDHH) emitiu um comunicado também nesta terça-feira rejeitando a ascensão de Keiko Fujimori à Presidência, afirmando que seu governo não representa uma nova etapa política, mas sim a consolidação de um projeto autoritário que mina as instituições, restringe o espaço cívico e promove a impunidade no país.

A organização social enfatizou que a memória histórica constitui uma barreira intransponível contra o autoritarismo e que o esquecimento não será aceito como substituto da verdade. O grupo denunciou a persistente criminalização dos protestos, o uso desproporcional da força pelas autoridades policiais e a negligência do Estado em relação às populações vulneráveis, exemplificada pelos abusos sexuais sofridos por centenas de meninas Awajún.

Diante dessa situação, a CNDDHH fez um apelo urgente aos cidadãos, organizações sociais e povos indígenas para que mantenham a unidade, a organização e a mobilização nas ruas a fim de exigir a verdade, a justiça, a reparação e garantias de que a tragédia não se repetirá.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: TeleSur

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