Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão, na madrugada desta terça-feira (28) pelo horário de Brasília, provocando desabamentos que deixaram ao menos uma pessoa morta e dezenas de feridos e desaparecidos sob os escombros, segundo a imprensa japonesa. O tremor também causou interrupções no fornecimento de energia, danos em estradas e pontes e mobilizou equipes de resgate em diferentes cidades.
Segundo a agência de notícias Kyodo, uma pessoa morreu após o desabamento de um imóvel. Já a emissora pública NHK informou que pelo menos 50 pessoas foram encaminhadas a hospitais e que 12 edifícios desabaram em decorrência do terremoto. A emissora TBS afirmou que há um “número considerável” de mortos, mas a informação ainda não havia sido confirmada pelas autoridades locais até a publicação desta reportagem.
Uma das situações mais críticas foi registrada em um shopping center na cidade de Kashima, na província de Kumamoto, onde parte da estrutura desabou. De acordo com os serviços de emergência, muitas pessoas permaneciam presas sob os escombros. A NHK informou que entre 20 e 30 funcionários do centro comercial ainda estavam desaparecidos, além de trabalhadores de uma fábrica de papel atingida pelo tremor.
O terremoto ocorreu às 16h27 no horário local (4h27 em Brasília) e atingiu o nível máximo da escala japonesa de intensidade sísmica, conhecida como Shindo, que mede os efeitos dos tremores na superfície. A Agência Meteorológica do Japão (JMA) chegou a emitir um alerta de tsunami logo após o terremoto, mas o aviso foi cancelado pouco tempo depois.
Imagens exibidas pela televisão japonesa mostram pontes parcialmente destruídas, edifícios reduzidos a escombros e vagões de trem de carga tombados. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o governo ainda avalia a dimensão dos danos.
“Há cortes de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e prédios desabaram”, declarou.
Moradores relataram momentos de pânico durante o terremoto. À AFP, a recrutadora Chiharu Hara contou que estava em viagem de trabalho na província de Kumamoto quando o prédio em que se encontrava começou a balançar intensamente.
“O tremor foi muito forte e durou muito tempo. Fiquei apavorada. Tive medo de que o prédio desabasse. Todos entraram em pânico”, disse.
Um funcionário da NHK que estava em Kumamoto relatou que a intensidade do tremor chegou a impedi-lo de permanecer em pé e afirmou que os abalos secundários continuavam enquanto falava com a emissora.
Cerca de 45 mil residências e instalações ficaram sem energia elétrica na província de Kumamoto, segundo a concessionária Kyushu Electric Power. A empresa informou que os três reatores nucleares da região permanecem operando normalmente.
A província de Kumamoto já havia sido palco de uma das maiores tragédias sísmicas recentes do Japão. Em abril de 2016, dois terremotos de magnitudes 6,5 e 7,3 atingiram a região em um intervalo de dois dias, deixando 273 mortos e mais de 2,8 mil feridos.
Localizado sobre o encontro de quatro grandes placas tectônicas, ao longo do chamado Círculo de Fogo do Pacífico, o Japão está entre os países mais suscetíveis a terremotos no mundo. O arquipélago registra centenas de tremores todos os anos e concentra cerca de 18% da atividade sísmica mundial.
