Milhares de venezuelanos se reuniram nesta terça-feira (28) no histórico bairro 23 de Enero, em Caracas (Venezuela), para celebrar os 72 anos de nascimento do ex-presidente Hugo Chávez, que faleceu em 2013. O evento foi marcado por discursos que reforçaram a importância do pensamento chavista diante do atual cenário de intervenções estrangeiras no país.
Um dos nomes fortes do chavismo, o ex-ministro do Interior e Justiça, ex-prefeito de Caracas e atual governador do estado de Táchira, Freddy Bernal, aproveitou o ato para convocar a base revolucionária à resistência contra a ingerência externa.
“Quem disse que o chavismo tinha acabado? Quem disse que Bolívar estava enterrado? Quem disse que Chávez tinha acabado? Pelo contrário, Chávez nos ensinou a crescer nas dificuldades. É não nos rendermos, não nos confundirmos e não deixar que continuem pisoteando a dignidade da pátria”, disse Bernal.
“Jamais podemos esquecer do bombardeio de 3 de janeiro”, seguiu. “Em 3 de janeiro fomos bombardeados criminosamente por uma potência estrangeira e nós não estamos em guerra com ninguém. Significa que foi um bombardeio covarde, um bombardeio traiçoeiro, e ninguém pode esquecer esse dia nefasto para a pátria. Nesse dia sequestram o presidente Nicolás Maduro. Nesse dia sequestram Miraflores, violando todo o ordenamento internacional. Esse dia pisotearam o sistema das Nações Unidas, esse dia pisotearam o direito nacional e internacional, e não podemos esquecer”, afirmou.
O ex-ministro de Chávez reconheceu os esforços do governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, para “negociar com os sequestradores”. No entanto, denunciou a escalada de ingerências do governo estadunidense no país.
“A verdade é que a Venezuela continua sob um bloqueio econômico criminoso. E daqui levantamos a bandeira que viemos levantando. Que cessem as sanções unilaterais contra a Venezuela, cessem o bloqueio criminoso contra a Venezuela. E, no meio disso, não basta o 3 de janeiro; continuam nos ameaçando permanentemente porque têm navios, aviões, mísseis e drones. Já diziam antes, mas não nos desgastemos no que diga o império, porque eles são um império. Não caiamos em provocações no que dizem cada dia, porque querem pisotear nossa dignidade. Querem pisotear a essência do que somos, querem que fiquemos tristes”, apontou.
No coração do povo
Durante o ato, lideranças comunitárias e militantes destacaram a humildade e o amor à pátria como os principais ensinamentos deixados pelo comandante. Luis Izturiz, vereador do município Libertador Caracas, ressaltou o resgate da história e formação de consciências como principais legados de Hugo Chávez.
“O comandante Chávez deixou a humildade. A humildade entre este povo, entre o povo comum, entre as bases e, principalmente, nos trouxe a história de Bolívar, trouxe a história de Zamora, trouxe a história de uma Venezuela que não era conhecida pelas pessoas comuns, pelas bases, pelos pobres”, destacou.
“A batalha não é pela força nem pela violência. A batalha é de ideias. Eles com seu capitalismo e nós com o socialismo, com o povo, com os pobres, que é a essência desta revolução, a essência do socialismo. Eles lá com seu capitalismo, nós aqui com a ideia. Por isso Chávez trouxe a história”, opinou Izturiz.

Mariela Machado é militante do movimento de moradia e reconhece que o processo revolucionário passa por um de seus momentos mais difíceis. Por outro lado, acredita estar justamente no legado de Chávez as respostas para seguir avançando, apesar de tudo.
“O legado do comandante tem sido para nós o elemento fundamental para resistir a esta luta à qual nos submeteu o imperialismo. Hoje aqui estamos sem desfalecer. Não vamos desfalecer. Como disse aquele negro Martin Luther King, se não podemos voar, caminhamos. Se não podemos caminhar, corremos. Se não podemos correr, engatinhamos. Mas nunca vamos desfalecer pelo ideal de construir uma pátria livre, soberana, humana e que seja uma projeção para o mundo inteiro. Não estamos de joelhos, estamos intervencionados por uma força desumana, capitalista, selvagem, que o que interessa é nossa riqueza”, atestou Machado.
Antonela Frías leva o sobrenome de Chávez. Ela tinha apenas 4 anos quando o líder venezuelano faleceu. “Eu sempre escuto o comandante, vejo seus vídeos e daí aprendo”, comenta a jovem moradora da Comuna Socialista Simón Bolívar.
“Eu tenho 17 anos”, diz Antonela, mostrando a camisa com os olhos de Hugo Chávez. “Quando saiu esta camisa, eu tinha três anos e hoje estou vestindo-a como símbolo de meu amor por ele, pelo meu amor pela pátria, porque esse foi o legado que ele nos deixou. Ele nos ensinou a amar a pátria como nossa vida mesma”, diz a jovem.
Trajetória de um líder popular
Hugo Rafael Chávez Frías nasceu em 28 de julho de 1954 em Sabaneta, no estado de Barinas. Filho de dois professores de educação primária, ele seguiu carreira militar e se tornou tenente-coronel paraquedista. Em 4 de fevereiro de 1992, liderou uma rebelião civil-militar contra as políticas neoliberais da época, o que o projetou como a principal figura política da Venezuela.
Ele foi eleito presidente pela primeira vez em 6 de dezembro de 1998. Ao assumir o cargo em 1999, impulsionou a criação de uma nova Constituição e fundou a República Bolivariana da Venezuela, baseada na democracia participativa. Seu governo foi caracterizado pelas “misiones”, programas sociais que ampliaram o acesso à saúde e educação, e pela defesa do socialismo no século 21. Chávez faleceu em 5 de março de 2013, após uma longa batalha contra o câncer.
