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China acusa EUA de protecionismo após banimento de robôs humanoides e promete resposta

China tem mais de 80% do mercado de humanoides; Agibot e Unitree venderam mais que Tesla e Figure AI juntas em 2025

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Robôs fazem a dança tradicional Yingge no polo robótico do distrito de Longgang, na cidade de Shenzhen, província de Guangdong, em 25 de junho de 2026.
Robôs fazem a dança tradicional Yingge no polo robótico do distrito de Longgang, na cidade de Shenzhen | Crédito: Liang Xu/Xinhua via AFP

A China prometeu tomar “as medidas necessárias” para defender os interesses de suas empresas e acusou Washington de protecionismo um dia após os Estados Unidos proibirem a importação de robôs humanoides, quadrúpedes e inversores de potência de fabricação estrangeira.

“A China se opõe de forma consistente e firme à prática dos EUA de expandir excessivamente o conceito de segurança nacional para combater empresas chinesas. O protecionismo não vai aumentar a competitividade dos EUA; só vai prejudicar os interesses das empresas e dos consumidores estadunidenses”, disse, nesta quarta-feira (29), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, em coletiva em Pequim.

A proibição foi anunciada na terça-feira (28) pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA (CFC), órgão regulador de telecomunicações. O presidente da CFC, Brendan Carr, afirmou, segundo a AP, que o objetivo é “proteger as cadeias de abastecimento críticas” estadunidenses, alegando riscos de cibersegurança associados a robôs avançados de fabricação estrangeira. O veto cobre modelos novos.

A China domina o setor robótico, respondendo por mais de 80% dos robôs humanoides em operação no mundo, segundo a consultoria Counterpoint Research, e por cerca de 70% das vendas mundiais de robôs quadrúpedes, conforme dados do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (Miti) do país.

Das cerca de 13 mil unidades de humanoides comercializadas no mundo em 2025, a Agibot despachou mais de 5.100, segundo a Omdia, e a Unitree mais de 5.500, segundo comunicado da própria empresa em janeiro de 2026. As estadunidenses Tesla e Figure AI venderam algumas centenas ou menos no mesmo período, também segundo a Omdia. O banco Morgan Stanley projeta que o mercado chinês do setor pode atingir US$ 15 bilhões (R$ 76,8 bi) até 2030.

Robôs quadrúpedes, também incluídos no banimento, são máquinas utilizadas em inspeção industrial, operações de resgate e vigilância. Já os inversores de potência convertem corrente contínua em corrente alternada e são componentes centrais em sistemas de energia solar, data centers e eletrodomésticos. A China é o principal fornecedor internacional de ambos os produtos.

Restrições a parcerias

A proibição pode atingir também parcerias entre empresas dos dois países. Em junho, a Nvidia revelou um design de referência para robô humanoide baseado no chassi da Unitree. Com a proibição de importações, colaborações desse tipo ficam sujeitas a restrições. O Pentágono incluiu a Unitree em uma lista de empresas que afirma terem vínculos com os militares chineses; Pequim, por sua vez, rejeitou a acusação.

A Unitree foi citada nesta mesma quarta-feira pela Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China (Anpi) como exemplo de empresa cujas patentes para robôs humanoides passaram pelo sistema de pré-análise dos centros nacionais de proteção à propriedade intelectual, mecanismo criado para agilizar o registro em setores estratégicos.

A medida ocorre a pouco tempo da possível visita de Xi Jinping aos EUA, prevista para setembro.

Os robôs se somam a uma lista de banimentos cada vez maior dos EUA ao setor tecnológico chinês: importações de drones da DJI já foram proibidas e o governo estuda controles sobre o uso de modelos de inteligência artificial de código aberto desenvolvidos na China, além das restrições de exportações de chips para a China.

Editado por: Rafaella Coury

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