CLIMA EXTREMO

Chuvas causam danos em 85 cidades e deixam rios sob risco muito alto no RS

Defesa Civil orienta evacuação no Vale do Taquari; Guaíba pode chegar a 2,5 metros entre quinta (30) e sexta-feira (31)

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Itaqui registrou o maior acumulado de chuva do período, com 151,6 mm em 12 horas, e teve 44 residências destelhadas pelo temporal
Itaqui registrou o maior acumulado de chuva do período, com 151,6 mm em 12 horas, e teve 44 residências destelhadas pelo temporal | Crédito: Prefeitura de Itaqui

Os temporais e as chuvas dos últimos dias já causaram danos em 85 municípios do Rio Grande do Sul, segundo informações da Defesa Civil estadual. Diferentes rios estão em cota de inundação ou sob alertas de risco muito alto e, no Vale do Taquari, o órgão orientou a evacuação de áreas inundáveis entre Lajeado e Cruzeiro do Sul.

Também estão em situação crítica trechos dos rios Uruguai, Gravataí, Sinos, Jacuí e Caí. Em Porto Alegre, o Guaíba entrou em nível de atenção e pode alcançar 2,5 metros nos próximos dias, com risco de alagamentos nas ilhas.

O balanço estadual contabiliza cinco feridos e 149 desalojados. O número de pessoas acolhidas em abrigos quase dobrou ao longo da tarde, passando de 395 para 779, conforme atualização realizada às 16h12 desta quarta-feira (29) pela Secretaria de Desenvolvimento Social.

Lajeado concentrava 373 pessoas abrigadas, seguido por Estrela, com 83; Encantado, com 72; São Sebastião do Caí, com 60; Parobé, com 59; e Taquara, com 52. Ao todo, 14 abrigos estavam ativos em 11 municípios.

Entre os desalojados, os maiores números foram registrados em Parobé, com 50 pessoas; Não-Me-Toque, com 30; Cachoeira do Sul, com 24; Alvorada, com 11; e Tuparendi, com oito. O relatório da Defesa Civil registra dois feridos em Santo Antônio das Missões, dois em Sete de Setembro e um em Osório.

Granizo, vento e chuva deixam centenas de casas danificadas

Ijuí está entre os municípios atingidos pelo temporal entre o final da tarde e a noite de terça-feira (28). Conforme a Defesa Civil, ao menos 75 casas foram danificadas pelo granizo. O município acumulou 93,8 mm de chuva em 12 horas, dos quais 68,4 mm caíram em um intervalo de seis horas.

O maior volume registrado no período ocorreu em Itaqui, com 151,6 mm em 12 horas. Bossoroca acumulou 99,2 mm. Itaqui também registrou a rajada mais intensa, de 89,3 km/h. No município, 44 residências foram destelhadas. Em Quaraí, os ventos chegaram a 80,5 km/h e, em Santo Ângelo, a 74,5 km/h.

Em Santo Antônio das Missões, cerca de 400 residências foram danificadas pelo granizo. Osório contabilizou aproximadamente 350 casas parcialmente atingidas, além de estragos em estradas, prédios e na rede elétrica. Não-Me-Toque teve cerca de 200 residências afetadas e 30 pessoas desalojadas.

O levantamento preliminar de Ubiretama indica que 80% das casas do município sofreram danos. Em Tupanciretã, cerca de 70 residências foram destelhadas ou alagadas. Também houve danos em 30 casas em Erval Seco, outras 30 em Redentora e 30 em Lagoa dos Três Cantos.

A Defesa Civil confirmou ainda a ocorrência de um tornado no interior de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. O fenômeno deixou pessoas feridas e provocou a destruição de residências, além de danos em estruturas públicas e propriedades rurais da Região Noroeste.

Senador Salgado Filho foi uma das cidades atingidas pelo tornado no noroeste do RS
Senador Salgado Filho foi uma das cidades atingidas pelo tornado no noroeste do RS | Crédito: Defesa Civil Senador Salgado Filho

As chuvas também interromperam estradas e travessias. Em Cachoeira do Sul, a elevação do rio Jacuí isolou comunidades e provocou bloqueios. Em Santa Maria, famílias foram retiradas de áreas atingidas pelo Vacacaí-Mirim. Uma ponte entre Salto do Jacuí e Estrela Velha foi destruída, enquanto outra ficou submersa em São Sepé.

Na ERS-129, a ponte sobre o rio Guaporé, entre Encantado e Muçum, foi totalmente bloqueada. A interdição por tempo indeterminado vale para veículos, pedestres e até serviços de saúde e segurança. Segundo o governo estadual, a elevação do rio agravou trincas existentes e provocou novas fissuras na estrutura.

Taquari segue em rápida elevação e Defesa Civil orienta evacuação

O rio Taquari permanecia em cota de inundação em diferentes pontos do Vale. Segundo o painel do ClimaRS, a estação de Estrela marcava 23,70 metros às 14h30 desta quarta-feira, após subir 11 centímetros em uma hora. Em Encantado, o nível chegou a 13,13 metros, com elevação de sete centímetros na última hora.

Em Bom Retiro do Sul, o Taquari atingiu 17,65 metros e avançava 13 centímetros por hora. Muçum estava em alerta de inundação, com 15,10 metros e elevação de 11 centímetros. Na estação de Taquari, o rio registrava 7,90 metros às 13h45, após subir dez centímetros em uma hora.

A Defesa Civil emitiu alerta vermelho de risco muito alto entre Lajeado e Cruzeiro do Sul, válido até o meio-dia de quinta-feira (30), e orientou a evacuação das áreas inundáveis. Outro alerta, válido até as 8h de quinta, abrange o trecho entre Taquari e General Câmara.

Nível do rio Taquari voltou a subir em Lajeado (RS)
Nível do rio Taquari voltou a subir em Lajeado (RS) | Crédito: Prefeitura de Lajeado

O rio Uruguai também permanecia em inundação. Itaqui registrava 9,01 metros às 14h15, com recuo de dois centímetros na última hora. Em Uruguaiana, o nível estava em equilíbrio, com 9,19 metros às 14h30. A Defesa Civil classificou como muito alto o risco entre os dois municípios, com alerta válido até as 9h de quinta-feira.

Na Região Metropolitana, o rio Gravataí chegou a 4,84 metros na estação Passo das Canoas e subia um centímetro por hora. O órgão estadual emitiu alerta vermelho para Gravataí, válido até o meio-dia de quinta-feira. O rio dos Sinos permanecia em inundação em São Leopoldo, mas apresentava nível de equilíbrio em 4,77 metros.

O rio Caí também estava em inundação em Montenegro. A estação Passo Montenegro registrava 6,46 metros às 14h15, com elevação de sete centímetros na última hora. Mais acima, em Nova Palmira, o rio havia recuado para 4,30 metros e estava em alerta de inundação.

No Jacuí, Dona Francisca registrava 9,02 metros e uma subida de um centímetro por hora. Em Cachoeira do Sul, a estação Passo São Lourenço estava em alerta de inundação, com 8,58 metros e recuo de um centímetro na última hora.

Guaíba pode chegar a 2,5 metros e alagar pontos das ilhas

O Guaíba estava em atenção para inundação no Cais Mauá, em Porto Alegre. A estação do ClimaRS marcava 1,99 metro às 14h desta quarta-feira, após uma elevação de um centímetro na última hora.

A MetSul projeta uma cheia de maior proporção que a registrada na semana passada, provocada pela chegada da água dos rios Taquari, Jacuí, Caí, Sinos e Gravataí. A previsão indica que o nível pode alcançar entre 2,30 e 2,50 metros nas próximas 48 horas, com alta probabilidade de atingir a cota de alerta de 2,50 metros.

Segundo a empresa de meteorologia, os dados disponíveis indicam baixa probabilidade de o Guaíba alcançar a cota de inundação de três metros no Cais Mauá. O maior risco está nas ilhas de Porto Alegre, onde os primeiros alagamentos costumam ocorrer quando a régua do Cais Central fica entre dois e 2,20 metros.

A projeção aponta possibilidade de alagamentos nos pontos mais baixos do bairro Arquipélago e de retirada de famílias no pico da cheia. O nível deve subir com mais intensidade entre o final desta quarta-feira e sexta-feira (31), à medida que as ondas de vazão dos rios contribuintes chegam à Região Metropolitana.

Chuva perde força, mas risco hidrológico continua

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve avisos vermelho para acumulados de chuva e laranja para tempestades durante a manhã desta quarta-feira. As áreas abrangidas incluíam municípios do centro-norte e do leste do estado, como Erechim, Passo Fundo, Caxias do Sul, Santa Maria, Ijuí e Porto Alegre.

A previsão indica melhora das condições meteorológicas no RS a partir da tarde desta quarta, embora ainda possam ocorrer chuvas isoladas. Na quinta-feira, as precipitações devem ficar mais pontuais, enquanto o tempo firme predomina no Oeste, incluindo Uruguaiana.

Mesmo com a redução da chuva, a Defesa Civil ressalta que os rios podem continuar subindo devido ao deslocamento da água acumulada nas partes altas das bacias. A orientação é evitar áreas inundadas, não atravessar pontes ou estradas cobertas pela água e atender imediatamente a determinações de retirada. Em situações de emergência, os telefones são 190 e 193.

Editado por: Marcelo Ferreira

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