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Confup reafirma Petrobras pública e defende projeto nacional de soberania

Pela construção de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na soberania e na reindustrialização

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400 petroleiros e petroleiras, dos 14 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), se reuniram em Salvador (BA) na semana passada, no 20º Congresso Nacional da FUP
400 petroleiros e petroleiras se reuniram em Salvador (BA) no 20º Congresso Nacional da FUP | Crédito: Luciana Fonseca/Sindipetro NF

Cerca de 400 petroleiros e petroleiras, dos 14 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), se reuniram em Salvador (BA) na semana passada, no 20º Congresso Nacional da FUP (Confup). O encontro, durante cinco dias, colocou no centro do debate a construção de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na soberania, na reindustrialização e no fortalecimento da Petrobras e da classe trabalhadora, sem perder de vista os desafios da transformação do setor energético.

As propostas aprovadas em plenária serão levadas à direção da Petrobras e às campanhas eleitorais do presidente Lula e das candidaturas de parlamentares apoiados pela classe trabalhadora.

Entre as principais deliberações estão a reestatização das unidades estratégicas da Petrobras, que foram privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro, como as refinarias e a distribuição; o fortalecimento do setor de fertilizantes e biodiesel, com a incorporação das subsidiárias à holding; que a estatal lidere a transição energética justa e soberana, com participação dos trabalhadores; que o Estado brasileiro, por meio da Petrobras, garanta a exploração sustentável das novas fronteiras petrolíferas (Margem Equatorial e Bacia de Pelotas), com foco no desenvolvimento socioeconômico das regiões e no compromisso de que as riquezas geradas sejam destinadas a políticas públicas que erradiquem a pobreza energética e beneficiem as comunidades locais.

Em um cenário de reorganização geopolítica e disputa crescente por recursos estratégicos, o 20º Confup ratificou que a energia é elemento essencial para o futuro do país; e que, sem controle estatal e participação popular, o Brasil segue vulnerável às crises internacionais.

Um dos pontos que mobilizou o congresso foi a campanha Reestatiza Brasil, na qual a defesa da soberania nacional passa necessariamente pelo fortalecimento do Sistema Petrobrás. Para marcar essa posição, foram realizados atos na Refinaria de Mataripe (RLAM), antiga refinaria Landulfo Alves, privatizada em 2021, e no Campo de Taquipe, ambos na Bahia. As manifestações denunciaram os efeitos das privatizações dos governos anteriores: desemprego, perda de direitos e prejuízos econômicos e sociais, como o aumento do preço dos combustíveis.

Para a FUP, entregar ativos estratégicos ao capital privado aprofunda desigualdades e retira do Estado instrumentos fundamentais de política econômica e social.

O painel Análise de Conjuntura Nacional e Internacional reuniu importantes nomes do campo progressista: Valter Pomar, dirigente do PT e da Fundação Perseu Abramo; Elias Jabbour, militante do PcdoB, professor da UERJ e ex-diretor do Novo Banco de Desenvolvimento; e Valério Arcary, militante do Psol e professor do IFSP. Os três defenderam que somente um projeto nacional voltado ao desenvolvimento, à soberania e ao fortalecimento da classe trabalhadora poderá enfrentar a crise estrutural do capitalismo, a nova ordem geopolítica e o avanço da extrema direita.

Para eles, o país precisa retomar o planejamento estatal e apostar na reindustrialização. Isso implica recuperar a capacidade do Estado de induzir investimentos, proteger setores estratégicos e garantir que o crescimento se traduza em emprego, renda e direitos.

Outro destaque foi o painel “Energia no Contexto da Guerra”. Lucas Valladares, professor da UFBA e coordenador do Ceppetro/NEC-UFBA, disse que ter uma estatal como a Petrobras é condição necessária, mas não suficiente para a soberania energética. É preciso participação institucional na formulação da política energética e controle social do excedente de produção da Petrobras.

Já Monica Bruckmann, professora da UFRJ, alertou que é necessário deixar de tratar os recursos naturais como commodities. Eles precisam ser a base para industrialização, desenvolvimento, consumo local e autonomia dos países.

Ao final, ficou clara a avaliação da categoria: o Brasil não pode abrir mão de seus recursos naturais em nome de uma lógica de mercado que beneficia poucos. Soberania energética significa empresa pública forte, controle social, industrialização e distribuição da riqueza.

A luta pela Petrobras pública é também a luta por democracia, por direitos e por um modelo de desenvolvimento que coloque o povo brasileiro no centro.

*Cibele Vieira é coordenadora-geral da Federação Única dos Petroleiros (Fup) e a primeira mulher a assumir a presidência da Federação

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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