O governo federal anunciou nesta terça-feira (29) um plano de R$ 1,335 bilhão para preparar o país diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño nos próximos meses. Os recursos serão destinados a ações de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.
Segundo o governo, o planejamento foi elaborado a partir do monitoramento permanente das condições meteorológicas e hidrológicas realizado por órgãos técnicos federais e será coordenado pela Sala de Situação do El Niño, colegiado que reúne 24 ministérios e instituições responsáveis pelo acompanhamento das condições climáticas, gestão de riscos, proteção e defesa civil, segurança hídrica, saúde, abastecimento, energia e prevenção de incêndios.
Do total previsto, R$ 998 milhões serão destinados a medidas de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico. Outros R$ 337 milhões correspondem ao crédito extraordinário aberto pela Medida Provisória nº 1.367/2026 para ações de fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.
Entre as principais iniciativas está a destinação de R$ 850 milhões para a compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para recompor estoques públicos. O plano também prevê R$ 65 milhões para aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares. Outros R$ 13 milhões serão aplicados no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com previsão de atender 21,6 mil agricultores da Região Norte.
Na área da saúde, estão previstos R$ 45 milhões para os Centros de Informação em Saúde e Clima e para a Força Nacional do SUS, além de R$ 25 milhões para ações de monitoramento do nível dos rios.
O governo informou ainda que o acompanhamento incluirá o monitoramento das cadeias de suprimento, da infraestrutura logística, da navegabilidade dos rios e das condições de abastecimento de água e energia, com possibilidade de ajustes nas medidas conforme a evolução dos cenários climáticos.
Os R$ 337 milhões destinados ao combate aos incêndios florestais serão empregados em atividades de monitoramento ambiental, mobilização de equipes, aquisição de equipamentos, apoio logístico e demais ações operacionais executadas pelos órgãos federais responsáveis pela fiscalização ambiental.
O governo destacou ainda que as medidas se somam a investimentos estruturantes realizados desde 2023 nas áreas de segurança hídrica, prevenção de desastres, combate a incêndios, energia, dragagens, formação de estoques públicos e atendimento humanitário. Entre eles, estão R$ 521 milhões do Fundo Amazônia para prevenção e combate a incêndios florestais, R$ 10,2 bilhões do Novo PAC para obras de segurança hídrica no Nordeste, R$ 582,5 milhões para a Região Norte e R$ 8,9 bilhões destinados à Defesa Civil entre 2023 e 2026.
A estratégia também prevê reuniões técnicas permanentes, articulação com estados e municípios, atualização de planos de contingência e reforço das estruturas locais de resposta. No combate aos incêndios florestais, foram definidas áreas prioritárias de atuação nos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins, com emprego de aeronaves, helicópteros, veículos especializados e equipes de campo.
De acordo com a nota, o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico acima da média, fenômeno que costuma provocar estiagem mais intensa na Região Norte, ondas de calor e atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, além de chuvas intensas no Sul. Esses efeitos aumentam o risco de incêndios florestais, reduzem o nível dos rios e podem comprometer a geração de energia, a navegação e o abastecimento de água em parte do país, enquanto elevam a possibilidade de enchentes e deslizamentos na Região Sul.
