O presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto no primeiro turno com 44,9%. O segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece com 35,8%, de acordo com a pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (29). Nenhum outro candidato passa de 3%.
“É uma eleição muito polarizada e com pouco voto disperso”, diz a cientista política Mayra Goulart, professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato
Ela destaca ainda a tendência de crescimento da candidatura de Lula e queda de Flávio. Em fevereiro, o atual presidente empataria com Flávio no segundo turno. Hoje, ele tem seis pontos percentuais a mais.
Goulart avalia que, apesar do cenário favorável para a reeleição de Lula, com a fragmentação do campo conversador, a vitória não está garantida. “Não há margem de segurança numa eleição que tem como adversário a extrema direita. Porque, como a gente sabe, o eleitor de extrema direita tem uma relação negacionista com as pesquisas eleitorais. Ele não responde, ele não gosta das pesquisas e muitas vezes ele pode ter aquele voto envergonhado, aquele eleitor que não quer se colocar como de extrema direita, mas, por ser antipetista, vai acabar votando em Flávio Bolsonaro. Temos todas essas protocandidaturas, Romeu Zema, Caiado e Renan Santos, que ficam pegando um pouquinho de voto aqui, um pouquinho de voto ali, mas que a gente sabe que não vão se sustentar a ponto de chegar a um segundo turno, e esses votos vão se transferir para Flávio Bolsonaro”, avalia.
A cientista política atribui o índice de rejeição a Flávio Bolsonaro, em 53%, à série de escândalos envolvendo o político nas últimas semanas. Antes disso, ele era colocado como herdeiro natural do espólio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue preso em regime domiciliar.
“Fora do Rio de Janeiro, Flávio era como uma tábua em branco. Mas, os inúmeros escândalos — sejam escândalos de corrupção, como o caso do Vorcaro, sejam escândalos na sua própria família, briga com Michelle — têm bloqueado essa transferência direta de votos, porque ele deixa de ser uma tábua em branco e passa a ser uma superfície com coisas inscritas, e não necessariamente elas são positivas”, avalia Mayra Goulart.
Para ela, o episódio do vídeo gerado por Inteligência Artificial na convenção do PL também foi um fator que expôs a fragilidade da candidatura do filho 01 de Bolsonaro. “Em um momento em que estavam só os apoiadores e os dirigentes partidários, você colocar um vídeo com um holograma dizendo assim: ‘Eu escolhi mesmo o Flávio, ele é mesmo o meu candidato’. É quase como se estivesse dizendo: ‘Olha, já que não tem nenhuma outra razão para ele ser o seu candidato, acredite pelo menos em mim nesse holograma’. Ou seja, como se a escolha de Jair fosse a única razão e ele tivesse que a todo momento estar lembrando disso”, aponta.
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