Não há lugar melhor do que emissoras AM e FM para saber notícias locais. Sou um fã inveterado das ondas curtas, mas é nas ondas médias e frequência modulada que fico sabendo o que acontece na minha região. Daí resolvi acompanhar alguns noticiários de emissoras de rádio localizadas no Rio Grande do Sul, quando o estado enfrenta, em 2026, pelo que é dito por especialistas, o início do fenômeno El Niño.
As emissoras ouvidas foram a Rádio Bandeirantes, Porto Alegre (94.9 FM); a Rádio Gaúcha, Porto Alegre (93.7 FM); a Rádio Independente, Lajeado (91.7 FM); a Tua Rádio, Caxias do Sul (560 AM); e a Rádio Pampa, Porto Alegre (97.5 FM). Você pode ouvir os áudios aqui.
Esses eventos acontecem no momento em que a população do Rio Grande do Sul ainda tenta se recuperar dos traumas da grande enchente de 2024, que devastou diversos municípios e alagou partes da capital, Porto Alegre, onde resido.

O assunto, como não poderia deixar de ser, ocupou espaço importante na programação dessas emissoras e, no caso da Rádio Independente, do município de Lajeado (uma das regiões atingidas pela recente cheia e que foi duramente castigada pela enchente de 2024), a cobertura foi minuto a minuto.
E aí entra, como eu sempre gosto de enfatizar, o papel fundamental do rádio, repassando alertas, informando sobre o nível dos rios e regiões alagadas, assim como entrevistando autoridades. Estive em Lajeado em 12 de junho de 2024, registrando as consequências da catástrofe climática que arrasou partes da cidade, e retornei dois anos depois, no dia 23 de julho de 2026, para verificar os estragos de mais essa enchente. É uma questão pessoal para mim, já que fui testemunha ocular dessa tragédia.

No dia de hoje, 28 de julho de 2026, a emissora Tua Rádio relatava os danos causados por uma tempestade que afetou o município de Caxias do Sul, informando sobre os diversos serviços públicos afetados pela falta de energia elétrica, telefone e internet. A apresentadora chegou até mesmo a explicar o que é a escala Beaufort, utilizada para classificar os ventos do temporal que atingiram o município.
E aconselhou os ouvintes: “Fiquem de olho no rádio”.
Mais uma vez, a conclusão que todos nós, amantes do rádio, já sabemos de cor: tudo falha… menos o rádio de pilhas! Falta luz, falta telefone, falta internet, mas as pessoas sempre podem contar com o rádio de pilhas, algo que quem vive na Espanha, Portugal e Chile também sabe, pois enfrentaram apagões generalizados em 2025.
As radioescutas foram feitas em Porto Alegre com dois receptores, o Xhdata D808 e o Ecopower EP-F23B (esse equipado com lanterna e placa solar).
Por isso, volto a insistir. As mudanças climáticas já batem à nossa porta. É preciso se preparar para os tempos vindouros. E, mesmo que estejamos vivendo todas as modernidades do século 21, com IA e tudo o mais, no final do dia, quem vai nos salvar é o rádio de pilha e um pacote de velas.

*Carlos Latuff é chargista e colaborador do Brasil de Fato.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
