O presidente do Iraque, Nizar Amedi, condenou a ofensiva realizada pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita nesta quarta-feira (29) contra as instalações militares das Forças de Mobilização Popular (PMF) no país, que levou à morte de pelo menos 20 combatentes e deixou 32 feridos.
Em comunicado, Amedi classificou os ataques como “inaceitáveis” e uma “flagrante violação da soberania do Iraque, atingindo suas instituições oficiais de segurança em violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.
O presidente iraquiano reiterou que o território do país não deve ser utilizado como “uma plataforma de lançamento ou arena para ataques a países vizinhos ou para acertar contas regionais e internacionais“. Ele também instou “todas as partes a respeitarem a soberania do Iraque e se absterem de quaisquer ações que possam comprometer sua segurança e estabilidade”.
O ex-primeiro-ministro iraquiano Mohammed Shia al-Sudani também se pronunciou, condenando “nos termos mais veementes, o ataque saudita e norte-americano. Ele classificou a agressão como “flagrante violação da soberania iraquiana” e “uma clara violação do direito internacional e da Carta da ONU”, além de uma transgressão contra “o princípio da irmandade islâmica”.
O ex-premiê iraquiano lembrou que o ataque ocorreu após o governo iraquiano formar comitês para investigar as alegações de que drones teriam sido lançados do território do país contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita. Segundo al-Sudani, a abertura da investigação “refletia o compromisso do Estado iraquiano em abordar questões por meio de estruturas legais e institucionais, não por meio de escalada militar”.
Ele afirmou ainda que o Iraque “mantém todos os seus direitos legítimos garantidos pelo direito internacional”, ressaltando que qualquer violação da segurança e da estabilidade do país “é inaceitável e não pode ser tolerada”.
Pedido de paz
Já o clérigo iraquiano Muqtada al-Sadr pediu à Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) e às milícias aliadas a Teerã que não utilizem o território iraquiano para realizar ataques, alertando para o risco de o país ser arrastado para uma nova guerra. “Milícias rebeldes não devem dar aos nossos irmãos nos estados do Golfo um pretexto para atacar nossa terra sagrada”, declarou al-Sadr, em postagem na plataforma X.
Ele pediu para que as partes não “se envolvam nos esquemas do inimigo sionista-americano de incitar irmãos a lutarem e matarem uns aos outros”, condenando as “violações da soberania iraquiana”. Também criticou as tentativas das milícias de “arrastar o Iraque para uma guerra sem sentido”.
Ao governo, Al-Sadr aconselhou que imponha sua autoridade do Estado contra “células terroristas adormecidas, tanto dentro quanto fora do país”, que poderiam explorar tensões sectárias para desestabilizar o país. “O Iraque e seu povo precisam de paz”, afirmou, acrescentando que o país já teve “uma guerra demais que, infelizmente, drenou todos os recursos e a dignidade do Iraque”, afirmou.
Ele também fez um apelo aos países vizinhos por paz e reconciliação, defendendo uma região “livre de bases estrangeiras, normalização e da abominável hegemonia colonial”.
