UNILATERAL

Brasil aciona OMC contra taxas e acusa EUA de discriminação

Documento oficial afirma que medidas impostas por Donald Trump violam regras do comércio internacional

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WASHINGTON, DC - JULY 21: U.S. President Donald Trump takes questions from the media during a bilateral meeting with President of Lebanon Joseph Aoun in the Oval Office of the White House on July 21, 2026 in Washington, DC. Aoun is visiting the White House on the final day of a four-day trip to Washington to discuss the conflict between Israel and Hezbollah as the Israeli military begins its first limited withdrawal from Lebanon following last month’s U.S.-brokered agreement. Kevin Dietsch/Getty Images/AFP (Photo by Kevin Dietsch / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: KEVIN DIETSCH / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AF

O documento apresentado pelo governo brasileiro à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais sustenta que as medidas adotadas por Washington são unilaterais, discriminatórias e incompatíveis com as regras do comércio internacional.

Na avaliação do Brasil, as tarifas violam princípios básicos estabelecidos pela OMC e representam uma restrição indevida às exportações brasileiras. O pedido de consultas foi protocolado em 27 de julho, mas só foi tornado público nesta quinta-feira (30), após sua divulgação no site da organização.

“O Brasil considera que os Estados Unidos agem de forma inconsistente com o Artigo I do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994, porque impõem tarifas adicionais sobre produtos originários do Brasil como resultado da ação tarifária decorrente da Investigação da Seção 301 sobre o Brasil, enquanto não impõem tais tarifas sobre produtos similares originários de outros Membros da OMC”, diz um dos trechos do documento traduzido para o português.

Em outro trecho, o governo brasileiro afirma que a política tarifária estadunidense se baseia em avaliações feitas de forma unilateral. “Desde fevereiro de 2025, os Estados Unidos impuseram uma série de tarifas adicionais […] em resposta a atos, políticas e práticas que os Estados Unidos caracterizam unilateralmente como não recíprocos, injustos, irracionais ou discriminatórios”, diz outro ponto do documento traduzido.

A contestação brasileira concentra-se em duas investigações abertas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com fundamento na chamada Seção 301 da legislação comercial do país.

A primeira culminou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Os Estados Unidos justificaram a medida com críticas às políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamentos eletrônicos, à proteção da propriedade intelectual e ao combate ao desmatamento ilegal.

Já a segunda investigação resultou em uma sobretaxa de 12,5%, sob a alegação de que o Brasil não teria impedido a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Na prática, as duas medidas encarecem significativamente a entrada de produtos brasileiros no mercado estadunidense e aprofundam a disputa comercial entre Brasília e Washington, que agora passa a ser analisada no âmbito da OMC.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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