Orientação

China coloca direitos de trabalhadores de aplicativos e combate a ‘guerras de preços’ no centro do plano econômico

Reunião que define diretrizes para o 2º semestre colocou foco em empregos flexíveis, consumo interno e estímulos fiscais

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Cai Qi, membro do Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) e presidente da Escola do Partido do Comitê Central do PCCh (Academia Nacional de Governança), em reunião com chefes de escolas do Partido de todo o país em Pequim, capital da China, em 22 de julho de 2026. Yue Yuewei / Xinhua via AFP
Cai Qi, membro do Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) e presidente da Escola do Partido do Comitê Central do PCCh (Academia Nacional de Governança), em reunião com chefes de escolas do Partido de todo o país em Pequim, capital da China, em 22 de julho de 2026. | Crédito: Yue Yuewei / Xinhua via AFP

O Birô Político do Partido Comunista da China (PCCh) definiu nesta quinta-feira (30) as prioridades da política econômica para o segundo semestre de 2026. Entre elas, o órgão colocou a proteção dos direitos de trabalhadores de plataformas digitais e de empregos flexíveis. O encontro, presidido por Xi Jinping, secretário-geral do Partido em Pequim, também convocou a 5ª Sessão Plenária do 20º Comitê Central para outubro.

As reuniões semestrais do Birô Político para análise econômica são o principal fórum de definição de política na China: as diretrizes aprovadas orientam o trabalho de ministérios, províncias e municípios, que ajustam seus planos de implementação conforme as prioridades estabelecidas no encontro.

A reunião determinou que “múltiplas medidas devem ser adotadas para garantir o bem-estar da população, ampliar o apoio ao emprego de grupos prioritários e salvaguardar os legítimos direitos e interesses dos trabalhadores em empregos flexíveis e em novas formas de emprego”, segundo a Xinhua. A categoria abrange entregadores de aplicativos, motoristas de plataformas e autônomos digitais. O texto também pede o combate à “concorrência involutiva”, expressão que descreve guerras de preços em que empresas disputam clientes por corte contínuo de custos até comprimir margens, salários e pequenas empresas.

O Birô Político reafirmou o compromisso dos governos locais com o que o partido chama de “três garantias da base”: pagamento em dia dos salários de servidores, manutenção dos serviços públicos e continuidade dos benefícios de bem-estar social. Dados do Ministério das Finanças mostram que, no primeiro semestre, os gastos públicos com saúde cresceram 10,8% e os com previdência e emprego, 7,6%.

Na área rural, o documento determina medidas para estabilizar a renda dos agricultores e garantir a colheita de outono, decisiva para a meta anual de produção de grãos. O órgão também pede a estabilização dos preços de suínos e outros produtos agropecuários, pressionados por oscilações de oferta ao longo do ano.

O encontro fixou ainda prioridades de expansão da demanda interna, aprofundamento da iniciativa IA Plus, construção de seis redes nacionais de infraestrutura e estabilização do mercado imobiliário.

Na política macroeconômica, a reunião confirmou orientação fiscal “mais ativa” e monetária “adequadamente flexível”, pedindo aceleração no desembolso de recursos já aprovados. Segundo Wen Bin, economista-chefe do Banco Minsheng da China, disse ao veículo de mídia financeira chinês Jiemian News, o espaço fiscal disponível para o segundo semestre supera 7 trilhões de yuans (R$ 5,3 trilhões). Dong Ximiao, economista-chefe da financeira Zhaolian, à mesma publicação, projeta corte de juros de 10 a 20 pontos-base ainda no terceiro trimestre, com o objetivo de reduzir os custos de financiamento de empresas e consumidores.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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