Para o Irã, os países que contribuem para a empreitada estadunidense em seu território devem rever o apoio a Washington, sob pena de sofrerem represálias das Forças Armadas iranianas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (30), a Guarda Revolucionária Islâmica também enfatizou que não permitirá o controle do Estreito de Ormuz por forças estrangeiras, e que a via não será reaberta enquanto persistirem as intimidações contra Teerã.
O texto também confirmou a explosão de mais dois petroleiros que tentavam atravessar o sul do Estreito de Ormuz. A Força Aeroespacial da Guarda também destruiu três caças F-35 dos Estados Unidos, em um ataque retaliatório com mísseis contra a base aérea de Al Azraq, na Jordânia.
Além disso, o Irã denuncia que os EUA teriam lançado bombas antibunker contra duas residências na ilha iraniana de Qeshm, causando a morte de três pessoas, incluindo uma criança.
A delicada posição da Bulgária
O recado foi amplo, mas teve como alvo preferencial a Bulgária. O país europeu tem sido alvo de pressão dos Estados Unidos, que teriam interesse em utilizar a Base Aérea de Bezmer para apoiar operações militares contra o território iraniano. Na semana passada, o parlamento da Bulgária aprovou a permissão para que militares estadunidenses utilizassem a estrutura. O gesto foi lembrado pelo presidente Donald Trump, que utilizou as redes sociais para agradecer ao premiê búlgaro, Rumen Radev.
Em reação ao movimento, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, participou de uma conversa telefônica com a chanceler búlgara, Velislava Petrova-Chamova, em que destacou que a iniciativa seria “condenável, inaceitável e incompatível” com as relações entre o Irã e a Bulgária.
Araghchi aproveitou a ocasião para pedir que o governo búlgaro reconsiderasse urgentemente a decisão, recordando uma resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que classifica como agressão a ação de disponibilizar o território de um Estado a outro Estado com o propósito de cometer ato de agressão contra um terceiro país.
“Qualquer parte que participe de alguma forma na realização de um ataque militar contra o Irã terá que assumir a responsabilidade por suas consequências”, afirmou o ministro iraniano. Enquanto isso, Petrova-Chamova destacou o histórico de boas relações entre os dois países e afirmou que a Bulgária não teria intenção de participar da guerra.
Guerra ampliada
No campo diplomático, o Paquistão, que tem mediado as negociações entre Teerã e Washington, tenta acalmar a escalada das hostilidades, percebida após dias de relativa calmaria.
“As negociações entre as partes continuam, em particular no que diz respeito ao Estreito de Ormuz e à desescalada”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi. A autoridade mencionou que o Paquistão estaria fazendo “todo o possível” para retomar o protocolo de acordo assinado no último mês de junho.
A guerra, porém, começa a respingar em outras frentes. Nesta semana, os EUA e a Arábia Saudita bombardearam locais ligados às Forças de Mobilização Popular (PMF), um agrupamento pró-Iraque. Segundo a PMF, 20 membros foram mortos. O Comando Central dos EUA (Centcom) justificou o ataque pelo fato de que o grupo estaria envolvido em ataques recentes às forças estadunidenses e à infraestrutura energética saudita.
Outro ponto de ampliação do conflito está no Egito. Na quarta-feira (30), o país registrou que um navio de propriedade dos EUA foi atacado por um drone no porto de Damieta, causando um incêndio em duas embarcações comerciais. O alvo é conhecido como Energos Winter e armazena Gás Natural Liquefeito (GNL). Até agora, não se sabe a origem do ataque.
