Oriente Médio

Irã adverte países aliados dos EUA sobre ‘resposta severa’ caso haja envolvimento em ataques

Bulgária liberou base aérea para forças de Donald Trump, enquanto Egito registrou ataque por drone contra navio dos EUA

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. | Crédito: Ahmed Hasan / AFP

Para o Irã, os países que contribuem para a empreitada estadunidense em seu território devem rever o apoio a Washington, sob pena de sofrerem represálias das Forças Armadas iranianas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (30), a Guarda Revolucionária Islâmica também enfatizou que não permitirá o controle do Estreito de Ormuz por forças estrangeiras, e que a via não será reaberta enquanto persistirem as intimidações contra Teerã.

O texto também confirmou a explosão de mais dois petroleiros que tentavam atravessar o sul do Estreito de Ormuz. A Força Aeroespacial da Guarda também destruiu três caças F-35 dos Estados Unidos, em um ataque retaliatório com mísseis contra a base aérea de Al Azraq, na Jordânia.

Além disso, o Irã denuncia que os EUA teriam lançado bombas antibunker contra duas residências na ilha iraniana de Qeshm, causando a morte de três pessoas, incluindo uma criança.

A delicada posição da Bulgária

O recado foi amplo, mas teve como alvo preferencial a Bulgária. O país europeu tem sido alvo de pressão dos Estados Unidos, que teriam interesse em utilizar a Base Aérea de Bezmer para apoiar operações militares contra o território iraniano. Na semana passada, o parlamento da Bulgária aprovou a permissão para que militares estadunidenses utilizassem a estrutura. O gesto foi lembrado pelo presidente Donald Trump, que utilizou as redes sociais para agradecer ao premiê búlgaro, Rumen Radev.

Em reação ao movimento, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, participou de uma conversa telefônica com a chanceler búlgara, Velislava Petrova-Chamova, em que destacou que a iniciativa seria “condenável, inaceitável e incompatível” com as relações entre o Irã e a Bulgária.

Araghchi aproveitou a ocasião para pedir que o governo búlgaro reconsiderasse urgentemente a decisão, recordando uma resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que classifica como agressão a ação de disponibilizar o território de um Estado a outro Estado com o propósito de cometer ato de agressão contra um terceiro país. 

“Qualquer parte que participe de alguma forma na realização de um ataque militar contra o Irã terá que assumir a responsabilidade por suas consequências”, afirmou o ministro iraniano. Enquanto isso, Petrova-Chamova destacou o histórico de boas relações entre os dois países e afirmou que a Bulgária não teria intenção de participar da guerra. 

Guerra ampliada 

No campo diplomático, o Paquistão, que tem mediado as negociações entre Teerã e Washington, tenta acalmar a escalada das hostilidades, percebida após dias de relativa calmaria

“As negociações entre as partes continuam, em particular no que diz respeito ao Estreito de Ormuz e à desescalada”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi. A autoridade mencionou que o Paquistão estaria fazendo “todo o possível” para retomar o protocolo de acordo assinado no último mês de junho.

A guerra, porém, começa a respingar em outras frentes. Nesta semana, os EUA e a Arábia Saudita bombardearam locais ligados às Forças de Mobilização Popular (PMF), um agrupamento pró-Iraque. Segundo a PMF, 20 membros foram mortos. O Comando Central dos EUA (Centcom) justificou o ataque pelo fato de que o grupo estaria envolvido em ataques recentes às forças estadunidenses e à infraestrutura energética saudita.

Outro ponto de ampliação do conflito está no Egito. Na quarta-feira (30), o país registrou que um navio de propriedade dos EUA foi atacado por um drone no porto de Damieta, causando um incêndio em duas embarcações comerciais. O alvo é conhecido como Energos Winter e armazena Gás Natural Liquefeito (GNL). Até agora, não se sabe a origem do ataque.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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