Lideranças políticas do Distrito Federal participaram do Quilombo nos Parlamentos, realizado em São Paulo, nesta quarta-feira (29). Entre os presentes estavam os pré-candidatos Fábio Felix e Max Maciel, ambos do Partido Socialismo e Liberdade (Psol). Também marcaram presença os petistas Ruth Venceremos, Andrey Lemos e Marivaldo Pereira.
Criado pela Coalizão Negra por Direitos, o evento reuniu mais de 150 candidaturas ligadas aos movimentos negros. A articulação reúne cerca de 300 organizações e coletivos com o objetivo de promover o debate racial e o enfrentamento à violência política racial e de gênero.
Em sua participação, o deputado distrital e pré-candidato à reeleição Max Maciel (Psol-DF) sugeriu a criação de propostas parlamentares para diminuir a desigualdade social e criticou a atual política de enfrentamento às drogas. “Nossa estratégia é, depois de eleitos, lotar o parlamento de projetos de lei que reduzam a desigualdade nas periferias. Que a gente faça um debate sobre uma nova política de drogas, que continua colocando o estado penal para dar tiro na gente e prender o nosso povo”, afirmou.
Deputado distrital e pré-candidato à federal Fábio Felix (Psol-DF) defendeu a organização do movimento negro na luta por direitos e criticou a atuação das forças públicas de segurança que, no seu entendimento, promovem o encarceramento de jovens negros.
“Ser antirracista pede necessariamente independência política. Muitas vezes, os interesses do governantes, por mais aliados que sejam, vão contra os interesses do povo negro. A gente também vê nesse momento do brasil sacramentado uma política penal de encarceramento da juventude negra”, apontou.
Já a pré-candidata a deputada federal Ruth Venceremos (PT-DF) afirmou que “a política é um instrumento para mudar a vida das pessoas” e que considera importante “quando vemos nossa população negra reunida, fazendo debates e trazendo agendas importantes para a transformação do Brasil”.
A drag queen enfatizou ainda a ampliação da presença de pessoas negras em espaços públicos como passo fundamental para a promoção da justiça histórica. “Que a gente faça um esforço coletivo para ocupar o judiciário, porque reparação histórica passa fundamentalmente pelo povo preto no poder”, declarou Ruth Venceremos.
No DF, também integram a iniciativa as parlamentares Madu Krasny e Natty Vieira, ambas do Psol, além de Maria Cleudes Pessoa, da Rede Sustentabilidade (Rede).
Em sua primeira edição, nas eleições de 2022, a iniciativa Quilombo nos Parlamentos apoiou mais de 100 candidaturas ligadas ao movimento negro, que reuniram 4 milhões de votos. Naquele pleito, 26 lideranças negras foram eleitas para o Congresso Nacional e assembleias legislativas nos estados.
“O Quilombo nos Parlamentos parte da compreensão de que a democracia brasileira só será plenamente representativa quando os espaços de poder refletirem a diversidade do país. Queremos fortalecer lideranças comprometidas com um projeto político para o Brasil que enfrente as desigualdades, o racismo, amplie direitos e produza transformações concretas na vida da população”, afirma Douglas Belchior, historiador e cofundador da Coalizão Negra por Direitos.
Segundo o Ranking Igualdade Racial 2025, do Instituto de Referência Negra Peregum, parlamentares negros, mulheres e, em muitos casos, em primeiro mandato, estão entre os mais atuantes na promoção da igualdade racial. O estudo também concluiu que ampliar a diversidade nos espaços de decisão fortalece a qualidade da atuação legislativa e contribui para a construção de políticas públicas mais efetivas.
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