Anti-imperialismo

Nas ruas, legado de Chávez segue como referência para lidar com nova intervenção, afirmam venezuelanos

Há 72 anos de seu nascimento e 13 anos de sua morte, os venezuelanos se perguntam: o que faria Chávez no atual contexto?

No audio source provided.
Cidadão segura foto de Hugo Chávez no ato de celebração do seu 72º aniversário, em Caracas.
Cidadão segura foto de Hugo Chávez no ato de celebração do seu 72º aniversário, em Caracas. | Crédito: Diko Betancourt/Anadolu/AFP

Embora algumas narrativas queiram dizer o contrário, o chavismo segue sendo uma força política poderosa na Venezuela, e o pensamento de Hugo Chávez ainda serve como guia para os revolucionários venezuelanos. Incluindo os jovens, como Antonela, de apenas 17 anos, que saiu às ruas no último 28 de julho para celebrar os 72 anos do nascimento do ex-presidente, falecido em 5 de março de 2013.

“Ele nos ensinou a amar a pátria como nossa vida mesma, porque quem não ama sua pátria não quer sua mãe, como diria a canção. E ele nos ensinou isso, esse amor pelo nosso povo, esse amor pela nossa pátria e a cuidar sempre uns dos outros”, diz a jovem.

O resgate do legado e da memória do comandante da Revolução Bolivariana ganhou um novo sentido em 2026. Em 3 de janeiro, as forças militares dos Estados Unidos bombardearam o país e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada nacional Cília Flores. 

Menos de seis meses depois, um duplo terremoto de magnitude superior a 7 graus sacudiu a região centro-norte do país, deixando milhares de mortos e desabrigados.

Para Mariela Machado, militante do movimento de moradia, são os ideais que o ex-presidente promoveu que darão ao povo as ferramentas para superar as dificuldades e seguir construindo o socialismo.  

“O legado do comandante tem sido para nós o elemento fundamental para resistir a esta luta à qual nos submeteu o imperialismo. Hoje aqui estamos sem esmorecer. Não vamos esmorecer. Como disse Martin Luther King, se não podemos voar, caminhamos. Se não podemos caminhar, corremos. Se não podemos correr, engatinhamos. Mas nunca vamos desfalecer pelo ideal de construir uma pátria livre, soberana, humana e que seja uma projeção para o mundo inteiro. Não estamos de joelhos, estamos sob uma intervenção de uma força desumana, capitalista, selvagem, que o que interessa é nossa riqueza”, afirma Machado.

E foi com o objetivo de estudar e refletir sobre o pensamento de Chávez à luz do atual contexto de ingerência externa contra o país que a Universidade da Comunicação e o Instituto Simón Bolívar reuniram pensadores, lideranças sociais e políticas na cátedra denominada “De Bolívar a Chávez, a arte de vencer se aprende nas dificuldades”.

Criança segura cartaz com o rosto de Chávez e os dizeres: "A esperança está nas ruas", durante ato em Caracas.
Criança segura cartaz com o rosto de Chávez e os dizeres: “A esperança está nas ruas”, durante ato em Caracas. | Crédito: Leonardo Fernandes

Embora reconheça a gravidade da intervenção ilegal do governo estadunidense e a permanente ingerência nos assuntos internos do país, a comuneira e deputada nacional Noris Herrera avalia que o chavismo permanece sendo a principal força política do país por um motivo central: não há intervenção que detenha um povo organizado.  

“Este povo se fez governo desde a chegada do comandante Chávez. Assim ele o definiu, assim o mantivemos e hoje se vê expressado em todas as comunas do país. É o povo governando. Isto nos dá esse diferencial importante para garantir que a pátria siga sendo livre, independente e soberana”, pontua a parlamentar.

“Nós, as comuneiras e os comuneros, que somos essa força viva à qual Chávez encomendou a pátria, esse poder popular que se expressa na diversidade dos movimentos sociais, mas que hoje também é governo e que hoje acompanha todas as necessidades, mas também os sonhos do povo venezuelano em cada uma das mais de 5.400 comunas que estão no país”.

O que Chávez teria feito no atual contexto? Essa é a pergunta que fazem seus seguidores, no 13º ano de sua partida e de seu 72º aniversário.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter