O centro de São Paulo (SP) será um dos principais cenários da Jornada do Patrimônio 2026, que promove dezenas de roteiros de memória pela cidade a partir de diferentes perspectivas. As atividades ocorrem nos dias 15 e 16 de agosto e integram a programação do Festival do Patrimônio, realizado entre 8 e 16 de agosto.
Os passeios propõem reflexões sobre as pessoas, os grupos sociais e as manifestações culturais que ajudaram a construir a capital paulista. A programação reúne percursos sobre patrimônio arquitetônico, memória negra, protagonismo feminino, povos indígenas, imigrações, movimentos culturais e transformações da paisagem urbana.
Entre os percursos voltados à história da formação da cidade estão: São Paulo: 3 cidades em 1 século, que acompanha as mudanças ocorridas entre a chegada da ferrovia e a consolidação da metrópole vertical; Nas trilhas do tempo: memórias urbanas entre o Triângulo Histórico e o Bom Retiro, que percorre antigos caminhos indígenas e as reformas urbanas do centro; e São Paulo: entre permanências e ausências, que utiliza fotografias históricas para revelar elementos preservados e apagados da paisagem paulistana.
A arquitetura também ganha destaque em diversos roteiros. Caminhadas como Do chão às nuvens, a cada andar uma história, Caminhada cultural pelo centro de São Paulo: detalhes quase secretos da arquitetura e O escritório Siciliano e Silva e o centro de São Paulo no século XX apresentam a evolução do centro por meio de seus edifícios, fachadas, arranha-céus e projetos urbanísticos, revelando diferentes momentos da expansão da cidade.
Outra vertente da programação busca ampliar as narrativas sobre quem construiu São Paulo. O roteiro Ver e viver a cidade: caminhos negros no centro velho percorre espaços ligados à presença da população negra e às lutas por liberdade. Já Quem civiliza quem? – povos indígenas na construção de São Paulo evidencia a participação dos povos originários na formação da cidade, questionando as versões tradicionais da história. A caminhada Vozes da várzea: memória, cultura e reparação na Baixada do Glicério destaca a presença de populações negras, nordestinas e migrantes na região central.
As experiências de mulheres na cidade também aparecem como eixo de diversos roteiros. Em Mulheres que andam (n)a cidade, o percurso convida participantes a refletirem sobre o apagamento das mulheres na história do centro. Já Mulheres apagadas, uma caminhada-diálogo propõe uma troca de experiências entre mulheres em diferentes pontos da região da República, enquanto O centro pelo olhar das mulheres modernistas revisita espaços emblemáticos da cidade a partir das trajetórias de artistas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Guiomar Novaes, Lina Bo Bardi e Patrícia Galvão (Pagu).
O patrimônio cultural imaterial também ocupa espaço na programação. O público poderá conhecer a história do samba no Bixiga, participar de uma visita ao Consulado do Choro, revisitar a trajetória da Mostra Internacional de Cinema e acompanhar o Cortejo Mário de Andrade, que celebra a obra do escritor e percorre a Avenida Paulista até a Casa das Rosas com música, poesia e intervenções artísticas.
Para quem prefere experiências menos convencionais, a Jornada oferece roteiros que exploram as histórias fantásticas da cidade. Nos domínios de Anhangá – Anhangabaú e suas assombrações e Roteiro Assombrado no Vale do Umbralgabaú percorrem o Vale do Anhangabaú entre relatos de lendas, tragédias, mistérios e personagens que alimentam o imaginário paulistano.
Todas as atividades são gratuitas. Parte dos roteiros exige inscrição prévia, enquanto outros têm participação livre. A programação completa da Jornada do Patrimônio 2026 reúne mais de 100 caminhadas e visitas guiadas distribuídas por todas as regiões da cidade.
