PRODUÇÃO E FUTURO

Feira da Reforma Agrária debate cooperativismo nos assentamentos de Pernambuco

As rodas de diálogo são realizadas no Teatro Apolo e debatem desafios da reforma agrária no estado

No audio source provided.
Jaime Amorim, dirigente nacional do MST, trouxe debate sobre cooperativismo
Jaime Amorim, dirigente nacional do MST, trouxe debate sobre cooperativismo | Crédito: Rostand Tiago/Brasil de Fato

Enquanto o comércio dos frutos da agricultura familiar da reforma agrária na rua do Bom Jesus seguia a todo vapor, na manhã desta quinta-feira (30), a alguns metros de lá, no Teatro Apolo, tinha início a série de encontros políticos voltados para os assentados presentes na 3ª Feira Estadual da Reforma Agrária — mas aberta a qualquer interessado. Ao longo dos próximos dias, serão discutidas pautas como cooperação e cooperativismo, educação no campo e os desafios da comercialização. 

A primeira conversa foi capitaneada por Jaime Amorim, dirigente e uma de suas lideranças históricas do MST em Pernambuco. “Para além da comercialização, estamos aproveitando esse momento da feira, com as regionais reunidas, para fazer essas atividades que estreitam nossas relações sociais e políticas com as organizações da cidade, mas também conversando sobre rumos internos da nossa organização”, pontua Jaime.

A abertura ficou por conta de um debate sobre os desafios da cooperação e cooperativas nos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) no estado, forma de organização produtiva que a direção da organização avalia como fundamental para seu avanço. A conversa dissecou o que significa, na prática, a frase “para aumentar a produção, tem que ter cooperação”, palavras de ordem disseminadas dentro do MST em Pernambuco. 

“Não adianta só gritarmos as palavras de ordem, temos que colocá-las em prática, assim aumentando a produção de alimentos saudáveis, avançando na agroecologia e na mecanização e criação de agroindústrias”, explica Jaime Amorim. Ele aponta que processos de incorporação de tecnologias e maquinários trazem um certo alívio no dia a dia do campo, mas não resolvem os problemas. Estes têm como solução fundamental o processo de organização a partir das cooperativas. “É algo que dá trabalho. Não basta só querer abrir uma cooperativa, tem que se preparar e estudar como fazer. Um processo de formação, mas muito importante para nos organizarmos”, complementa.

Amorim aponta que os processos de cooperação e organização de cooperativas são imperativos tanto para o aumento da produção, realizada de modo mais sistemático e eficiente, como para uma melhor estruturação do trabalho no campo, possibilitando agregar valor aos produtos, como, por exemplo, com a criação de pequenas agroindústrias para beneficiar os itens, além de garantir mais dignidade ao trabalhador da terra. “É uma organização do processo produtivo que diminui o trabalho da mulher e do homem do campo, uma oportunidade de um trabalho mais tranquilo. Sabemos como o trabalho da agricultura é penoso, que passar um dia sem tirar o leite da vaca ou colher uma acerola pode trazer grandes prejuízos”, afirma o dirigente. 

A organização em cooperação, neste momento, deve ser focada no eixo da produção, permitindo o desenvolvimento da mecanização, produção própria de insumos e biofertilizantes e no avanço da agroecologia. Em seguida, entra em ação a criação das cooperativas de prestação de serviço e comercialização, fortalecendo as diversas esferas de trabalho que levam a comida saudável do campo para as mesas. “É um conhecimento que precisamos nos apropriar, pois, daqui por diante, precisamos dar respostas muito maiores na nossa produção e agroindustrialização”, conclui Amorim. 

Ainda nesta quinta-feira, a Feira da Reforma Agrária recebeu um debate sobre os desafios da educação no campo, com Rubneuza Leandro, do setor de educação do MST. Na sexta-feira (31), às 9h30, serão discutidos os desafios da comercialização no movimento. No sábado, às 9 horas, o evento recebe o coordenador nacional e um dos fundadores do movimento, João Pedro Stédile, para uma análise geral de conjuntura política.

Editado por: Vinícius Sobreira

|

Newsletter