A Feira Estadual da Reforma Agrária, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-PE) no Bairro do Recife, também traz uma plataforma para lançamentos e novidades vindas dos mais diversos assentamentos e acampamentos da organização espalhados pelo estado. Entre seus grandes diferenciais, o cuidado com a qualidade a partir do cuidado com a própria natureza, descartando completamente ofensivas como uso de agrotóxicos ou maus-tratos a animais.
A Cooperativa Normandia, instalada no assentamento de mesmo nome, localizado em Caruaru, lançou a Farinha de Mandioca Normandia. Assim como seu primo, o Flocão Normandia, lançado no ano passado, o novo produto também é completamente livre de transgênicos e agrotóxicos. “Nossa farinha foi inicialmente feita em casas de farinha de diversos assentamentos, espalhados pelo estado. Agora, estamos estruturando nossa própria pequena agroindústria de farinha e produzindo também em Normandia”, afirma Adajailson Chagas, integrante da Cooperativa Normandia. O pacote custa R$ 7.

Já no Cabo de Santo Agostinho, o casal Ghybson Evanno e José Ricardo, do Acampamento Luiz Gonzaga, produz os Ovos Nelore, cuja origem, segundo seus produtores, vem “das galinhas mais felizes do mundo”. “A gente foca muito na questão do bem-estar animal. Então, elas são criadas soltas, livres de gaiolas e consumindo apenas produtos saudáveis e naturais”, explica Ghybson. Além da fuga dos manejos de grama, com a liberdade na natureza, as cores dos ovos, mesmo em sua pluralidade, não são frutos de aditivos químicos ou pinturas, mas sim de uma seleção variada de galinhas. A unidade sai a R$1,20 e a bandeja por R$35.

Chegando no Sertão do São Francisco, do assentamento José Almeida, em Petrolina, vem o sabão de soda artesanal. A produção é feita por Socorro Gomes e sua família, distribuída pelos assentamentos da região, com destaque para sua multifuncionalidade. “Ele é muito prático de se fazer e muito útil. Bom para louças e roupas encardidas. Raspando um pouco dele, colocando na máquina de lavar ou esfregando na própria mão, não tem mancha que consiga resistir”, diz Socorro.

PRESTÍGIO POLÍTICO
Na manhã desta sexta-feira (31), figuras políticas estiveram pela Feira Estadual da Reforma Agrária, caminhando ao lado da deputada estadual e candidata a deputada federal Rosa Amorim (PT), cuja vida e militância são atravessadas por sua história no MST. “No Movimento Sem Terra, a gente fala que, se o campo não planta, a cidade não janta. A Feira chega com 220 barracas de feirantes, assentados e acampados da reforma agrária, uma diversidade enorme da produção do povo sem terra. O MST é isso, luta para que a terra cumpra sua função social e produza comida de verdade. É muito importante trazer tudo isso para o coração da cidade do Recife”, declarou Rosa, em conversa com o Brasil de Fato.
Rosa Amorim e a direção do movimento receberam, ainda pela manhã, o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo, João Campos (PSB), e o atual prefeito da capital pernambucana, Victor Marques (PCdoB). Campos destacou que a feira se tornou um dos momentos de grande destaque no calendário dos grandes eventos que tomam o Bairro do Recife, reforçando sua importância na aproximação do campo e da cidade e o combate aos preconceitos contra a produção familiar de assentados da reforma agrária.
“Nossa obrigação é fazer com que a cidade conheça a luta do campo e que o camponês seja cuidado e visto. É importante que conheçam para não haver preconceito e ódio. Tem que ter conhecimento, respeito e amor por quem produz e garante o alimento na mesa de milhões de brasileiros”, destacou o ex-prefeito do Recife. “Acreditamos muito na força da cooperação, desde a produção, até a parceria entre instituições, para que possamos garantir a existência de um evento tão importante como esse”, complementa o prefeito Victor Marques.
Pela manhã, a deputada estadual Dani Portela (PT) também esteve na feira. Ela também ressaltou o caráter de aproximação que a feira traz entre a produção rural e os grandes centros urbanos. “A Feira da Reforma Agrária tem um papel importantíssimo de democratizar o acesso ao alimento saudável e a preço justo, num enfrentamento à monocultura que historicamente se estabelece no nosso país. É fundamental termos o diálogo direto com quem planta e colhe, isso é soberania alimentar. Lutar por reforma agrária é garantir comida no prato e dignidade para todo mundo”, afirmou Portela.
Quem também esteve pela feira foi a vereadora do Recife e pré-candidata a deputada estadual Jô Cavalcanti (PSOL). A parlamentar, que também é uma liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), ressaltou como a valorização da agricultura familiar e o acesso à alimentação saudável são um caminho de combate às injustiças. “A Feira Estadual da Reforma Agrária mostra que o direito de ter comida saudável no prato passa pelo acesso à terra. É a agricultura familiar e o trabalho no campo que alimentam o nosso povo de verdade. Quando o campo e a cidade se unem, a gente fortalece quem produz, combate a fome e constrói um futuro com mais justiça para todas as pessoas”, afirma Jô.
