Aproximadamente 140 mil imóveis atendidos pelas concessionárias Light e Enel continuam sem energia elétrica no estado do Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira (31). As regiões mais afetadas são as zonas norte e oeste da capital e municípios da Baixada Fluminense. Na quinta-feira (30), esse número chegava a 500 mil.
Os ventos de mais de 100 km/h que atingiram o Rio de Janeiro e a Região Metropolitana na última quarta-feira (29) foram provocados pelo encontro de uma massa de ar quente com uma massa de ar frio. A grande diferença de pressão entre essas massas favoreceu a passagem de ventos em alta velocidade.
Em nota à reportagem, a Light informou que mobilizou uma força-tarefa de dois mil trabalhadores para restabelecer o fornecimento de energia. Segundo a concessionária, a etapa atual é a mais complexa e envolve serviços de engenharia para a reconstrução da rede elétrica.
“Em diversos pontos, os danos exigem a substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e objetos que caíram sobre a fiação, como telhas e até caixas-d’água”, diz um trecho da nota.
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Ainda de acordo com a Light, a interrupção no fornecimento de energia foi provocada pelo grande número de quedas de árvores. Segundo a Prefeitura do Rio, foram registradas 359 ocorrências desse tipo, das quais 57 ainda permaneciam sem atendimento até a manhã desta sexta-feira.
Do total de imóveis sem energia, 105 mil são atendidos pela Light e 33 mil pela Enel. Entre os clientes da Enel, as cidades mais afetadas são Niterói, São Gonçalo e Angra dos Reis.
Em nota sobre os impactos dos fortes ventos, a Casa Fluminense criticou a ausência de planos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas articulados entre os municípios da Região Metropolitana e os setores de energia, mobilidade urbana e defesa civil. A organização também destacou a menor capacidade de resposta da Baixada Fluminense em razão das desigualdades financeira e técnica entre os municípios.
“Sabemos que os eventos climáticos vão acontecer. Temos o super El Niño se aproximando e precisamos ter ações bem definidas para lidar com esses episódios”, afirma Luize Sampaio, gerente programática da Casa Fluminense.
Transporte
Na quarta-feira (29), os serviços de metrô e trem foram interrompidos. Um passageiro chegou a quebrar a janela de um dos vagões para permitir a saída dos ocupantes. Muitas pessoas passaram mal e precisaram ser socorridas.
A Prefeitura do Rio informa que a maior parte das linhas de ônibus foi normalizada. No entanto, permanecem alterações nos itinerários das linhas 778 e SVB665, na Estrada de Botafogo, por questões de segurança; e da linha 908, devido ao rompimento de uma adutora na avenida Martin Luther King Jr., na altura da estação Engenho da Rainha do metrô. No ramal Saracuruna dos trens, ainda é necessário fazer baldeação na estação Campos Elíseos.

