O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro e atual deputado federal, Ricardo Salles (Novo-SP), registrou sua candidatura ao Senado por São Paulo na Justiça Eleitoral, declarando um patrimônio total de R$ 9,05 milhões.
Primeiro candidato ao cargo a oficializar o registro no estado este ano, Salles destacou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aquisição recente de um imóvel rural em Portugal, avaliado em R$ 3 milhões. Os dados apresentados apontam um salto significativo nos seus bens: em 2022, quando se elegeu para a Câmara pelo PL, ele havia informado possuir R$ 3,97 milhões. O patrimônio do parlamentar cresceu R$ 4,97 milhões em apenas quatro anos, o que representa um aumento de 121,8%. O valor supera até mesmo a correção pela inflação medida pelo IGP-M, que ajustaria aquele montante para R$ 4,07 milhões atuais.
A nova declaração de bens é composta pelo imóvel rural em Portugal, por uma residência na capital paulista avaliada em R$ 3,15 milhões, mantida de disputas anteriores, e por outra propriedade rural no interior de São Paulo, declarada por R$ 2,9 milhões.
Em 2022, além da casa em São Paulo, Salles declarava R$ 700 mil em investimentos e um veículo Toyota de R$ 120 mil. Já em 2018, quando disputou como suplente pelo Novo, havia declarado um montante nominalmente semelhante ao atual, de R$ 8,8 milhões, impulsionado na época por dois apartamentos avaliados em R$ 3 milhões cada.
A trajetória do ministro que quis ‘passar a boiada’
Figura central da extrema direita, Ricardo Salles notabilizou-se nacionalmente por sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente entre 2019 e 2021, marcada pelo desmonte de órgãos de fiscalização e pela polêmica declaração em que sugeriu “passar a boiada” na legislação ambiental, aproveitando que a imprensa estava ocupada cobrindo a pandemia de Covid-19.
Ele deixou o ministério em junho de 2021 sob investigações de ligação com o garimpo ilegal e tráfico internacional de madeira. Rompeu com o PL de Jair Bolsonaro e se desfiliou em agosto de 2024, após ser descartado como candidato à prefeitura naquele ano.
Retornou então ao partido Novo, ao qual já esteve filiado entre 2018 e 2020. Busca agora uma vaga no Senado, disputando o eleitorado conservador contra nomes apoiados pelo PL e pelo clã Bolsonaro, como Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
