Submissão aos EUA

Primeiro ato de Fujimori no Peru busca mostrar alinhamento a Trump, diz analista internacional

Amanda Harumy aponta militarização como obediência a projeto trumpista e resistência a discordância política

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Crédito: ERNESTO BENAVIDES / AFP
Keiko Fujimori | Crédito: ERNESTO BENAVIDES / AFP

A herdeira do ditador Alberto Fujimori, Keiko Fujimori tomou posse como presidenta do Peru nesta sexta-feira (31) e, como primeiro ato à frente do país, decretou estado de sítio, usando como justificativa o combate ao crime. Para a analista internacional Amanda Harumy, a peruana, na verdade, colocou os militares nas ruas para reprimir qualquer resistência popular contra o início de suas políticas neoliberais.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Harumy avalia que Keiko, tendo a consciência da polarização ao redor da sua eleição, já se antecipou no que ela define como “mobilização militar”.

“Ela também se alinhou com a agenda de segurança pública interna, com a mensagem que os Estados Unidos estão trazendo para a América Latina, que é o Escudo das Américas, ou seja, ter uma política de segurança pública militarizada e alinhada aos Estados Unidos. A Keiko Fujimori representa um fenômeno que é construído na América Latina pela agenda do Trump e do Marco Rubio”, pontua.

Para a analista, Keiko aposta no discurso de estabilidade econômica para convencer um país que, nos dez últimos anos, encarou muitas instabilidades políticas. “A moeda do Peru é estável, ainda mais se a gente comparar, por exemplo, com a Argentina. A estabilidade da elite peruana está construída através de outros acordos. Existe uma governabilidade econômica e financeira distante da complexidade de oscilações da política peruana, porque nós sabemos que no Peru essas mudanças — impeachments, trocas de presidentes, vices assumem — é um país que tem demonstrado ser quase ingovernável”, relata.

Sobre o cenário polarizado no qual Keiko Fujimori acabou vitoriosa, Amanda Harumy destaca que essa divisão é geográfica, colocando o interior mais à esquerda e a elite da capital mais à direita. Para ela, a presidenta vai buscar construir unidade, mas sob influência dos Estados Unidos.

“Acredito que hoje, na América Latina, todos esses governos, seja o Abelardo, na Colômbia, ou a Keiko, no Peru, vão se sustentar a partir do apoio dos Estados Unidos. E eles querem governar alinhados às agendas propostas pelos Estados Unidos”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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