O sarampo, uma doença já considerada erradicada por conta das vacinas, voltou a preocupar a saúde pública. Para se ter uma ideia, no ano passado, foram registrados 14.891 casos da doença em 14 países das Américas, com 29 mortes. Neste ano, somente até o dia 5 de março, foram 7.145 infecções confirmadas. No Brasil, há 18 casos neste momento de sarampo, sendo 15 em São Paulo. Por causa disso, o governo paulista anunciou para a próxima segunda-feira (3) o início de uma campanha de imunização.
O infectologista Alexandre Schwarzbold, professor da UFSM e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que os casos recentes vieram de outros países e que isso reforça a importância da barreira sanitária de fronteira. “Você vê a importância desses bloqueios que existem de fronteira e a necessidade do país estar imunizado para ele não ser foco, evidentemente, de infecção. O caso mais recente é de uma criança que não estava vacinada, ou seja, que estava com calendário vacinal incompleto e, portanto, ficou suscetível ao ter contato com alguém que trouxe o vírus desses países”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Schwarzbold reforça a importância da cobertura vacinal no país, destacando que, entre 2019 e 2024, o Brasil perdeu a certificação que atestava que o país estava livre da doença. “Precisamos de uma cobertura de 90%, 95%, dado que é uma doença com uma taxa de transmissão muito alta. Na primeira dose, apenas 77% das crianças foram vacinadas”, alerta. “Numa população como São Paulo, a cobertura vacinal é mais importante ainda.”
A indicação da imunização contra o sarampo é para a população em geral. O infectologista lembra que esse tipo de vacinação é feito há décadas no Brasil e que, hoje, as crianças são o público mais suscetível.
“Há mais de 20 anos a gente cobre a população e as nossas crianças com essa vacina. Então na fase adulta, a gente tem muito menos chance de adquirir, exatamente porque estamos protegidos. Agora nós temos uma redução importante da cobertura. Então, as crianças passam a ser talvez as prioridades”, destaca.
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