Ao menos 34 pessoas morreram afogadas desde a última quinta-feira (30) tentando atravessar a nado a fronteira entre o Marrocos e a cidade espanhola de Ceuta. Por conta dos incidentes, o governo espanhol enviou tropas do Exército para reforçar a segurança na região.
No fluxo, que é um dos maiores dos últimos anos, cerca de 49 mil pessoas cruzaram a fronteira nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério do Interior espanhol. Já o governo de Ceuta, que é uma região autônoma, apontou que cerca de 60 mil migrantes teriam entrado no enclave desde o início da semana. O número corresponde a quase 70% da população local, de 83 mil habitantes.
Mais de 37,5 mil migrantes já retornaram de Ceuta para o Marrocos, segundo o Ministério do Interior. Em nota, a pasta informou que as “saídas de Ceuta em direção ao Marrocos” ultrapassaram esse número até as 15h30 (10h30 no horário de Brasília) desta sexta-feira (31). O governo espanhol não detalhou se os retornos ocorreram de forma voluntária ou após procedimentos de devolução.
A maioria dos migrantes é composta por jovens marroquinos. Eles contornaram os quebra-mares da praia de Tarajal, uma das rotas costeiras mais perigosas da região. Segundo as autoridades espanholas, muitos dos corpos foram recuperados nas áreas. Diante do quadro, o governo enviou 60 agentes à agrupação de Reserva e Segurança, além de 30 guardas civis da Andaluzia. Mergulhadores do Grupo Especial de Atividades Subaquáticas também seguem trabalhando.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, esteve em Ceuta nesta sexta-feira (31) para tratar pessoalmente da situação. Ele concedeu entrevista coletiva e participou de uma reunião com o comando da polícia local.
Segundo ele, a crise migratória seria resultado de uma “interpretação tendenciosa” da decisão judicial recente. “O que aconteceu ontem foi um ataque, uma violação da integridade territorial da Espanha”, resumiu o primeiro-ministro.
As causas
Segundo o governo espanhol, parte do fluxo atual desta semana se explica por uma decisão da Justiça espanhola, confirmada no início do mês, que proibiu a devolução imediata de migrantes interceptados no mar ao tentarem entrar a nado em Ceuta ou Melilla. Na prática, a decisão teria servido como incentivo para a migração desenfreada, incluindo a ação de organizações de tráfico de pessoas. O Marrocos, por sua vez, responsabilizou redes criminosas locais.
A crise avançou sobre outros países da Europa. Nas últimas horas, a Itália chegou a pedir a suspensão da Espanha do espaço Schengen de livre circulação, criticando a política migratória espanhola. A França, por sua vez, disse que vai reforçar os controles na fronteira com a Espanha.
O caso desta semana tem semelhança com a crise de maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas entraram em Ceuta em apenas dois dias. Na época, o Marrocos flexibilizou os controles fronteiriços em razão de problemas diplomáticos com Madri.
Agora, os migrantes estão passando por identificação e encaminhamento a centros de acolhimento. A estrutura local, porém, opera no limite da capacidade.
