Crise humanitária

Ceuta: Espanha instala barreira no mar e dezenas de milhares retornam ao Marrocos

Número de mortos na travessia sobe para 67; Marrocos prende 70 pessoas por confrontos

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Migrantes no mar da praia de Trampolin enquanto aguardam a entrada no centro de acolhimento
Migrantes no mar da praia de Trampolin enquanto aguardam a entrada no centro de acolhimento | Crédito: Foto por JORGE GUERRERO/AFP

O fluxo sem precedentes de imigrantes para o enclave espanhol de Ceuta foi interrompido e a situação começa a ser revertida. Segundo autoridades da Espanha, a grande maioria das pessoas que entraram na cidade já retornou ao Marrocos, com estimativas superiores a 50 mil imigrantes fazendo o caminho de volta nas últimas horas. O ritmo de retorno chegou a atingir cerca de 150 pessoas por minuto.

Para conter definitivamente as entradas a nado, a Guarda Civil espanhola começou a instalar uma barreira flutuante de 500 metros no mar, na região da praia de Tarajal. Além da estrutura naval, soldados e policiais espanhóis seguem patrulhando as ruas de Ceuta e escoltando grandes grupos de imigrantes de volta à fronteira.

No lado marroquino, as autoridades prenderam pelo menos 70 pessoas suspeitas de envolvimento em atos de violência. Segundo agências internacionais, os detidos são acusados de tentativa de homicídio, incêndio criminoso e depredação durante confrontos com as forças de segurança ocorridos na madrugada de sexta-feira (31), na cidade de Fnideq.

O saldo da travessia em massa tem sido trágico: o número de mortos resgatados no litoral de Ceuta já subiu para 67, e mergulhadores mantêm buscas contínuas na região fronteiriça.

Os imigrantes que optaram pelo retorno voluntário relataram grande frustração. Ao chegarem a Ceuta, enfrentaram superlotação, fome, comércios fechados e forte hostilidade dos moradores locais, que chegaram a apedrejar e ameaçar os recém-chegados.

A crise também gerou retaliações diretas no continente europeu. Citando o risco de ameaça à ordem pública e à segurança interna, o governo da Itália suspendeu a livre circulação de pessoas com a Espanha (Acordo de Schengen), restabelecendo temporariamente os controles obrigatórios nas fronteiras aéreas e marítimas para passageiros vindos do território espanhol.

Editado por: Camila Salmazio

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