Palestina

Israel bombardeia Gaza e deixa pelo menos dois mortos horas após Hamas concordar com desarmamento

Bombardeios atingem hospitais; Israel recusa retirar tropas sem desarmamento prévio do grupo palestino

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Gaza após novos ataques de Israel, neste sábado (1º)
Gaza após novos ataques de Israel, neste sábado (1º) | Crédito: Eyad Baba/AFP

Horas após o Hamas anunciar que concordou com um plano para o seu desarmamento na Faixa de Gaza, Israel voltou a bombardear o território da Palestina neste sábado (1º). Os ataques aéreos deixaram pelo menos dois palestinos mortos, dezenas de feridos e atingiram depósitos de suprimentos médicos.

Conforme noticiado por agências internacionais, a defesa civil de Gaza relatou “danos extensos” a um depósito pertencente ao Hospital Al-Aqsa, em Deir el-Balah, na região central do território. O Ministério da Saúde palestino afirmou que a ofensiva destruiu dois de quatro armazéns da unidade, resultando na perda de materiais e suprimentos vitais para o atendimento de pacientes.

Além do complexo de Al-Aqsa, o Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza, recebeu vítimas após um ataque de drone no bairro de Sheikh Radwan. Ao ser questionado por veículos internacionais, o Exército israelense afirmou estar ciente dos incidentes e justificou que os alvos atingidos eram terroristas do Hamas.

A nova onda de bombardeios ocorre logo após o Hamas confirmar, na sexta-feira (31), a aceitação de um acordo para depor suas armas, passo que integra a segunda fase de um plano de paz e cessar-fogo. A proposta é apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e mediada pelo chamado “Conselho de Paz”.

Pelo texto do acordo, as armas pesadas do grupo extremista seriam transferidas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), que ficaria encarregado do armazenamento sob supervisão internacional. Dirigentes palestinos estimam que o processo de transição levará cerca de duas semanas para ter seu calendário e detalhes definidos.

Apesar da sinalização do Hamas, o governo israelense ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pacto. No entanto, fontes políticas e autoridades de Israel afirmaram que “não haverá retirada alguma” das tropas sem que haja um “desarmamento genuíno” do grupo, de acordo com informações da AFP e Reuters.

Em contrapartida, o Hamas mantém a exigência de que só entregará de fato o armamento mediante a retirada efetiva das forças israelenses. Um dirigente do grupo afirmou que fez concessões para salvar a população palestina da morte, e transferiu a responsabilidade da trégua ao declarar que “a bola está agora no campo da ocupação israelense”, conforme a AFP.

Para garantir a segurança e a governança durante essa transição de poder, o acordo também prevê a entrada de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza. Essa estrutura multinacional deverá atuar em conjunto com uma nova força policial palestina, preenchendo o vácuo de autoridade.

Enquanto as lideranças debatem a implementação deste roteiro, a população civil palestina segue enfrentando a continuidade da guerra. Moradores de Gaza relataram à imprensa internacional que as seguidas quebras de promessas de cessar-fogo geram desesperança, e muitos temem que Israel não implemente o acordo sem uma forte pressão internacional.

Editado por: Camila Salmazio

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