Eleições 2026

PT-GO define chapa com maioria de candidaturas negras entre as mulheres

Convenção estadual homologou 51 candidaturas; homens representam 60,8% da nominata do partido

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o PT era o quinto maior partido político em número de filiações no estado, são mais de 47 mil pessoas filiadas, destes 56,32% são homens e 43,67% mulheres
O PT era o quinto maior partido político em número de filiações no estado | Crédito: Túlio Queiroz

Das 18 candidatas com o gênero feminino registradas pelo Partido dos Trabalhadores em Goiás (PT-GO), 11 se autodeclaram não-brancas (pretas, pardas e uma indígena). O cenário muda ao analisar os 31 homens da legenda: 18 declarados brancos e 13 declarados pretos e pardos. As 51 candidaturas foram confirmadas, neste sábado (1º), durante a Convenção Estadual do partido, realizada em Goiânia.

A relação de candidaturas apresenta um cenário composto majoritariamente por homens, que somam 60,78% dos registros, seguidos por 18 mulheres e duas candidaturas com gênero não informado. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até 2024, o PT era o quinto maior partido político em número de filiações no estado, são mais de 47 mil pessoas filiadas, destes 56,32% são homens e 43,67% mulheres.

As candidaturas deste ano concentram-se em uma disputa eleitoral por mais cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego): do conjunto de 51 nomes, 14 disputam vaga na Câmara Federal e 37 concorrem à Assembleia. Com isso, a chapa proporcional da Federação vai para a disputa eleitoral com 42 candidatos e candidatas a deputado estadual e 18 a federal, onde, além dos números do PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem duas vagas para estadual e duas para federal e o Partido Verde (PV) tem três para estadual e duas para federal.

Entre as candidatas do PT em Goiás, a divisão por raça acompanha a divisão por cargo: das sete mulheres autodeclaradas brancas, três disputam para federal e quatro para estadual; entre as seis pretas, uma concorrerá a federal e cinco a estadual; e das quatro pardas, duas vão para cada instância. Fecha a lista feminina a candidatura indígena de Patrícia Rosa, única do partido nessa autodeclaração, disputando uma vaga na Assembleia.

Esses marcadores sociais ultrapassam o número de mulheres brancas na chapa, um dado que não se repete do lado masculino. Os 18 candidatos brancos já superam a soma de pretos e pardos, e a diferença ainda aumenta quando se olha cargo a cargo.

Geograficamente, 13 das 18 mulheres têm Goiânia como cidade declarada, sendo mais de 72% de toda a força feminina do partido, distribuídas entre quatro candidaturas federais e nove estaduais. As cinco restantes se pulverizam pelo interior e pelo Entorno do Distrito Federal, uma por município: Aparecida de Goiânia, Santo Antônio do Descoberto, Luziânia, Itumbiara e Anápolis.

Entre os homens, 11 candidatos declararam ter base na cidade, e mais um que se declarou dividido entre a capital e Nerópolis, seguidos por três em Aparecida de Goiânia e dois cada em Anápolis, Formosa e Padre Bernardo. As dez candidaturas restantes se espalham, uma por cidade, por municípios como Trombas, Itumbiara, Pirenópolis, Itaguari, Catalão, Goianápolis, Hidrolândia, Itapaci, Trindade e Posse.

 Pautas prioritárias

Em relação às pautas, informação que pode ser traçada por meio dos setoriais do partido – organização da sigla para constituição de pontes entre as pessoas filiadas e áreas específicas de atuação e movimentos sociais – o cenário geral é marcado por um alto índice de dados ainda não divulgados.

Das informações que foram divulgados sobre mulheres e seu primeiro setorial, Educação e Economia Solidária aparecem com maior concentração, seguidas por menções a Segurança Pública, LGBT+, Cultura, Sindical, Meio Ambiente, Direitos Humanos, Combate ao Racismo e Saúde. Entre os homens, Educação lidera com cinco indicações, e Cultura, Sindical e Comunitário aparecem com três cada; Direitos Humanos e Meio Ambiente somam duas candidaturas cada. Dos demais, Economia Solidária, Segurança, Agrário, Direitos Animais e Assistência Social aparecem uma única vez.

Conforme dados divulgados pelo PT-GO, há duas candidaturas com gênero não informado, uma de Rio Verde e outra de Goiânia, ambas para deputado estadual e autodeclaradas branca e parda, que juntas, representam 3,92% do total de 51 registros do partido. Nesses dois casos, o cenário setorial repete o padrão geral: ausência de dados de um lado, e do outro, escolha por pautas recorrentes, como Meio Ambiente e Cultura.

Direitos LGBT+

Dos 51 nomes que compõem a chapa do PT em Goiás, apenas dois se declararam expressamente parte da comunidade LGBT+: Ariel Luz, mulher trans, candidata a deputada estadual, e Fabrício Rosa, candidato a deputado estadual identificado como gay. A pauta ganha um terceiro nome pela via da atuação de Juliana Damando, candidata a deputada federal, que atua junto de Fabrício no setorial de direitos LGBT+. 

Em 2020, Fabrício Rosa recebeu 4.299 votos, sendo o 13º mais votado na disputa por uma cadeira na Câmara de Goiânia
Em 2020, Fabrício Rosa recebeu 4.299 votos, sendo o 13º mais votado na disputa por uma cadeira na Câmara de Goiânia | Crédito: Milson Tulle

É justamente nesse lugar, de setorial e de identidade somados, que o vereador de Goiânia, Fabrício Rosa, aponta um diferencial para estas eleições. “É a primeira vez que uma candidatura LGBT+ tem viabilidade para chegar na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.” O peso da candidatura é associado por ele à ausência quase total de estrutura de estado para a população. “Goiás carece de políticas públicas”, enfatiza.

A crítica ao perfil da Assembleia vem explícita: para Fabrício, trata-se de uma “casa formada por oligarcas, geralmente herdeiros, milionários”, que sua candidatura e as demais da chapa pretendem disputar em nome da “classe trabalhadora honrada, honesta, que faz uma política transparente, que faz uma política diferente”. Dos partidos políticos de Goiás, até 2024, 42.867 pessoas se declaram cisgênero, contra apenas 117 que se identificam como transgênero, conforme dados do TSE. Esse alcance ainda é limitado, dado que 92,55% das filiações não constam informações sobre identidade de gênero.

Movimentos Sociais e Sindicais

Conforme informações repassadas durante a Convenção, neste ano o PT em Goiás, não tem representações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no partido. Ficando assim, o candidato à reeleição como deputado estadual, Mauro Rubem como “ponte” da legenda com os movimentos, setorial que acompanha. Diante do cenário, reivindicar essa posição, de acordo com ele, tem haver com sua trajetória, e não com cargo política: “mais de 30 anos como aliado do MST e da luta pela reforma agrária, integrando a bancada do movimento na Assembleia desde o primeiro mandato”. 

Em Goiás, durante a gestão Caiado, foi sancionada a Lei Estadual Ordinária 22.419/2023 que instituiu a “política estadual de segurança pública nas faixas de domínio e lindeiras” das rodovias estaduais e federais do estado de Goiás. A legislação, encarada por especialistas como “criminalização dos movimentos sociais”, estabeleceu ações para a identificação, a imputação de crimes e a aplicação de penalidades a pessoas que ocupam as margens de estradas. Legislação essa que, também, pessoas de acampamentos como “invasoras”.

Público lotousalão durante a convenção estadual do PT em Goiás, que oficializou 51 candidaturas do partido ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, além da chapa ao governo do estado encabeçada por Luis César Bueno e Carlos Mundim
Público lotou salão durante a convenção estadual do PT em Goiás, que oficializou 51 candidaturas do partido ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, além da chapa ao governo do estado encabeçada por Luis César Bueno e Carlos Mundim | Crédito: Milson Tulle

Mauro afirma o compromisso em avançar contra a criminalização. De acordo com ele, mesmo diante da maioria de direita na Casa, o mandato conseguiu uma ação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) como resposta concreta ao histórico político-caiadista. Rubem ainda cita sobre o cenário de disputas territoriais em Goiás, fazendo referência ao Território Quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio de Goiás, como exemplo de “apropriação de terras derrotada pela mobilização popular”.

Meio ambiente

Vereadora em Goiânia e hoje candidata a deputada estadual, Katia Maria é a autora do Viva o Centro, projeto de requalificação da região central da capital que articula cultura e geração de emprego. Dentro do partido, tem como setorial o campo do Meio Ambiente. Questionada sobre a situação atual do avanço do agro-hidro-mineronegócio no estado e a narrativa sobre Goiás como palco dessas ofensivas, Katia disse que o debate não passa por um confronto com o agronegócio, mas por uma mudança de modelo.

“Não se trata de ser contra o agronegócio. Precisa ser uma conscientização, para que o agronegócio entenda que o modelo produtivo precisa ser um modelo produtivo que preserve o meio ambiente. Porque sem água o agronegócio também não vai produzir”, explicou. A candidata cita a conscientização até mesmo dentro dos movimentos: “o que eu tenho presenciado é inclusive movimentos da agricultura familiar arrendando terreno para o agronegócio, o próprio pequeno produtor tem sido cooptado por esse modelo”.

A candidata defende o fortalecimento da agricultura familiar como caminho paralelo: “Nós precisamos ter a agricultura familiar de forma muito sólida, com reforma agrária, produzindo no território, garantindo comida de verdade na mesa das pessoas”. Diante do discurso entre dois modelos de produção distintos, e que tal distinção vem sendo denunciada pelos povos e comunidades por meio do extermínio de terras-territórios, o Brasil de Fato DF perguntou a candidata se seria possível sentar agronegócio e reforma agrária na mesma mesa.

Katia recorre a uma metáfora para resumir o risco do modelo atual: “Você não precisa colocar na mesma mesa, mas o agronegócio precisa ter consciência que eles precisam ter um modelo produtivo mais sustentável, a famosa metáfora da galinha dos ovos de ouro: do jeito que vai, daqui um dia a gente não tem os ovos, e aí não vai ter nem para o agronegócio tradicional, nem para a agricultura familiar”. 


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Editado por: Flavia Quirino

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