AJUDA HUMANITÁRIA

Ação da Cidadania envia 30 toneladas de alimentos a famílias atingidas pelas chuvas no RS

Organização também prepara remessas de água potável e kits de higiene aos vales do Taquari, Caí e Rio Pardo

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Temporal destelhou mais de 210 casas e derrubou dezenas de postes e árvores em Osório (RS)
Temporal destelhou mais de 210 casas e derrubou dezenas de postes e árvores em Osório (RS) | Crédito: Divulgação/Prefeitura de Osório

A organização não governamental Ação da Cidadania acionou o protocolo de emergências e iniciou o envio de 30 toneladas de alimentos para atender famílias desabrigadas pelas fortes chuvas que voltaram a atingir o Rio Grande do Sul nas últimas semanas. As primeiras cargas seguem para o Vale do Taquari, o Vale do Caí e o Vale do Rio Pardo, regiões apontadas pela entidade como as mais afetadas pela rápida elevação dos rios e pelos danos provocados pelas precipitações.

Além dos alimentos, a organização prepara o envio de água potável, kits de higiene e outros itens considerados essenciais, conforme as necessidades identificadas pela rede de comitês na região. A campanha também recebe doações. As formas de contribuição estão detalhadas no final da matéria.

Segundo a Ação da Cidadania, a atuação no estado é permanente, por meio de um comitê local. A entidade também esteve entre as principais organizações que prestaram auxílio durante enchentes anteriores no Rio Grande do Sul.

Chuvas recorrentes voltam a pressionar rios e municípios

O novo ciclo de temporais que atinge o Rio Grande do Sul desde meados de julho tem provocado sucessivas atualizações dos balanços oficiais sobre os estragos. Segundo o levantamento mais recente da Defesa Civil estadual, ao menos 136 municípios gaúchos registraram danos e mais de mil pessoas ficaram fora de casa. Os pontos mais críticos estão concentrados na Região Metropolitana de Porto Alegre e nos vales dos rios do interior do estado. O mesmo boletim indica que permanece o risco de novos temporais até meados de agosto.

Dias antes, um balanço da Defesa Civil havia contabilizado 779 pessoas desabrigadas e 297 desalojadas em 128 municípios, além de mais de 1,5 mil residências danificadas por granizo, ventos fortes, alagamentos e destelhamentos.

Em Lajeado, um dos municípios historicamente mais vulneráveis às cheias do rio Taquari, o abrigo montado no parque do Imigrante chegou a acolher 98 famílias, totalizando 270 pessoas. Muitas delas já haviam sido atingidas pelas enchentes de 2023 e 2024.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém alertas de inundação para outros trechos do território estadual. Boletins do órgão indicaram risco muito alto de inundação no rio Uruguai, em São Borja, e no rio Jacuí, em Cachoeira do Sul. A barragem Santa Lúcia também permanece sob monitoramento e pode motivar a emissão de novos alertas por mensagem de texto à população.

Vale do Taquari concentra a maior parte dos desabrigados

Balanços anteriores da Defesa Civil mostram que os impactos não se distribuem de maneira uniforme pelo estado. Em um dos levantamentos, o Vale do Taquari concentrava 87,23% das 1.099 pessoas fora de casa, entre 728 desabrigadas e 371 desalojadas. Sozinha, Lajeado respondia por mais da metade dos casos.

O mesmo relatório apontou danos em prédios públicos e unidades de saúde. Em David Canabarro, a água invadiu a prefeitura, o piso térreo do hospital e uma unidade de saúde. Em Bagé, um hospital também registrou alagamento, sem necessidade de remoção de pacientes. Escolas de diferentes municípios chegaram a suspender as aulas por danos estruturais ou pela interrupção de pontes de acesso.

Protocolo emergencial e campanha de doações

Diante desse cenário, a Ação da Cidadania afirma que acompanha a situação desde os primeiros alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento climático. A atuação tem como base um plano de preparação para emergências desenvolvido pela organização para reduzir o tempo entre o alerta e a chegada da ajuda humanitária.

Segundo a entidade, o protocolo também prevê o monitoramento permanente da situação para uma eventual ampliação do atendimento, caso o quadro se agrave nos próximos dias.

O diretor-executivo da Ação da Cidadania, Rodrigo Kiko Afonso, afirma que os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e passaram a exigir respostas rápidas e coordenadas. Segundo ele, a entidade já monitorava os impactos do novo ciclo do fenômeno El Niño e estruturava a capacidade de resposta para agir assim que fosse necessário.

Afonso pondera que as necessidades das famílias podem aumentar rapidamente. Por isso, a organização conta com o apoio da sociedade, de empresas e de parceiros para ampliar a operação.

Em paralelo à distribuição dos itens, a entidade intensificou uma campanha nacional de arrecadação financeira, apontada como a forma mais rápida de ampliar a resposta humanitária. Segundo a Ação da Cidadania, os recursos serão destinados à compra de alimentos, água potável e kits de higiene, além do apoio a cozinhas solidárias e a outras necessidades identificadas nas comunidades atingidas pelas chuvas.

Como contribuir com a campanha

As doações para a campanha emergencial da Ação da Cidadania podem ser feitas pelo site da organização. Pessoas jurídicas interessadas em contribuir também podem entrar em contato pelo e-mail [email protected].

Segundo a entidade, os recursos arrecadados serão destinados exclusivamente às ações de resposta humanitária voltadas às famílias atingidas pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

Editado por: Marcelo Ferreira

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