LEI MARIA DA PENHA

Centro Popular de Solidariedade recebe ação da Defensoria Pública em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha

Atividade contará com serviços jurídicos, atendimentos de saúde e fortalecimento da rede de proteção às mulheres

No audio source provided.
Foto de uma senhora sendo atendida pela DPCE
Valdizia Nascimento (67), foi uma das atendidas pelo projeto Defensoria em Movimento, realizado no mês de junho, na Barra do Ceará | Crédito: Millin Albuquerque/Leonardo Oliveira/DPCE

Em comemoração aos 20 anos da Lei Maria da Penha, criada em 2006, a Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) promove, nesta terça e quarta-feira (4 e 5), no Centro Popular de Solidariedade (CPS), em Fortaleza, uma programação especial de atendimentos voltada exclusivamente para as mulheres. A iniciativa será realizada por meio da unidade móvel Defensoria em Movimento, que também passará por Juazeiro do Norte nos dias 13 e 14 de agosto, no Centro de Apoio ao Romeiro.

A programação marca as duas décadas da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Desde sua criação, a legislação estabeleceu mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores, além de fortalecer a atuação da rede de atendimento às vítimas. Com isso, a ação busca ampliar o acesso à justiça, fortalecer a rede de proteção às mulheres e garantir orientação jurídica à população. Entre os serviços ofertados estão atendimentos relacionados à violência doméstica e familiar, direito de família, guarda, pensão alimentícia, divórcio e outras demandas voltadas à garantia de direitos.

Segundo a supervisora do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem), defensora pública Jeritza Braga, a iniciativa também representa um momento de reafirmar a importância da Lei Maria da Penha e dos avanços conquistados desde sua implementação. “Celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha é reconhecer uma das maiores conquistas dos direitos das mulheres no Brasil. A Defensoria Pública integra essa rede de proteção e, por meio dessa ação, busca levar informação, orientação jurídica e acolhimento para que cada mulher saiba identificar situações de violência e conheça os mecanismos disponíveis para romper o ciclo da violência”, afirma.

A defensora ressalta, no entanto, que ainda há desafios para garantir a efetividade da legislação. “A Lei Maria da Penha mudou a forma como o Estado enfrenta a violência doméstica, mas o desafio continua. É preciso seguir combatendo a cultura da violência contra a mulher e garantir que todas tenham acesso aos seus direitos, proteção e justiça”, destaca.

Para a militante do Movimento Brasil Popular e integrante do Centro Popular de Solidariedade, Lívia Moreira, receber a ação da Defensoria Pública reforça o papel do equipamento como espaço de promoção de direitos e fortalecimento da rede de proteção nos territórios periféricos. “O Centro Popular de Solidariedade tem se consolidado como um importante equipamento social de valorização da arte, da cultura e do esporte, mas também na efetivação dos direitos da população periférica e urbana. Sediar essa ação reafirma esse compromisso com a defesa dos direitos do nosso povo, em especial das mulheres, e com o combate às múltiplas violências que elas enfrentam”, ressalta.

Lívia destaca que o CPS atua como uma tecnologia social voltada a aproximar a população dos serviços públicos existentes, reduzindo barreiras de acesso aos direitos. “O CPS não é e nem pretende ser um braço do Estado. Nosso papel é aproximar a população que mais precisa dos serviços já ofertados, mas que muitas vezes são burocratizados e acabam distantes das comunidades periféricas”, explica.

Em Fortaleza, os atendimentos ocorrerão em dois dias, dos quais o primeiro deles será destinado apenas à triagem e prestação de orientações sobre a documentação necessária para cada tipo de demanda. Já no segundo dia, defensoras e defensores públicos farão os atendimentos jurídicos, e outros equipamentos também realizarão atendimentos, como o Caminhão Cidadão, com a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN); o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) com inclusão e atualização do Cadastro Único (CadÚnico), além de agendar a emissão do novo RG; o Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará (Uece) também participará com orientações sobre a rede de assistência social, especialmente relacionadas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e à Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).

Funcionamento dos atendimentos

Além dos atendimentos da Defensoria Pública, a programação reunirá diversos órgãos e instituições parceiras para oferecer serviços gratuitos à população. Na área de defesa de direitos, a Central da Mulher do 1º Juizado Especializado de Defesa da Mulher oferecerá orientações sobre medidas protetivas em andamento. A iniciativa conta ainda com a presença do Centro de Referência LGBT+ Janaína Dutra, responsável pelo acolhimento e atendimento voltado à população LGBT+. Além disso, o Procon prestará orientações sobre Direito do Consumidor, com foco na negociação de débitos junto à Enel e à Cagece.

Os participantes também terão acesso a serviços de saúde e mobilidade, como consultas médicas e nutricionais, aferição de pressão arterial, sessões de massoterapia e exames de optometria, oferecidos pela Coordenadoria de Saúde da Polícia Civil do Estado do Ceará (CoSaúde). Já a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) emitirá carteiras de estudante, enquanto o Sindiônibus realizará o cadastro para passe livre destinado a pessoas idosas e neurodivergentes.

A expectativa do Centro Popular de Solidariedade é ampliar o alcance das ações de solidariedade que já são realizadas semanalmente no espaço. “Com o apoio da Defensoria Pública, esperamos ampliar significativamente o número de atendimentos, alcançar mais pessoas e oferecer uma rede de serviços ainda maior. Nesta ação, os atendimentos da Defensoria terão prioridade para as mulheres, fortalecendo o acesso à justiça e à garantia de direitos”, afirma Lívia Moreira.

Com a iniciativa, a Defensoria Pública pretende aproximar os serviços da população, ampliar o acesso aos direitos e reforçar a rede de proteção às mulheres, utilizando o marco dos 20 anos da Lei Maria da Penha para incentivar a informação, o acolhimento e o enfrentamento à violência de gênero.

:: Clique aqui para receber notícias do Brasil de Fato Ceará no seu WhatsApp ::

Editado por: Lívio Pereira

|

Newsletter