oriente médio

‘Com a corda no pescoço’: como Netanyahu usa ataques em Gaza para sustentar projeto político

Em meio a pressões eleitorais internas em Israel e ceticismo sobre a mediação dos Estados Unidos, Israel faz novo ataque

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Gaza após novos ataques de Israel, neste sábado (1º)
Gaza após novos ataques de Israel, em 1º de agosto de 2026 | Crédito: Eyad Baba/AFP

Horas após o Hamas anunciar que aceitou um plano de desarmamento na Faixa de Gaza, Israel voltou a bombardear o território palestino no final de semana deixando ao menos 13 mortos. O Exército israelense afirmou que os alvos eram integrantes do Hamas.

O acordo aceito pelo grupo prevê, na segunda fase do plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, a entrega das armas pesadas ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, sob supervisão internacional, além da criação de uma força internacional de estabilização para atuar ao lado de uma nova força policial palestina.

O Hamas condiciona a entrega definitiva das armas à retirada das tropas israelenses, enquanto Israel exige um desarmamento efetivo antes de qualquer retirada.

Neste domingo (2), o ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, afirmou que não existe acordo para encerrar os ataques aéreos e reiterou que o Hamas deve ser desmantelado antes de qualquer avanço, dizendo ser cético quanto ao desarmamento do grupo. Cohen também defendeu que Israel assuma o controle total da Faixa de Gaza, da qual já controla cerca de 70%.

Embora o acordo anunciado pelo chamado “Conselho de Paz” do presidente Donald Trump preveja a interrupção das operações militares, a retirada progressiva das tropas israelenses e o desmantelamento dos grupos armados, Israel ainda não se pronunciou oficialmente sobre o texto.

A jornalista Flávia Gianini, especialista em economia e política internacional, avalia que Israel deve continuar usando o enfrentamento ao Hamas como desculpa para seguir seu projeto expansionista no Oriente Médio. “A gente tem que lembrar que Israel tem eleições gerais em menos de três meses e o Netanyahu está bem pressionado, não pela opinião pública, porque a opinião pública de Israel apoia a política feita em Gaza, mas o contorno político dele, onde tem pessoas que discordam, outras que concordam. De qualquer forma, você não pode pedir para um grupo se desmilitarizar, entregar as armas, parar os ataques e ao mesmo tempo, enquanto você fazer essa exigência e eles concordam com esse acordo, você vai lá e ataca novamente e atinge alvos civis”, aponta em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Na avaliação de Gianini, Netanyahu está “com a corda no pescoço” e, por essa razão, por mais que diálogos na direção de um acordo possam estar sendo feitos sob a batuta de Trump, o israelense vai pressionar “quem é mais frágil”. Por causa desse cenário, a suposta mediação feita pelo líder estadunidense tem se mostrado insuficiente no que diz respeito a uma saída diplomática para o conflito. “Na verdade, existe até uma acusação da Frente Popular de Libertação de Gaza, que soltou dois comunicados esse fim de semana dizendo que esse jogo que o Netanyahu faz com os Estados Unidos de ir até Washington, ser recebido pelo presidente, sair cheio de sorrisos e no outro dia ser desmentido, isso é simplesmente um jogo para poder permanecer na situação que existe na região e gerar instabilidade é mais do que preciso”, avalia. 

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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