Japão

EUA e Japão intervêm juntos para sustentar o iene, perto de mínima em 40 anos

Operação inédita desde 1998 conta com o respaldo de Trump para estabilizar a divisa japonesa, que chegou a 164 por dólar

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A primeira-ministra do Japão, Tanae Takaichi, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
A primeira-ministra do Japão, Tanae Takaichi, e o presidente dos EUA, Donald Trump. | Crédito: Takanobu Sawano / The Yomiuri Shimbun via AFP

Os Estados Unidos e o Japão confirmaram, no último domingo (2), uma intervenção conjunta no mercado de câmbio para sustentar o iene. Na semana passada, a moeda japonesa chegou a ser cotada a 164 por dólar, na cotação mais baixa em quase 40 anos. Essa é a primeira vez desde 1998 que os Estados Unidos compram ienes ao lado do Japão, visando o reforço monetário. 

A operação começou na semana passada, quando o governo japonês e o Banco do Japão compraram ienes por dois dias seguidos, segundo o jornal Nikkei. Já na sexta-feira (31), foi a vez do Federal Reserve vender euros para adquirir ienes em nome do Tesouro estadunidense. A operação contou com o apoio dos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. 

Segundo o presidente Donald Trump, a decisão foi tomada em apoio ao Japão. “Temos um ótimo relacionamento com o Japão. Eles têm um iene enfraquecido e queriam um pouco de ajuda. E nós sempre estamos aqui para o Japão. O Japão tem sido muito bom para nós, com exceção, é claro, de Pearl Harbor”, mencionou o mandatário.

O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também fez coro à decisão, dizendo que o país apoia “fortemente as medidas decisivas do Japão no mercado cambial e na política monetária para corrigir a substancial desvalorização do iene”. O Ministério das Finanças japonês, por sua vez, informou em comunicado que a intervenção teria neutralizado “a volatilidade excessiva e os movimentos desordenados do iene nos últimos meses”. 

Os efeitos da medida

A operação conjunta tem como base o fato de que o Japão tem enfrentado problemas econômicos de ordem interna e externa. O país, tradicionalmente, é habituado a lidar com taxas de inflação baixas. Na década de 2010, por exemplo, os percentuais anuais ficavam abaixo de 1%. Essa realidade mudou no período pós-pandemia, fazendo com que os japoneses tenham que enfrentar taxas anuais acima dos 2%.

Por conta deste quadro, o Banco do Japão teve que subir levemente a taxa de juros, habitualmente mantida em patamares mínimos. Décadas de taxas baixas, porém, fizeram com que o iene se convertesse em ativo de baixo apelo para investidores internacionais.

Além disso, o Japão, habitualmente, depende da importação de energia e alimentos. Com a guerra no Oriente Médio, o país passou a ser um dos mais afetados pela interrupção na cadeia global de petróleo, o que pressionou os preços para os consumidores. Os gastos do governo em subsídios, na tentativa de amenizar os efeitos da crise do petróleo, fizeram a dívida pública japonesa superar a casa dos 200% do Produto Interno Bruto (PIB).

Nesse cenário fiscal, a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida apoiadora de Trump, passou a enfrentar problemas nas pesquisas de opinião. No último mês de abril, Takaichi chegou a anunciar um corte temporário no imposto sobre vendas de alimentos. Enquanto isso, o governo prepara um pacote de gastos públicos que deve ampliar o endividamento do país. 

Esses fatores podem levar a uma maior volatilidade no mercado de câmbio, pressionando o iene. Ao menos por ora, a moeda japonesa chegou a ser negociada a 155 para cada dólar, mas o valor, no início desta semana, já voltou a subir.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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