chapa da reeleição

Frente ampla em volta de Lula quer impedir volta da extrema direita e ampliar espaço no Congresso

Analistas comparam campanha de 2022 e 2026 e consideram que, agora, alianças estão mais consolidadas em torno de Lula

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Geraldo Alckmin (PSB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetem chapa para reeleição em 2026
Geraldo Alckmin (PSB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetem chapa para reeleição em 2026 | Crédito: Ricardo Stuckert

A candidatura à reeleição do presidente Lula (PT) foi oficializada neste domingo (2) em convenção partidária realizada no Expocenter Norte, em São Paulo (SP), que reuniu nomes consolidados do PT, do PSB, do PDT, do PV, da Rede, do PCdoB e do Psol. O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, foi também confirmado na chapa.

Em seu discurso, com duração de mais de uma hora, Lula se mostrou bastante à vontade, falando diretamente ao seu eleitorado e voltando-se à base do partido e suas origens no sindicalismo. Além disso, o presidente adotou um tom bastante contundente, falou em um novo governo de mais ousadia e “salto de qualidade” e encerrou a fala com a frase: “Acabou o Lula paz e amor, agora é o Lula porreta”.

A cientista política Priscila Lapa avalia que Lula procurou lembrar do passado e unir com o propósito de futuro de sua candidatura, considerando este último governo em que o presidente encontrou especial resistência de governabilidade por causa da atuação do Congresso.

“Isso já era desenhado a partir do processo da eleição de 2022, mas talvez tenha sido subestimada a capacidade do Congresso de ser um ponto de veto muito importante para as políticas do governo. E o governo acabou tendo uma certa incapacidade de articulação política mais efetiva que pudesse dar um pouco mais de autoridade sobre a agenda de políticas públicas que ia ser implementada no Brasil. Então, o presidente Lula traz isso no seu discurso quando aponta para algum tipo de inovação, de ousadia para um próximo mandato”, afirma ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

Para Lapa, qualquer um que sair vitorioso na disputa presidencial terá que considerar qual a estratégia adotada para lidar com o Congresso. “Ele traz esse elemento de uma articulação política, de cuidar disso melhor, como sendo um fator decisivo, porque, de fato, qualquer um, mas principalmente ele, que já tem um processo de desgaste pelo fato de estar sentado atualmente na cadeira de presidente, precisa estabelecer uma nova correlação de forças para que não se torne refém de uma agenda que o Congresso vai impondo”, aponta.

Na comparação da candidatura de Lula em 2022 para a de agora, na avaliação do jornalista do Brasil de Fato, Lucas Salum, que acompanhou a convenção, a equipe está “mais à frente”, especialmente quando se fala na consolidação da chamada Frente Ampla formada por PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, junto com Psol, Rede, PSB e PDT. “Soraya Thronicke, que não é assim um grande nome da política nacional, uma senadora muito consolidada, mas chama atenção que ela foi opositora ao Lula no primeiro turno em 2022, junto com a Simone Tebet, que era uma outra candidata e fez várias críticas, era uma opositora e depois aderiu ao governo, filiou-se ao PSB. Ela estava de vermelho na convenção. É um gesto simbólico”, destaca.

Ao Conexão BdF, da Rádio BdF, a cientista política Rosemary Segurado observa que a validação da candidatura de Lula por essa grande Frente Ampla é importante porque mostra uma unidade fortalecida das legendas progressistas em um cenário de bastante polarização. “Sinaliza uma agenda em comum, o compromisso de impedir que a extrema direita volte ao poder, que o fascismo ameace a democracia brasileira”, avalia.

Segurado também destaca como ponto positivo o uso da expressão “porreta” por parte de Lula em seu discurso, porque ela ilustra a personalidade aguerrida do presidente e das pessoas que lutam, “não se entregam e vão até o fim em suas batalhas”. Ela aponta o quanto, em 2022, o bolsonarismo que estava no poder tentou de tudo para inviabilizar a candidatura de Lula e, agora, Flávio Bolsonaro tenta mais uma vez deslegitimar o processo eleitoral brasileiro atacando as urnas eletrônicas.

“Era uma dificuldade, porque as forças políticas em torno da direita e da extrema direita fecharam com a candidatura de Bolsonaro. Elas podiam ter vencido aquela eleição. E os aliados, aquela frente ampla que nós chamávamos naquele momento, ainda estavam se compondo e demonstrando essa capacidade de chegar ao poder, como demonstraram. Essa etapa já foi e agora eu acho que o presidente Lula coloca questões importantes e que precisam de um enfrentamento muito sério, de que precisam de um presidente muito firme para dizer: ‘Isso é inaceitável'”, pondera.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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