Resistência

Sambadeiras de Roda: conheça o coletivo que fortalece mulheres negras por meio da cultura popular no DF

Criado por Camila Ferreira e Diangala na pandemia, grupo leva adiante saberes ancestrais e constrói redes de apoio

No audio source provided.
O coletivo Sambadeiras de Roda reúne mulheres negras de diferentes gerações para preservar o samba de roda como expressão de memória, resistência e fortalecimento da cultura afro-brasileira
O coletivo Sambadeiras de Roda reúne mulheres negras de diferentes gerações para preservar o samba de roda como expressão de memória, resistência e fortalecimento da cultura afro-brasileira | Crédito: Divulgação Sambadeiras de Roda

Antes de se tornar um coletivo que reúne dezenas de mulheres negras em torno do samba de roda, as Sambadeiras de Roda nasceram de uma inquietação compartilhada. Em um espaço onde a presença feminina sempre foi indispensável para manter viva a tradição, mas nem sempre reconhecida em posições de protagonismo, Camila Ferreira e Diangala passaram a questionar por que tocar atabaques, conduzir cantigas ou liderar uma roda ainda eram lugares predominantemente ocupados por homens.

Foi em meio a essas reflexões, intensificadas durante a pandemia do covid-19, que as duas decidiram criar um espaço próprio. O que começou como encontros entre poucas mulheres para tocar, cantar e conversar sobre suas vivências cresceu de forma espontânea e se transformou em um coletivo que hoje une cultura popular, ancestralidade, espiritualidade e fortalecimento feminino.

A história das Sambadeiras de Roda ganha ainda mais significado no mês de julho, marcado pelo Julho das Pretas, mobilização que celebra o protagonismo das mulheres negras latino-americanas e caribenhas e reforça a luta contra o racismo, o sexismo e as diferentes formas de violência. Inspirada pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a campanha destaca iniciativas que preservam a memória, a cultura e os direitos das mulheres negras, missão que o coletivo brasiliense incorpora em cada roda de samba.

Para as idealizadoras, no entanto, a trajetória das Sambadeiras nunca foi apenas sobre música. O samba de roda tornou-se um caminho para fortalecer mulheres negras, preservar saberes ancestrais e construir redes de apoio capazes de enfrentar violências ainda presentes dentro e fora dos espaços culturais.

Um chamado que começou muito antes do coletivo

Embora o coletivo tenha surgido em 2021, a relação de Camila Ferreira com o samba começou muitos anos antes. Filha de terreiro desde os 13 anos, ela conheceu a manifestação ainda na adolescência, em celebrações das religiões de matriz africana. O primeiro elemento que despertou sua atenção foi o som do atabaque, instrumento que passaria a ocupar um lugar central em sua própria trajetória.

Mais tarde, por meio da capoeira Angola, Camila aprofundou esse contato. Nas rodas, percebeu que capoeira e samba de roda caminhavam lado a lado, compartilhando histórias, ritmos e tradições herdadas da população negra brasileira. Mas foi a chegada do mestre baiano Sid Aroeira ao Distrito Federal, por volta de 2015, que mudou definitivamente sua percepção sobre aquela manifestação cultural.

Segundo ela, o encontro com o samba de roda rural representou um marco para a cena cultural do DF e também para sua própria caminhada como sambadeira.

“A primeira vez que vi esse samba foi o tipo de samba que me despertou uma coisa que eu nunca tinha sentido antes. Esse samba tem um negócio diferente. Para mim, existe um divisor de águas muito grande na questão cultural do samba de roda no Distrito Federal: antes da chegada do mestre Cid Aroeira e depois”, afirma Ferreira.

Essa descoberta também aproximou Camila de outras mulheres que compartilhavam o mesmo interesse pelo samba de roda. Entre elas estava Diangala, que anos depois se tornaria sua parceira na criação das Sambadeiras de Roda.

Quando duas histórias se encontraram

Na roda, a dança é uma forma de expressão, ancestralidade e fortalecimento da identidade das mulheres negras
Na roda, a dança é uma forma de expressão, ancestralidade e fortalecimento da identidade das mulheres negras | Crédito: Divulgação Sambadeiras de Roda

Enquanto Camila descobria no atabaque um caminho de pertencimento, Diangala também construía sua relação com o samba de roda por meio da capoeira. Frequentadora do Mercado Sul, em Taguatinga, ela participou da primeira roda em fevereiro de 2016, durante uma celebração do Dia de Iemanjá, sem imaginar que aquela experiência mudaria sua vida.

Acostumada ao samba em outros formatos, ela estranhou quando recebeu a orientação para vestir saia e turbante antes da roda. Mesmo desconfiada, decidiu participar. Bastaram alguns minutos para entender que estava diante de algo completamente novo.

Ao ser conduzida para o centro da roda por uma sambadeira mais experiente, Diangala conta que sentiu uma força que ainda hoje considera impossível explicar apenas com palavras.

“Quando passei na frente dos atabaques, senti uma força muito grande. Meu corpo inteiro estremeceu. No outro dia, uma amiga disse que meu corpo só estava relembrando o que estava adormecido dentro de mim. Na hora eu não entendi, mas aquilo ficou comigo”, explica. 

Depois daquele primeiro encontro, o samba de roda passou a fazer parte da rotina. Sempre que havia uma roda organizada pelo mestre Cid Aroeira ou por outros grupos ligados à capoeira, Diangala fazia questão de estar presente. Aos poucos, o que começou como curiosidade se transformou em compromisso com uma tradição que, segundo ela, alimentava sua própria existência.

Foi também nesse período que ela conheceu Camila. As duas passaram a frequentar os mesmos espaços culturais e perceberam que compartilhavam inquietações semelhantes sobre o lugar destinado às mulheres dentro das rodas de samba.

Embora o samba de roda reconheça historicamente a importância feminina, elas observavam que, na prática, ainda existiam barreiras para que mulheres ocupassem funções de liderança musical. Tocar atabaques, conduzir cantigas ou iniciar uma roda eram tarefas frequentemente associadas aos homens.

Camila lembra que esse incômodo se tornava ainda mais evidente quando decidia assumir o instrumento que sempre despertou sua atenção desde a adolescência.

“A gente fala que samba de roda sem mulher não existe. Mas qual é o espaço dessa mulher dentro desse samba? Eu começava a tocar atabaque e puxar cantigas e percebia aqueles olhares, principalmente dos homens, como se perguntassem o que aquela menina preta estava fazendo ali. Não eram olhares acolhedores”, declarou.

Segundo ela, a exclusão nem sempre acontecia de forma explícita, mas estava presente em práticas naturalizadas ao longo dos anos.

“Às vezes, os próprios companheiros nem percebiam que estavam sendo machistas. Quando uma mulher não podia pegar um atabaque, tocar um instrumento ou puxar uma cantiga, isso também era machismo”, argumenta a sambadeira.

Da inquietação ao coletivo

A roda é construída pela interação entre música, canto, percussão e dança, elementos centrais da tradição das sambadeiras
A roda é construída pela interação entre música, canto, percussão e dança, elementos centrais da tradição das sambadeiras | Crédito: Divulgação Sambadeiras de Roda

Com a chegada da pandemia de covid-19 e a interrupção das rodas presenciais, Camila e Diangala passaram a conversar com mais frequência. O isolamento abriu espaço para longas reflexões sobre cultura popular, ancestralidade e, principalmente, sobre a necessidade de construir um ambiente onde mulheres negras pudessem exercer plenamente seu protagonismo.

Enquanto Camila descreve esse período como um tempo de inquietações guiadas pelos “ventos de Iansã”, Diangala recorda que recebeu, em sua casa, um incentivo que considera decisivo para transformar o desejo em ação.

Ela conta que, durante um atendimento espiritual conduzido por Dona Roseira, ouviu um questionamento que mudaria completamente sua trajetória.

“Ela perguntou: ‘O que você está fazendo pelo samba de roda?’. Eu respondi que não estava fazendo nada. Ela disse que eu precisava fazer alguma coisa. Saí dali com a cabeça fervendo, pensando como faria isso se nem tocar tambor eu sabia”, conta.

Dias depois, surgiu a oportunidade de organizar uma live sobre samba de roda durante a pandemia. A transmissão reuniu antigos companheiros de caminhada e reacendeu a vontade de criar algo permanente. Ao fim daquele encontro virtual, Camila e Diangala passaram horas conversando por telefone sobre tudo o que vinham sentindo nos últimos anos.

Quando os encontros presenciais voltaram a ser possíveis, elas decidiram se reunir para tocar, cantar e experimentar, sem qualquer pretensão de fundar um coletivo.

As primeiras rodas aconteceram entre apenas quatro mulheres. Aos poucos, outras participantes chegaram, convidadas por amigas ou atraídas pela proposta de construir um espaço onde a cultura popular dialogasse com acolhimento, escuta e fortalecimento coletivo.

“A gente não começou pensando em formar um grupo. Foi acontecendo de forma muito natural. As mulheres foram chegando, e a gente foi entendendo que aquilo era muito maior do que uma roda de samba”, lembra Diangala.

Para Camila, o crescimento espontâneo revelou que havia uma demanda reprimida por espaços protagonizados por mulheres negras.

“Todas as mulheres que chegavam eram mulheres de luta. A gente percebeu que estava construindo um lugar onde elas podiam compartilhar suas vivências, suas dores e também sua força”, relembra.

A musicalidade é transmitida coletivamente, valorizando o aprendizado e a preservação dos saberes tradicionais
A musicalidade é transmitida coletivamente, valorizando o aprendizado e a preservação dos saberes tradicionais | Crédito: Divulgação Sambadeiras de Roda

Muito além da roda de samba

À medida que novas mulheres chegavam ao coletivo, Camila e Diangala perceberam que os encontros deixavam de cumprir apenas uma função cultural. Entre um ensaio e outro, as rodas passaram a ser também espaços de escuta, troca de experiências e debates sobre racismo, machismo, violência de gênero e os desafios enfrentados diariamente por mulheres negras.

Sem que houvesse um planejamento inicial para isso, o grupo passou a compreender que fazia política a partir da cultura. Para as idealizadoras, reunir mulheres negras periféricas para cantar, tocar tambores e discutir seus direitos já representava, por si só, um ato de resistência.

“A gente foi entendendo o poder dessa coletividade. É impossível um grupo de mulheres pretas se reunir e não conversar sobre a questão racial, sobre o preconceito que a gente vive, sobre os espaços que a gente ocupa. Tudo isso veio de forma muito natural e a gente começou a perceber que o nosso grupo também era político”, explica Camila.

Segundo ela, o samba de roda não pode ser desvinculado das lutas sociais porque nasceu da resistência da população negra e continua sendo um instrumento de afirmação.

“Quando um grupo de mulheres pretas periféricas se reúne para conversar sobre direitos, sobre política e sobre os nossos lugares na sociedade, isso também é revolucionário. A cultura também é política.”

Diangala afirma que a consolidação das Sambadeiras de Roda aconteceu sem que as próprias integrantes percebessem. Enquanto elas apenas acolhiam novas participantes e fortaleciam os laços entre si, quem estava de fora já enxergava o coletivo como uma referência.

“As pessoas perceberam primeiro do que a gente. A gente não tinha a pretensão de formar um grupo. Foi crescendo naturalmente. As mulheres foram chegando, trazendo suas histórias, suas militâncias e suas forças. Hoje eu olho e penso: as Sambadeiras são um grupo muito forte”, afirma Diangala.

Para ela, a diversidade de experiências nunca foi um obstáculo para o coletivo. Pelo contrário. Mesmo com opiniões diferentes, todas compartilham o compromisso de construir um espaço seguro para mulheres negras.

“Existem diferenças, existem debates, mas eles servem para que a gente encontre caminhos em comum. Cada mulher chega com a sua luta, com a sua vivência e com a sua força. É isso que faz o coletivo existir”, explica.

O fortalecimento dessa rede, segundo as fundadoras, fez com que muitas participantes passassem a enxergar o grupo como um lugar de pertencimento e reconstrução, preparando o caminho para transformações que ultrapassam o universo do samba de roda.

“Vi força de sambadeira levantar outra mulher”

Se a cultura foi o caminho que uniu as integrantes das Sambadeiras de Roda, foi o acolhimento que consolidou o coletivo. Com o passar dos anos, Camila e Diangala perceberam que muitas mulheres chegavam ao grupo carregando histórias marcadas por violência, solidão e silenciamento. Nas rodas, encontravam um espaço onde podiam falar, ser ouvidas e reconstruir a própria autoestima.

O objetivo inicial de incentivar mulheres negras a ocuparem os tambores acabou se ampliando. Mais do que aprender cantigas ou instrumentos, as participantes passaram a compartilhar experiências de vida e criar uma rede de apoio que ultrapassa os encontros do coletivo.

Diangala conta que, frequentemente, as próprias integrantes relatam mudanças profundas depois de ingressarem nas Sambadeiras de Roda. Segundo ela, ouvir esses depoimentos é uma confirmação de que o coletivo alcançou um propósito muito maior do que imaginavam quando começaram os primeiros ensaios.

“Quando a gente pensava no grupo, queria empoderar mulheres atrás do tambor. Mas muitas chegaram dizendo que as Sambadeiras fizeram diferença na vida delas, que passaram a se sentir mais fortalecidas. Outras pessoas começaram a dizer: ‘Nossa, como você está empoderada’. É muito bonito perceber que o grupo realmente provoca essa transformação”, declarou a sambadeira.

Ela afirma que algumas participantes chegaram a se afastar por um período, mas decidiram voltar ao perceber a falta que o coletivo fazia em suas vidas. “O grupo é bom para elas e elas também fortalecem o grupo”, destaca.

Camila observa que, muitas vezes, as mulheres chegam sem sequer imaginar o quanto precisam daquele ambiente de convivência. Com o tempo, acabam dividindo dores que até então permaneciam em silêncio.

“Sempre tem alguém que chega e começa a contar que, antes de entrar no grupo, estava vivendo alguma situação muito difícil. Muitas dessas histórias passam pela violência. Elas dizem que encontraram nas Sambadeiras um lugar de cura, de fortalecimento e de reconhecimento”, expôs.

Uma dessas experiências ficou marcada na memória da sambadeira durante uma oficina realizada no Mercado Sul. Ao final da atividade, enquanto as participantes compartilhavam o que levavam daquele encontro, uma mulher revelou que havia sobrevivido recentemente a uma situação de violência e que quase havia sido vítima de feminicídio.

Segundo Camila, o relato emocionou todas as presentes e sintetizou o sentido do trabalho desenvolvido pelas Sambadeiras de Roda. “Ela disse que estava vivendo um momento muito difícil, mas que saía dali fortalecida, entendendo a importância da força das mulheres”, disse Camila.

Naquele instante, uma cantiga tradicional veio espontaneamente à memória de Camila. Para ela, os versos traduziam exatamente o que acontecia diante de seus olhos.

‘Eu vi menino, eu vi homem, eu vi mulher. Vi força de sambadeira levantar outra mulher.’

A sambadeira conta que costuma lembrar desse momento sempre que pensa na missão do coletivo.

“Ao mesmo tempo em que eu estou ajudando outra mulher, também estou sendo fortalecida. O samba de roda é justamente esse espaço de fortalecimento real para nós, mulheres negras”, afirma Camila Ferreira.

É essa relação de troca que, segundo as fundadoras, mantém o grupo vivo. Cada nova integrante chega com sua própria história, mas também passa a contribuir para que outras mulheres encontrem coragem para ocupar espaços, romper ciclos de violência e reconhecer a própria potência.

O samba de roda fortalece vínculos comunitários e celebra a cultura afro-brasileira
O samba de roda fortalece vínculos comunitários e celebra a cultura afro-brasileira | Crédito: Divulgação Sambadeiras de Roda

Tradição que atravessa gerações

Para as integrantes do coletivo, preservar o samba de roda não significa apenas manter viva uma manifestação cultural reconhecida como patrimônio brasileiro. Trata-se de garantir que conhecimentos transmitidos por gerações de mulheres negras continuem ecoando nas rodas, nas cantigas e nos tambores.

Camila explica que a ancestralidade é o princípio que orienta as Sambadeiras e faz com que o samba de roda seja compreendido como muito mais do que uma apresentação artística.

“O samba de roda é vivo. Ele é uma entidade ancestral. Quando a gente fala de ancestralidade, a gente está falando de movimento. É algo que precisa ser movimentado”, argumenta. 

Segundo ela, esse movimento acontece justamente quando os ensinamentos recebidos das pessoas mais velhas são compartilhados com novas gerações de sambadeiras.

“A gente só consegue manter essa tradição viva compartilhando aquilo que aprendeu com quem veio antes. É a oralidade que preserva nossa história, nossa identidade e os nossos saberes”, disse.

Essa busca pelas origens também motivou as fundadoras a conhecerem de perto as mulheres que ajudaram a construir a história do samba de roda na Bahia. Para Diangala, não bastava criar um coletivo em Brasília sem antes “beber da fonte” e aprender com as mestras que mantiveram a tradição viva ao longo das décadas.

Durante uma viagem a Cachoeira, no Recôncavo Baiano, ela conheceu algumas das principais referências da manifestação cultural e viveu experiências que considera transformadoras. Entre elas, acompanhar a Irmandade da Boa Morte e assistir às rodas conduzidas por Mestra Dalva Damiana.

A sambadeira lembra que ficou impressionada com a força da mestra, mesmo já idosa, conduzindo a celebração e o samba pelas ladeiras da cidade.

“Eu olhava para ela e pensava: ‘Essa mulher não vai subir essa ladeira’. Mas ela foi cantando, conduzindo todo mundo. Depois começou a roda e eu vi aquelas senhorinhas sambando. Foi um momento mágico”, relembrou.

Mestras que vieram antes

A viagem também despertou uma preocupação que hoje faz parte do trabalho desenvolvido pelas Sambadeiras de Roda: dar visibilidade às mulheres que construíram a história do samba, mas permanecem pouco conhecidas pelo grande público.

Diangala afirma que, durante muito tempo, ouviu falar apenas dos mestres sambadores. Foi a partir da criação do coletivo que ela e as demais integrantes passaram a pesquisar e divulgar a trajetória de mulheres como Mestra Dalva Damiana, Mestra Chica do Pandeiro, Mestra Aurinda do Prato e tantas outras responsáveis por preservar essa tradição.

“A gente começou a perceber que conhecia o nome dos mestres, mas quase nunca ouvia falar das mestras. Então entendemos que também era nossa responsabilidade trazer essas mulheres para a roda e contar quem elas são e o que representam para a história do samba”, afirmou.

Para as fundadoras, reconhecer essas referências é também uma forma de enfrentar o apagamento histórico das mulheres negras na cultura popular e reafirmar que o samba de roda sempre foi sustentado por elas.

Hoje, ao olhar para a trajetória construída desde os primeiros encontros durante a pandemia, Camila acredita que as Sambadeiras de Roda continuam cumprindo a missão que deu origem ao coletivo: fortalecer mulheres negras para que elas ocupem espaços que historicamente lhes foram negados, sem perder de vista a memória de quem abriu os caminhos.

“Se hoje a gente está aqui, é porque muitas mulheres vieram antes de nós. Elas sobreviveram, resistiram e abriram caminho para que pudéssemos existir. O que a gente faz agora também é pensando nas mulheres que ainda virão”, destacou Ferreira.

Para Diangala, essa é a principal mensagem deixada pelo coletivo.

“Toda mulher sabe a força que tem. Muitas vezes o que falta é coragem para se colocar no mundo. A gente sempre diz: por cima do medo, coragem. Que o medo nunca seja maior do que a coragem da nossa existência”, afirma.

Com essa convicção, as Sambadeiras de Roda seguem transformando o samba de roda em um espaço de memória, pertencimento e resistência, onde cada canto, cada toque de tambor e cada mulher que entra na roda ajudam a manter viva uma herança construída há gerações.


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de WhatsApp do BdF DF: 61 98304-0102

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no WhatsApp e acompanhe as atualizações.

Editado por: Clivia Mesquita

|

Newsletter