A decisão do Republicanos de permanecer neutro na disputa pela Presidência da República não encerrou a campanha de parte da legenda em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Logo após a convenção nacional do partido, realizada nesta terça-feira (4), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) reconheceu que a direção nacional rejeitou a coligação com o PL, mas afirmou que seguirá atuando como uma das principais apoiadoras da pré-candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Damares admitiu que trabalhou internamente para convencer o Republicanos a formalizar uma aliança com o PL na corrida ao Palácio do Planalto. “Toda a articulação dentro do partido para a gente coligar, eu estava trabalhando nesse sentido. Eu queria os Republicanos coligados. Não conseguimos”, declarou.
Segundo a parlamentar, a justificativa apresentada pela direção da sigla foi a necessidade de preservar os acordos firmados nos estados durante as convenções regionais. Ela afirmou que a maioria dos diretórios defendeu a neutralidade para evitar conflitos com alianças locais já consolidadas, embora tenha sustentado que diversos estados defendiam o apoio a Flávio Bolsonaro.
A fala explicita a estratégia adotada pelo Republicanos para tentar preservar sua capilaridade eleitoral em 2026. Com diretórios estaduais já comprometidos com diferentes arranjos políticos, a cúpula da legenda optou por não nacionalizar a disputa presidencial, evitando impor uma posição única que pudesse desestabilizar alianças regionais.
Apesar da decisão institucional, Damares procurou separar a posição formal do partido da atuação de seus filiados. “Isso não quer dizer que os membros do partido são neutros. Eu tenho meu candidato. Meu candidato é Flávio Bolsonaro”, afirmou. Em outro trecho, prometeu assumir protagonismo na campanha do senador: “Serei a maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro no Brasil.”
Ao defender a neutralidade, a senadora também buscou minimizar o desgaste político da derrota sofrida pela ala bolsonarista dentro da legenda. Como argumento, citou o próprio PL, afirmando que o partido também teria respeitado decisões estaduais divergentes da orientação nacional.
Damares ainda rebateu especulações sobre uma eventual candidatura a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. Segundo ela, essa hipótese nunca fez parte das discussões internas do Republicanos. A senadora afirmou que o partido possui outros nomes com mais tempo de filiação e reiterou que seu papel será exclusivamente o de coordenar esforços em favor da candidatura do senador.
