O Hemisfério Norte começa a enfrentar mais uma onda de calor. As temperaturas têm ficado acima dos 40°C em cidades da Europa, enquanto incêndios de grandes proporções levaram à morte de cidadãos na Coreia do Sul e a desastres no estado de Washington, nos Estados Unidos.
Na Europa, o fogo forçou alguns governos locais a evacuarem as populações mais afetadas. Por lá, a nova onda de calor é sustentada por uma área persistente de alta pressão sobre parte do continente, que barra a passagem de frentes frias. Enquanto isso, o ar perde umidade, fazendo com que o solo seque de maneira mais rápida.
Os termômetros estão prestes a superar a casa dos 40°C em cidades no sul da Espanha, patamar parecido com o que deve acontecer nos próximos dias no oeste da França. No sul da Inglaterra, é provável que as temperaturas cheguem a 35°C nos próximos dias. Já em Portugal, praticamente todas as áreas do país enfrentam risco elevado de incêndios.
A realidade só se agrava. A Europa é, atualmente, o continente que mais aquece no mundo. Cidades da Alemanha, que passaram décadas lidando com as dificuldades do inverno, agora têm que encarar períodos de verão com ondas de calor extremo. De acordo com dados do Serviço Meteorológico Alemão, o número de dias extremamente quentes no verão dobrou desde a década de 1990 e triplicou desde os anos 1960.
Os incêndios também se transformaram em uma constante particularmente desafiadora. A União Europeia (UE) estima que cerca de 435 mil hectares de terra já foram queimados neste ano na Europa Ocidental. Centenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas na França e na Espanha nas últimas semanas.
Nesta semana, um dos países mais afetados pelos incêndios é a Grécia. No oeste de Atenas, mais de 400 bombeiros e 21 aeronaves atuam para enfrentar as chamas. “Estes dias são extremamente difíceis para nosso país”, reconheceu o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotaki.
Muito embora o calor seja a causa principal dos incêndios no continente europeu, há casos de queimadas provocadas por ação humana. Seja qual for a razão do início, a vegetação mais seca da região contribui para o espalhamento do fogo, assim como o próprio vento.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, três incêndios de grandes proporções atingem a região de Spokane, no estado de Washington, desde o último sábado (1). Até agora, o fogo já consumiu cerca de 4 mil hectares na parte norte da cidade, que tem cerca de 230 mil habitantes. Quase 65 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.
As autoridades têm mobilizado bombeiros na região: são 1.100 deles atuando em Spokane. Nos Estados Unidos, porém, o problema é ainda mais amplo. Até o momento, focos de incêndio já foram registrados em 15 dos 50 estados do país. Em Oregon e Idaho, um incêndio de duração de mais de dez dias já consumiu 1,36 mil quilômetros quadrados de pastagens, destruindo 600 casas e outras 800 estruturas.
Em Washington, a suspeita é de que o maior dos incêndios tenha sido provocado por ação humana. As investigações levaram à prisão de um homem identificado como Aaron Farinacci. Segundo o xerife do condado de Spokane, John Nowels, uma testemunha teria relatado que viu Farinacci ajoelhado perto do local em que o fogo começou. A polícia fixou a fiança no valor de US$ 1 milhão (R$ 5,07 milhões).
Ásia
A Coreia do Sul é mais um país a enfrentar as consequências das temperaturas extremas. Entre 15 de maio e 2 de agosto, foram 19 mortes associadas às altas temperaturas. Os dados são da Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças do país. No último domingo (2), por exemplo, a cidade de Yongsan, nos arredores de Seul, chegou a registrar 42,5°C, a maior temperatura em 122 anos de monitoramento meteorológico.
O alerta máximo vale para a capital. Por conta do quatro, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, classificou a situação como “desastre nacional”, pedindo reforço no apoio à população afetada.
Mais de 2,2 mil pessoas já sofreram problemas de saúde por conta do calor dos últimos meses. Enquanto isso, cerca de 300 pessoas foram hospitalizadas, segundo as autoridades de saúde. Do total de mortes, 13 foram de pessoas com mais de 80 anos.
O desastre natural é semelhante ao da Coreia do Norte. Segundo a imprensa oficial norte-coreana, dezenas de milhares de pessoas têm buscado refúgio contra as temperaturas na zona costeira de Wonsan Kalma. Cidades do país têm registrado temperaturas acima dos 40°C. Ainda não há confirmação sobre eventuais vítimas.
