A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (4), uma nova fase da Operação Sem Desconto, mirando suposta lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, além do advogado Willer Tomaz.
Segundo a PF, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos. As diligências desta fase buscam reunir documentos e equipamentos eletrônicos que possam esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados, a finalidade dos repasses e a participação individual de cada investigado.
Em nota, a defesa de Willer Tomaz informou que a busca e apreensão contra ele decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, “em caráter estritamente particular”, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Segundo o texto, “a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados”, e o advogado afirma não ter vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias.
Operação já resultou em demissões e prisões desde 2025
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em 23 de abril de 2025 pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), após a identificação de um esquema nacional de descontos irregulares de mensalidades associativas em benefícios do INSS, entre 2019 e 2024. As investigações apontam desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
A primeira fase resultou na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, no afastamento de outros servidores públicos e, dias depois, no pedido de demissão do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT). Em dezembro de 2025, outra fase da operação levou à prisão do então secretário executivo da Previdência, Adroaldo Portal, e de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Já em maio de 2026, a PF e a CGU deflagraram nova etapa em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal, com o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico.
*Com informações de G1 e Metrópoles.
