Seis partidos que compõem o Centrão optaram pela neutralidade no primeiro turno das eleições presidenciais: MDB, federação PSDB/Cidadania, Progressistas (PP), União Brasil, Republicanos e Podemos.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Renato Eliseu Costa, professor de Administração Pública LES/USP, observa que a atitude do bloco não gera exatamente surpresa, uma vez que o fisiologismo desses partidos faz com que eles tomem decisões a partir de possibilidades de terem ganhos políticos. Nesse caso, observa Costa, até o momento, as pesquisas indicam uma possibilidade de vitória maior da candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição.
“Historicamente são partidos que tentam ficar alinhados com aquele que tem maior possibilidade de ganho para depois usufruir dessas benesses. Não tem nenhuma novidade nesse movimento desses partidos, que estão enxergando no cenário eleitoral uma dúvida ou, pelo menos numericamente, uma tendência para a campanha do atual presidente. E aí estão fazendo negociações mais locais, aproveitando cada um dos locais para fazer os seus arranjos específicos para o Lula“, pondera.
Para o cientista político, o senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, é quem mais vai sentir esse movimento e, para Lula, é uma oportunidade de tentar novos arranjos em lugares onde o senador tem mais vantagem, “em especial no Sudeste e no Centro-Oeste”.
Além disso, Costa observa um outro revés para Flávio: a desistência do candidato favorito ao Senado por Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos). O cientista político aponta a importância do estado para a disputa, já que é o maior colégio eleitoral.
“A desistência do Cleitinho abre um grande buraco na campanha do Flávio Bolsonaro, porque a campanha dele tinha na candidatura do Cleitinho a possibilidade de se inserir com mais facilidade dentro do estado de Minas, já que vai enfrentar ali, possivelmente, o ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e o PT, que já tem também uma estrutura em Minas. Então isso abre uma nova configuração, não só para o cenário estadual, mas também para o cenário eleitoral, em que o Flávio agora vai ter um pouco mais de dificuldade para construir seus palanques”, afirma.
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