RECONSTRUÇÃO

Terremoto na Venezuela: mortos superam 6 mil e governo inicia entrega de novas moradias

Com mais de 23 mil desabrigados, plano Venezuela Renace e nova lei de aluguéis tentam estabilizar o mercado imobiliário

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Seguem os trabalhos de remoção dos escombros nas regiões atingidas pelo duplo terremoto do dia 24 de junho.
Seguem os trabalhos de remoção dos escombros nas regiões atingidas pelo duplo terremoto do dia 24 de junho. | Crédito: Federico Parra/AFP

As autoridades da Venezuela atualizaram os números da tragédia causada pelo duplo terremoto de 24 de junho. O relatório oficial aponta 6.125 mortes, enquanto outras 6.462 foram resgatadas com vida. No total, a rede pública de saúde e os postos de emergência atenderam 60.992 cidadãos com ferimentos, traumas ou outros problemas de saúde derivados do desastre.

A limpeza das áreas urbanas e das estradas avançou com a retirada de 346.755 toneladas de escombros. No entanto, esse volume representa 16,51% do total, pelo que o governo ainda prevê que o trabalho poderá levar anos. 

O cenário de superação da tragédia ocorre em um momento político complexo para o povo venezuelano. O presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores, seguem sequestrados nos Estados Unidos, e o país enfrenta sanções econômicas que dificultam o acesso a recursos para a recuperação. Mesmo assim, 31 mil voluntários se registraram para ajudar nas tarefas de socorro e reconstrução. 

Novas moradias e plano de reconstrução

A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, liderou na segunda-feira (3) a entrega de 87 novas casas no Urbanismo Simón Rodríguez, em Fuerte Tiuna, na capital Caracas. Com essa ação, somam 287 imóveis entregues formalmente para as famílias que perderam tudo durante o evento sísmico. A meta do governo é entregar 4 mil residências novas até o fim de 2026.

“Todas as pessoas que estão nos acampamentos temporários, aos quais estamos oferecendo apoio integral, poderão retornar para suas casas. Nosso principal objetivo, como equipe de governo, é trazer felicidade a todos os atingidos. Vocês não estão sozinhos”, declarou a presidenta durante o ato de entrega.

Por outro lado, seguem os trabalhos de avaliação dos imóveis com algum tipo de dano. As brigadas técnicas e os engenheiros civis inspecionaram 43.679 propriedades nas zonas afetadas. Desse total, as autoridades determinaram que 25.325 estão em condições habitáveis após pequenos reparos. Outras 9.866 possuem restrições de uso e 6.433 foram catalogadas como impróprias por causa do alto risco de desabamento. 

Segundo as autoridades, o plano Venezuela Renace conta agora com o apoio de 700 engenheiros voluntários para revisar as estruturas das casas. O governo também iniciou o cadastro único de moradias para organizar o atendimento aos mais de 23 mil desabrigados e às mais de 86 mil famílias atingidas em Caracas, Miranda e La Guaira.

Nova lei para locação de moradias

Outra medida que busca sanar o déficit habitacional provocado pelo duplo terremoto foi a aprovação de uma reforma na lei de aluguéis pela Assembleia Nacional, sancionada na última sexta-feira (31). 

A nova Lei do Regime Especial de Locação de Imóveis para Habitação busca, segundo o chefe do parlamento venezuelano, atualizar as normas do setor imobiliário para oferecer segurança jurídica a proprietários e inquilinos. 

“Os membros da Assembleia Nacional trabalharam em respostas rápidas e decisivas à emergência causada pelo duplo terremoto. Com a nova Lei do Regime Especial de Locação, alcançamos um equilíbrio entre proprietários e inquilinos, revitalizando o mercado imobiliário e protegendo as famílias”, destacou o deputado Jorge Rodríguez, após a aprovação da norma.

Presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, sanciona nova Lei do Regime Especial de Locação de Imóveis para Habitação, na sexta-feira, 31 de agosto.
Presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, sanciona nova Lei do Regime Especial de Locação de Imóveis para Habitação, na sexta-feira, 31 de agosto. | Crédito: Jesus Vargas/AFP

A lei estabelece a livre estipulação entre os contratantes para definir os valores e as condições do aluguel. Sobre o pagamento, o valor pode ser acordado em moeda estrangeira pelas partes. Nesses casos, o inquilino tem o direito de pagar o equivalente em bolívares pela taxa oficial do Banco Central. Para contratos feitos na moeda nacional, os reajustes devem seguir o Índice de Preços ao Consumidor.

Além disso, a nova legislação estabelece responsabilidade por reparos no imóvel, sistema de mediação de conflitos e as garantias que devem ser oferecidas pelo inquilino, além da preferência de compra para locatários com mais de dois anos de contrato ininterrupto. Com as novas regras, o governo espera estimular o mercado formal de aluguéis no país e deve fazer com que cerca de 400 mil moradias sejam colocadas à disposição do mercado imobiliário. 

Editado por: Gia Matheus Almeida

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