Pela reestatização

Trabalhadores da CPTM decidem manter a greve por mais um dia e paralisação seguirá na quarta-feira

Sindicato critica ausência de proposta do governo para manter empregos; Justiça do Trabalho marca reunião de conciliação

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Estação da Linha 11-Coral da CPTM
Estação da Linha 11-Coral da CPTM | Crédito: Divulgação

Continuará nesta quarta-feira (5) a greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que exigem a manutenção dos empregos, a aprovação de um projeto de lei para absorção dos funcionários da CPTM após a privatização e a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, recém-privatizadas.

“Nós queremos um compromisso no papel para a garantia dos empregos. Aí a gente conversa”, disse Fernando Ricardo, conselheiro fiscal do Sindicato Central do Brasil, que reúne trabalhadores de oito empresas ferroviárias de vários estados.

Em nota, o governo disse que prometeu “não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM” e manter o diálogo, além de negar que houve demissões. Veja a nota completa abaixo.

Na própria quarta-feira, ao meio-dia, o sindicato, a empresa concessionária Trivia Trens e o governo se reúnem para uma audiência de conciliação na Justiça do Trabalho. Uma nova assembleia está marcada para as 19h do mesmo dia.

A paralisação foi iniciada na terça (4), comprometendo a circulação nas linhas que somam cerca de 1 milhão de embarques por dia útil. Com a paralisação parcial, a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos.

O estopim para a greve aconteceu após uma série de acidentes envolvendo o transporte sobre trilhos de São Paulo. No dia 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um trem na Linha 12-Safira, gerando explosões, pânico entre passageiros que caminharam pelos trilhos e a interrupção completa do serviço.

Diante da gravidade da pane, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a estatal CPTM retomasse a operação das três linhas pelo período mínimo de 90 dias. No entanto, os ferroviários convocados de última hora para corrigir as falhas operacionais apontam falta de garantias de estabilidade profissional.

Veja a nota completa do governo de São Paulo:

“A greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi decretada pelo sindicato mesmo após o compromisso do Governo de São Paulo de não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM.

A paralisação ocorre por decisão unilateral do sindicato, com justificativas baseadas em desinformação e prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que usam as três linhas diariamente. Ao longo de todo o dia, a greve também afeta o trânsito na capital, com rodízio suspenso e pico de congestionamento de mais de 720 km pela manhã.

Desde o início das negociações, o Governo de SP e a CPTM apresentaram compromissos concretos e mantiveram canais de diálogo abertos. A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação. Ao contrário do que alega a entidade, não há demissões em curso, o que torna sem fundamento a motivação trabalhista da greve.

Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; 475 permanecem nas Linhas 11, 12 e 13, novamente sob gestão da CPTM; 450 estão no Metrô; 177 negociam realocação para a Artesp e outros órgãos; 522 seguem à disposição para novas cessões; e 853 atuam em áreas administrativas.

Diante desses números, causa estranheza a continuidade de uma greve que prejudica diariamente milhares de usuários das três linhas afetadas.”

Editado por: Gia Matheus Almeida

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