A decisão do governo de Donald Trump de cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, é interpretada por integrantes do governo brasileiro como mais um capítulo da escalada de pressão da Casa Branca sobre Brasília. A medida ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países. Os Estados Unidos admitiram ser uma tentativa de pressionar o aceite da indicação de seu novo embaixador no Brasil.
Nos bastidores, uma fonte do Itamaraty afirmou ao Brasil de Fato que o Ministério das Relações Exteriores não foi comunicado previamente sobre a decisão. A avaliação dentro da diplomacia brasileira é de que a justificativa apresentada pelos Estados Unidos reforça a percepção de que Washington utiliza o episódio como instrumento de pressão para acelerar a aprovação do diplomata designado para a embaixada no Brasil, Gabriel Escobar Perez.
A iniciativa é vista por interlocutores do governo como mais uma investida da administração Trump contra o Brasil. Nos últimos meses, a relação bilateral tem sido marcada por sucessivos episódios de atrito, incluindo o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, críticas públicas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e medidas diplomáticas consideradas hostis pelo Palácio do Planalto.
Embora o Itamaraty mantenha cautela na reação pública, a leitura predominante é que a revogação do visto extrapola uma questão administrativa e amplia o desgaste entre os dois países em um momento de crescente tensão política e comercial.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira (4) a revogação do visto da diplomata brasileira, mas afirmou que a medida não implica sua expulsão do país. Segundo o governo estadunidense, ela poderá permanecer no país, embora sem um visto válido, que poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o agrément — aval diplomático necessário — ao indicado de Washington para chefiar a embaixada em Brasília.
