A primeira sessão ordinária do segundo semestre da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), realizada nesta terça-feira (4), foi marcada por críticas da oposição ao Governo do Distrito Federal (GDF). Além dos debates sobre a situação do Banco de Brasília (BRB), parlamentares questionaram a condução das políticas de saúde, educação e transporte público. A ausência da governadora Celina Leão (PP) na abertura dos trabalhos legislativos também foi alvo de críticas.
Apesar da retomada das atividades legislativas, apenas oito dos 24 deputados distritais estiveram presentes durante a sessão.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) criticou a decisão da governadora de não participar da sessão, tradição adotada nas aberturas do semestre legislativo da Casa. “Talvez seja o medo de enfrentar o parlamento, de enfrentar o debate público e democrático e a própria cidade do caos que o governo dela criou no Distrito Federal”, afirmou o parlamentar.
O deputado também afirmou que a governadora tenta se desvincular do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), mas sustentou que ambos fazem parte do mesmo projeto político. “Talvez por isso a governadora não tenha coragem de vir mais uma vez à sessão de inauguração do semestre legislativo, mostrando além do seu descompromisso com a cidade o seu total descompromisso com esse parlamento”, declarou.
Gabriel Magno também voltou a criticar a plataforma EducaDF, utilizada pela Secretaria de Educação para a gestão da rede pública de ensino. Segundo o deputado, professores enfrentam dificuldades para lançar notas e frequência dos estudantes, enquanto escolas relatam falhas no funcionamento do sistema.
“As escolas retornaram e o sistema ainda não funciona. O boletim do segundo bimestre ainda não foi lançado porque o sistema não consegue lançar nota, lançar frequência, tem problema no pagamento dos professores em contratação temporária e tem problema inclusive de superfaturamento pelo sistema”, afirmou.
Magno afirmou ainda que há indícios de superfaturamento nas compras realizadas por meio da plataforma. Segundo ele, escolas estariam pagando até três vezes mais por equipamentos e serviços de manutenção do que os valores praticados no mercado. O parlamentar informou que pretende encaminhar as denúncias aos órgãos de controle.
Metrô-DF
Na área da mobilidade, Max Maciel (Psol) retomou as críticas à situação do Metrô-DF e lembrou que a Comissão de Transporte da CLDF encaminhou, em junho, um relatório ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e ao Governo do Distrito Federal (GDF) alertando para problemas no sistema. “Ainda sinalizamos que, se nada for feito, o Metrô-DF está a um passo de colapsar. Não deu duas semanas e nós tivemos um trem descarrilhado”, disse.
O deputado criticou a prioridade dada pelo GDF à implantação da Linha 2 do Metrô-DF. Para ele, o governo deveria concentrar esforços na recuperação da Linha 1 antes de anunciar a expansão da malha metroviária.
“Primeiro nós temos que resolver a Linha 1, que não está dando conta dos mais de 140 mil passageiros por dia, que anda com velocidade reduzida porque não tem capacidade energética e muitas vezes fica sem comunicação entre os trens porque a sinalização é interrompida”, afirmou.
BRB
O Banco de Brasília também esteve no centro dos debates. O deputado Fábio Felix rebateu a declaração do deputado distrital Daniel de Castro (PP), que afirmou que a Capacidade de Pagamento (Capag) do Distrito Federal teria passado da nota C para B. Segundo ele, o indicador permanece inalterado, conforme dados do Tesouro Transparente.
O parlamentar contestou as declarações de Daniel de Castro que associavam o escândalo envolvendo o BRB ao Partido dos Trabalhadores (PT). Felix lembrou que o parlamentar votou favorável ao projeto que autorizou a compra do Banco Master pelo banco público distrital. “Me surpreende a vossa excelência falar em BRB e Master aqui na Câmara Legislativa do DF sendo que o presidente do seu partido, Ciro Nogueira (PP-PI), é o principal envolvido nesse escândalo”, criticou.
O deputado também criticou a estratégia de comunicação adotada pela governadora Celina Leão, marcada pelo slogan “botina no pé e caneta na mão”. Para ele, o governo busca transmitir uma imagem de eficiência que não corresponde aos problemas enfrentados pela população, especialmente na saúde pública.
“Uma das cenas mais lamentáveis que vimos nessa botina no pé da governadora foi a inauguração de uma cerca no Hospital Regional de Ceilândia, enquanto a população não consegue acessar UPA e sofreu com uma onda de mortes na saúde pública”, afirmou o parlamentar.
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